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"Comida não pode ser um artigo de luxo"

Com exclusividade, um dos maiores chefs do Brasil conversou com o nosso Correio B+ especial de dia dos pais...

Denis Felipe

Denis Felipe

06/08/2021 - 05h00

Por Flávia Viana

Henrique Fogaça é de uma versatilidade admirável.

Empresário, chef, apresentador, músico (vocalista da banda Oitão), adora skate, suas tatuagens, motos e todo o estilo de vida que tudo isso proporciona a ele.  

 

 

Sua família e seus filhos são suas maiores inspirações e grandes paixões, são sua base e pilares.

Quando adolescente diz ter dado trabalho para seus pais.

Fogaça nunca almejou estar na TV, foi algo que aconteceu. E de lá pra cá oito anos se passaram de sua estreia no Marterchef da Band.

“Comida não pode ser artigo de luxo”.

 

Uma de suas frases marcantes.

Seus pratos são uma fusão da alta gastronomia com a culinária brasileira contemporânea.

Fogaça é inspiração para muitos.

Teve uma vida cheia de nãos, mas nunca se acomodou ou desistiu.

No seu início de carreira ia ao Ceasa de madrugada para comprar ingredientes e criar seus pratos que hoje são um verdadeiro sucesso.

A caveira representa o que ele leva como lema em sua vida...

 “Por baixo dessa pele, independentemente da cor, credo ou classe social, somos todos iguais. O que importa é a nossa luta diária de querer fazer o melhor para o próximo e a si mesmo. Fazer o bem é algo que não é glória para ninguém, é a paz que toda alma deveria buscar”.

Em 2017 Fogaça lançou um livro que fala muito sobre ele através de seus pratos e histórias, como é com sua música e tatuagens.

Henrique tem 3 filhos. Olivia fez 15 anos, ela é portadora de uma síndrome rara e há 3 anos faz uso do óleo de cannabis. 

Em breve Fogaça apresentará a todos um instituto que levará o nome de sua filha.

 

“Digo com propriedade que o que era um problema de saúde da minha pequena, me transformou em um homem melhor com ainda mais garra e força de vontade. A empatia se fez presente em minha vida, nos meus dias”. Explica. 

Em 2008 tive a oportunidade de dar aula de gastronomia no O Instituto Chefs Especiais, que para quem não conhece é uma ONG que atua desde 2006 com o intuito de facilitar a inclusão social e autonomia para pessoas com Síndrome de Down através da gastronomia”.

Atualmente com a vinda da Pandemia, Fogaça desenvolveu outro Projeto Social juntamente com seus dois sócios do Restaurante Jamile que chama Marmita do Bem, onde eles entregam semanalmente marmitas para moradores de rua.

“E sobre os nãos? Foram eles que me fizeram chegar até aqui”.

Com exclusividade, um dos maiores chefs do Brasil conversou com o nosso Correio B+ especial de dia dos pais...

 

CE - Henrique, é impressionante a sua versatilidade, você sempre foi assim?

HF - Sim, eu sempre fui assim. Sempre gostei de esporte, música, tatuagens, de skate, moto, cozinhar, e hoje eu consigo conciliar com a minha família, meus filhos e consigo fazer tudo que eu gosto dentro desse universo.

 

CE – Você sempre pensou em fazer TV? Era mais um de seus projetos?

HF – Não. Nunca pensei em fazer TV. Eu fui convidado para apresentar o Marterchef e fiz um teste, eles gostaram, aprovaram e eu sou muito feliz com tudo que eu vivo e passo lá no Masterchef.

 

CE – Eu me lembro que você fazia o 200 Graus em canal fechado, foi aí que começou? Se eu não me engano em 2016, certo?

HF – Sim. Nós gravamos o 200 Graus onde a gente mostrava um pouco da minha rotina, do meu dia a dia que envolve a gastronomia, a banda de rock, os amigos, o esporte, a tatuagem, já tinha inclusive começado o Masterchef, foi no primeiro ano.

 

CE – São anos de Masterchef. Como foi o convite para participar?

HF – O convite surgiu de um pessoal de uma produtora que foi lá no meu restaurante e falaram que estavam comprando a franquia do Masterchef e falaram que eu tinha tudo a ver com o programa e já fui convidado para fazer um teste. 

Fizemos o teste e depois de alguns meses eles entraram em contato dizendo que já tinham comprado a franquia do programa e que eu era a primeira pessoa escolhida para ser jurado.

 

CE – Como é a dinâmica, ritmo e bastidores do programa? Pauleira?

HF – A gente grava diariamente. São 8, 10, 12 horas de gravações por aproximadamente quatro meses e o ritmo é muito intenso.

 

CE – Vocês se encontram fora do programa também?

HF -  Sim. Quando a gente está gravando, estamos todos os dias juntos. Depois quando acaba nós temos os restaurantes, cada um tem sua rotina e uma série de coisas para fazer. 

Mas a gente eventualmente combina e se encontra sim fora do programa.

 

CE – Como é avaliar os participantes? Tarefa muito difícil?  

Muitos estão ali realizando um sonho enorme, inclusive de estar com vocês...

HF – É bacana, estou ali como jurado, meu dia a dia na cozinha no restaurante é manter o padrão, o treino em equipe, é toda essa parte que envolve de criação, e no programa eu estou avaliando os temas das provas e o que o pessoal cozinha. 

