Por Flávia Viana
Uma das coisas que mais gosto na minha coluna, é a oportunidade de escrever sobre situações, momentos e sentimentos que regem e permeiam a minha vida e poder dividir com vocês aqui. Nesse momento eu me sinto acompanhada e acredito que aconteça o mesmo aí do outro lado. Isso me deixa feliz! É uma troca...
Pegando de gancho a palavra, feliz, sugeri o título dessa semana para conversarmos um pouco.
Bom, a verdade é que eu aprendi as duras penas a necessidade de me encontrar para permear por caminhos mais leves e plenos, aqueles que nos dão uma paz que não tem preço!?
Até caminharmos por eles não acreditamos que possa ser possível ou até mesmo necessário, mas é!
Quando a gente fala “nos encontrar”, parece alguma coisa ligada a meditação, religião e afins, mas na verdade não é.
Essa “coisa” de encontro com nós mesmos é uma linguagem universal, e quando acontece só nos acrescenta e nos faz bem.
É engraçado como nos aproximamos das pessoas e nos relacionamos com elas sem ao menos nos questionarmos.
Projetamos automaticamente nossas vontades e frustrações no outro, além da necessidade de estarmos com alguém para que possamos nos sentir “completos”.
Automaticamente responsabilizamos sempre o outro pela nossa felicidade, só que na verdade primeiramente esse papel é nosso, o outro quando chegar tem que ser para somar, não acredito que ninguém complete ninguém, nós fazemos isso sozinhos.
Minhas experiências na maioria do tempo sempre foram de relacionamentos que se emendavam um no outro, eu não tinha muito tempo ou achava que não precisava dele para avaliações e questionamentos comigo para iniciar uma nova relação.
Percebi com o tempo que jamais havia parado para me fazer perguntas, afinal de contas se não deu certo a culpa nunca era minha e sim do outro.
É automático gente, na maioria das vezes é! Já perceberam que quando terminamos uma relação, a primeira coisa que a gente faz é falar em sua maioria mal do outro? Dos defeitos do outro? Então, mas e você? O que você fez?
Bom, na minha segunda separação, comecei todo esse processo de pensar, analisar e me perguntar, mas isso foi um longo caminho, não foi de uma hora para outra.
A nossa companhia tem que ser a melhor de todas.
O amor por nós mesmos o maior de todos. Só não confundam tudo isso com arrogância ou orgulho, porque nem combina!
O tempo com a gente é necessário. Ele nos transforma nas melhores companhias do mundo.
Não sejamos afobados ou desesperados, porque se pensarmos bem, temos como conduzir para o melhor caminho.
Esse encontro com nós mesmos nada mais é que amarmos a nossa companhia, estarmos em dia com a dedicação e o tempo com a gente, nos entendermos, sabermos o que queremos e o que não queremos também, nos sentirmos felizes com essa sensação, porque assim sem dúvida vamos conseguir identificar tanta coisa.
Jamais estaremos com alguém porque é cômodo, seguro ou conveniente.
O meu segundo casamento foi assim, porque é muito bom quando alguém gosta tanto da gente ao ponto de assistirmos essa mesma pessoa fazendo coisas que quando caímos na real, descobrimos que a gente adora, mas não com aquela pessoa, por mais que tenhamos a certeza do sentimento dela pela gente.
Falo isso porque eu vivi por alguns anos exatamente assim.
Eu falava coisas de volta que quando eu parava pra pensar eu não sentia, mas eu também não queria perder tamanha segurança de sentimento.
O nosso encontro com nós mesmos tem que ser especial, livre, cheio de amor, paixão, realização, vontade e intensidade.
Porque depois disso, você vai se envolver sem depender, vai se envolver sem perder o equilíbrio, com maturidade e estará sempre sintonizado com o outro de forma limpa e verdadeira.
A gente se encontra para depois “encontrar” o outro...
Quero finalizar a minha coluna de hoje com algo que li essa semana quando tudo que escrevi agora já estava formatado.
Esse poema é de uma pessoa conhecida por aqui, o meu poeta do mar, vocês se lembram?
Pedi a autorização para compartilhar algo de autoria dele e que vai de encontro com as minhas palavras de hoje.
Perguntei ao poeta como ele gostaria que eu o creditasse ao final da poesia, e ele me respondeu: “Este poema é do grande amor da minha vida”.
Será? Ou eu da dele? Ou as duas coisas? Vamos refletir...
Quem disse que precisamos sempre navegar para se encontrar?
Mesmo longe, dentro de mim ainda parece ser um bom lugar.
Mesmo com a vela recolhida, ainda vejo as paisagens que embelezam o meu olhar.
Quem disse que preciso estar atracado para me sentir seguro?
Mesmo ancorado meus medos habitam em mim.
Mesmo na calmaria, por vezes aqui não é o lugar que quero estar.
Quem disse que aqui é o ponto de partida
Ou o finito de velejar?
Quem disse que devo ancorar ou estender as velas,
Se ainda acredito que o melhor lugar para ficar é dentro de mim...