Lambe-lambe, stencil e outras técnicas mais “caseiras” transformaram a sala de televisão do casal Stephani Demczuk e Paula Garde.
Apaixonadas por decoração e adeptas do “faça você mesmo”, as duas foram alterando os ambientes sem medo de usar cores diferentes e com inspirações mais voltadas para a natureza.
“Faz oito anos que eu decoro essa casa, eu e a Paula. Ela quem me fez pegar gosto pela decoração”, explica Stephani Demczuk, 31 anos.
Ambientes com muito verde, cores mais vivas e gatos são resultado de muita dedicação e um tanto quanto desprendimento. “Eu já pintei tanta parede na minha vida, que eu não fico mais sofrendo de ter o risco de não gostar.
Acontece de odiar, mas, no geral, é só uma parede, é só uma tinta, não tem que ter muito drama com isso”, acredita.
No caso da sala de TV, o desejo de reformar já existia, mas foi motivado por um problema no gesso.
“A sala antes não estava ruim, mas a pintura, apesar de ser uma cor que a gente gostava, estava meio antiga. Era o plano em algum momento pintar. O que aconteceu é que o gesso da casa começou a cair e a gente precisou fazer essa obra, e assim que ela terminou os caras praticamente destruíram a nossa parede, se não fosse o plano, teria que virar, porque estava muito estragado”, conta Stephani.
Anteriormente, a sala tinha elementos geométricos e o tom de azul era mais sóbrio. “A minha intenção era fazer algo mais quente, porque a parede era um azul acinzentado. Eu queria ‘esquentar’, deixar a sala mais aconchegante, ela tinha preto, queria tirar esse preto, deixar mais madeira, mais quente”, frisa.
O azul saiu e entrou um verde-claro. Para trazer ainda mais vida, Stephani e Paula optaram por ilustrações de folhas, feitas com a técnica lambe-lambe, utilizada principalmente na colagem de pôsteres artísticos pelos centros urbanos.
“Eu sonhava em ter um painel de floresta nessa parede de fundo, e os painéis que eu gostava custavam, em média, R$ 1.500, o que não iria rolar pelo valor. Foi quando a Paula sugeriu fazer um lambe-lambe, que é papel, feito de papel. A Paula, como tem familiaridade com arte, pesquisou e fez”, ressalta.
Segundo Stephani, a ideia era deixar a sala com ar de “apartamento de vó rica, meio vintage, aconchegante”, frisa.
Natureza
Como também é bióloga, ela não abre mão do verde e também incluiu ilustrações de animais, que estão em alta.
“A questão da natureza sempre tem, eu sou bióloga e sempre curti ilustração científica e botânica, tanto que eu tenho aqui em casa uns quadros, e na época não existia isso na decoração, agora que está mais alta. Eu tenho uns quadros de sapo em ilustração científica que eu trouxe de um congresso, a Paula achava um absurdo, horrível”, ri.
Stephani explica que, ao contrário do sapo que ela tem, o que mais tem sido utilizado são ilustrações de borboleta e outras plantas.
“Até finalizar a sala, eu acho que levou uns dois meses, porque teve a obra, e a gente vai fazendo devagar, fim de semana faz o stencil, o lambe-lambe, pendura as coisas, quando eu achei que estava quase pronto, eu inventei que queria um quadro, então, arruma o quadro, troca a moldura”, pontua.
Adepta do “faça você mesmo”, Stephani explica que o segredo é não ter medo de ousar e de experimentar cores e objetos que gosta. “Foi uma coisa supernatural para a gente, quando nos mudamos para cá, não tínhamos dinheiro para pagar alguém, como sabíamos que éramos capazes de pegar a tinta e pintar, a gente ia fazendo, ia vendo referências”, esclarece.
Stephani acredita que ultimamente tem sido mais fácil ter referências mais populares e menos luxuosas.
“Antigamente, a Paula sempre voltava com uma revista de decoração quando ia ao mercado, mas eram decorações inacessíveis, era coisa de luxo real, tinha umas coisas maravilhosas, mas que a gente nunca acessaria", acredita.
"Com o tempo, a gente vai vendo que o que a gente fazia era melhor, referências mais possíveis, e fazer de um jeito mais bacana, entendendo melhor os conceitos, entendendo os estilos sempre, foi uma coisa que a gente fez, mas agora a gente faz com mais consciência”, completa.
Na hora de colocar a mão na massa, o melhor é respeitar as escolhas pessoais. “Faça você mesmo do jeito que você gosta”, pontua.
“Observe referências e use cores que te agradam. Outra dica é não ter medo de fazer as coisas, porque olha, de verdade, não tem mistério nenhum”, frisa.
Ressalta ainda que nada substitui o trabalho de um profissional. “Sem desmerecer o pintor, porque eu sei que quando eu chamo o profissional fica outra coisa”, diz.
Se faltar inspiração, Stephani também pode ajudar. “Pode me chamar que eu faço o projeto”.