Muitos estão realizando um sonho, obviamente, então a gente não passa a mão na cabeça, a gente vai sempre para o lado profissional do tema das provas, o que aborda e principalmente o resultado da comida, a harmonização, os sabores...

 

CE – Tem algum prato que você experimentou e se lembra até hoje no Masterchef?

HF – Sim, muitos pratos. Foram várias temporadas. Cada temporada sempre tem um destaque de pratos que eu gosto bastante. 

Nessa temporada, por exemplo, tiveram alguns pratos deliciosos. Mas teve uma temporada que eu comi um creme de cogumelos com crisp de alho poró que estava muito gostoso, eu lembro até hoje.  

 

CE – Principalmente depois que você foi para a TV muitos de acham muito, muito bravo né?

HF – Não! Eu não sou bravo, eu sou uma pessoa exigente ali com meus critérios de avaliação na comida, sou uma pessoa muito fácil de lidar, talvez pelo meu jeito de falar as pessoas acham que eu sou bravo, eu me rotulo e eu sou justo nas minhas avaliações.  

 

CE – Você lançou um livro em 2017. Você compõem música e também canta. Você tem tatuagens pelo corpo todo. Você cozinha.

Todas as formas de se expressar? Contar a sua história? Se manifestar? Conta sobre pra gente?

HF – Sim, eu lancei um livro em 2017. 

A música sempre esteve muito atrelada a minha vida, inclusive as tatuagens vêm dessa paixão pelo rock extremo. 

Eu conto um pouco da minha história no livro, eu sou uma pessoa que nasci no interior, sempre gostei muito de esporte, de música, de skate e isso eu trago à tona no meu estilo de vida, e a cozinha entrou logo a frente, então é algo que eu sou muito feliz em poder continuar com 47 anos, praticando a cozinha, a luta, o skate, a música e as minhas tatuagens.

 

CE – Uma comida que adora e não vive sem?

HF – Eu adoro o nosso prato do dia a dia.

Arroz, feijão, ovo frito, um bife acebolado e uma farofa.

 

CE – Você está dando cursos. Como é?  

HF – Sim, dou aulas na Curseria que é uma plataforma digital que eu já dei alguns cursos, já são 16 aulas, inclusive agora a gente vai fazer uma outra série de aulas nessa mesma plataforma.

 

CE – Como surgiu a sua paixão por motos?

HF – Minha paixão por motos surgiu desde moleque, quando eu morava no interior. 

Em Piracicaba, eu andava muito de bicicleta, depois fui para Ribeirão Preto, sempre de bicicleta, depois tive uma mobilete, depois as motos, então as duas rodas sempre fizeram parte da minha vida, e faz até hoje. 

É algo que eu me sinto muito bem e muito livre. A moto é um veículo que chega rápido nos lugares, principalmente em SP que tem muito transito. 

Com a moto eu consigo fazer tudo muito rápido, é prático e está no meu DNA.

 

CE – Falando em paixões... A sua família... Como é a sua relação e tempo com eles? Dá pra ver o quando é apaixonado e dedicado.

HF – Sim, eu tenho três filhos. A Olivia que é a minha princesa, João e a Maria Letícia. 

Eu sou divorciado, mas a gente administra o tempo. Ficam um pouco em casa, um pouco na casa da mãe e devido a minha correria eu coloco como o pilar principal a convivência com os meus filhos apesar de toda a correria.  

 

CE – Costuma cozinhar para a sua família?

HF – Eventualmente sim, quando eu vou para Ribeirão Preto eu cozinho para meus pais, meu irmão que mora fora do país, minha irmã, para os meus filhos, sempre que eu posso sim, eu estou cozinhando para a minha família.  

 

CE – Sua filha Olivia não tem um diagnóstico fechado como você diz em algumas entrevistas e tem feito o uso de óleo de canabidiol. Como tem sido o tratamento?

HF – A Olivia vai fazer 15 anos e ela não tem um diagnóstico especifico, é uma síndrome rara. 

Ela está usando o óleo de canabidiol faz algum tempo, quase 3 anos, e tem melhorado bastante. 

Sai um pouco da medicina tradicional. Eu acredito que o mundo tem muitos universos, muitas formas da gente se ajudar além da medicina tradicional. 

A cannabis é uma planta sagrada que tem funções muitos boas para inúmeras doenças e eu estou muito feliz com a evolução da minha filha Olivia.  

CE – Sobre o instituto Olivia...

HF – Estamos montando... Tem toda a parte burocrática, em breve teremos boas notícias para a sociedade, para as famílias e pessoas que são portadoras de síndromes. Em breve teremos boas notícias...  

CE – Como era a sua relação com o seu pai?

HF – A relação com o meu pai sempre foi muito boa.

Quando eu era adolescente deu bastante trabalho para eles, meu pai e minha mãe, mas tenho uma relação ótima com meu pai, sou muito feliz em ter um pai muito amoroso, que meu deu muito exemplo, com valores de honestidade, de trabalho e de correr atrás...

CE – Fogaça ser pai pra você...  

HF – Ser pai pra mim, é viver um amor incondicional, é uma maturidade, uma experiência única, somente quem é pai desse amor.

CE – Uma mensagem para os pais que te leem agora...

HF – Não desistir nunca do amor, das conquistas, dos desafios. 

Muitas pessoas hoje em dia acabam desistindo no primeiro obstáculo, e eu digo pra vocês que vale a pena ir até o fim, lutar pelo que você deseja e quer na vida. Então, não desistam jamais...  

 

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