Por Ana Claudia Paixão
Hoje o protagonismo feminino nas séries e no cinema já não é tão incomum, mas, há 30 anos, quando Ridley Scott quis fazer um road movie com duas mulheres, quase foi taxado de louco. Ainda mais que as duas eram maduras e quarentonas.
O diretor precisou bater o pé para tirar o filme do papel. Nós ganhamos um clássico.
Thelma e Louise são duas amigas que planejam um fim-de-semana de pescaria e paz, mas que acaba em assassinato e roubo.
São também praticamente as inventoras da selfie.
O filme de 1991 rendeu indicação ao Oscar para Susan Sarandon e Geena Davis e impactou várias gerações de mulheres ao redor do mundo, incluindo sua colunista.
Não havia nada igual a elas até então, com um roteiro denso, cheio de viradas e muita emoção. Pode-se dizer que pouca coisa semelhante houve depois também.
O filme fala de abuso sexual, de violência contra mulher, de ignorância, de traumas e incompreensão, onde a única alternativa para elas é aquele penhasco da polêmica cena final.
Ridley Scott, aliás, queria que o carro magicamente pousasse no chão e que as duas sobrevivessem, mas as atrizes não aceitaram essa opção que diminuiria a seriedade dos temas que abordavam.
A falta de perspectiva é essencial para o drama de Thelma e Louise e o que o faz atemporal. Emocionante.
Depois do filme, Susan Sarandon e Geena Davis ficaram melhores amigas.
Geena se dedicou a possibilitar projetos inclusivos em Hollywood, criando o Geena Davis Institute on Gender in Media, organização que busca eliminar preconceitos no cinema.
Ganhou um Oscar Humanitário pela iniciativa.
A pandemia atrapalhou bastante a celebração dos 30 anos do lançamento de Thelma e Louise.
Em três décadas, pouca coisa mudou, mas as duas amigas seguem inspirando mulheres de todas as idades e de todo planeta. Seguimos em frente com elas.