Durante a pandemia do coronavírus, muito se falou sobre a importância da prática contínua de uma atividade física, em especial pelos benefícios à imunidade e à saúde mental. Porém, enquanto uma parcela da sociedade investia em aulas on-line e em plataformas digitais, outra decidiu esperar pela flexibilização e pela diminuição dos casos de Covid-19.
Segundo o profissional de educação física, professor e personal trainer Geovany Rafael Bisol, mais pessoas têm procurado realizar uma atividade física constantemente. “Houve uma boa divulgação de como o exercício físico ajuda na saúde durante a pandemia”, afirma.
Tudo isso se deve aos benefícios que a prática tem. “No geral, a atividade física abrange várias áreas da nossa saúde, começando com a melhoria do condicionamento cardiovascular. Há pesquisas relacionando uma boa aptidão aeróbica a uma maior longevidade, por exemplo.
Temos também o aumento da força, e essa capacidade auxilia muito nas nossas atividades diárias”, pontua.
A atividade física também pode ajudar no controle de doenças, como o diabetes.
“Quem faz atividade física regular facilita a entrada da glicose na célula para que ela seja utilizada como energia durante a prática da atividade, o que faz com que os níveis glicêmicos sanguíneos fiquem melhores e diminua a necessidade do uso de medicamentos para esse controle. A atividade física, nesse caso de pessoas com diabetes, auxilia no controle da glicemia”, explica o profissional.
Benefícios
De acordo com o professor da Uniderp e doutor em Educação Física Flávio Conche, deixar o sedentarismo de lado melhora as funções metabólicas e morfológicas no nosso corpo. “A primeira coisa que devemos saber é que o corpo humano é uma máquina excepcional, adaptando-se a todo e qualquer estímulo a que a submetemos”, explica.
Segundo Conche, as adaptações podem ser divididas em agudas e crônicas.
“As adaptações agudas são as que acontecem no ato do exercício físico, ou seja, aquelas que acontecem durante a execução de qualquer prática desportiva, e as adaptações crônicas são aquelas que vão ocorrer a um longo e contínuo prazo da prática de exercício, como, por exemplo, melhora da disposição ou melhora do sistema cardiorrespiratório”, detalha.
Caso a prática de atividade física seja constante, entre os benefícios estão melhora do sono, manutenção da pressão arterial, melhora do sistema imunológico, aceleração metabólica e manutenção da composição corporal, com baixos níveis de tecido adiposo.
“Contudo, devemos ressaltar que a prática de exercício físico executado de forma incorreta pode gerar baixos ou nenhum resultado, e até mesmo promover lesões, desta forma se faz importante o acompanhamento de profissionais especialistas na área, como o profissional de educação física”, esclarece.
No caso de quem deseja começar agora ou está retomando a prática, Bisol afirma que o corpo voltará ao ritmo depois de quatro a seis semanas. “Nesse período já estamos novamente habituados aos exercícios”, frisa.
E nem adianta acreditar que no inverno a perda de peso será maior, porque, segundo o professor, isso é lenda. “O que faz perder peso é o balanço energético negativo”, explica. Ou seja, ter um gasto de energia superior ao que foi consumido por meio de alimentos.
“No frio, o corpo, por tentar se manter aquecido, gasta mais calorias, e consequentemente pode perder peso se ocorrer uma ingestão calórica menor. Mas só treinar no frio, sem uma restrição calórica, não é fator para perder mais peso. Afinal, no frio, justamente pela demanda de mais energia para aquecer o corpo, há a tendência de comermos mais”, ressalta Bisol.
Em Mato Grosso do Sul, treinar no frio exige um cuidado ainda maior, principalmente com o tempo seco.
“Normalmente o frio de Mato Grosso do Sul deixa o ambiente mais seco e, por isso, é necessário hidratar o trato respiratório superior, já que esse resfriamento pode aumentar as chances de infecções, inflamações e resfriados. Treinar é importante, desde que o ambiente seja propício para isso”, pontua.
Saúde mental
O ambiente pandêmico também pode resultar em mais estresse e em patologias relacionadas à saúde mental. Nesse caso, o exercício pode ajudar, por conta da correlação com a melhora da saúde física e mental.
Foi constatado que a atividade física regulou a função de algumas proteínas-chave (IGF1, BDNF, P13K) “que podem evitar o desenvolvimento da ansiedade e da depressão. Além do aumento dessas proteínas-chave, [a atividade física] também está associada à melhoria de quadros inflamatórios, ao aumento de neurônios e à proteção cardiovascular”, finaliza Bisol.