Depois de um longo período longe dos palcos, o teatro de Campo Grande começa a se movimentar longe da internet.
O grupo Ubu, por exemplo, está realizando uma série de oficinas neste mês, além de reestrear o espetáculo “Uma moça na cidade”, nos dias 18, 19, 24, 25 e 26 de agosto.
Com 21 anos de trajetória, o espetáculo volta repaginado.
“Ele foi reencenado. Algumas coisas que eram boas foram mantidas, enquanto outras foram otimizadas, nós melhoramos muitas coisas”, afirma o ator e diretor Anderson Bosh, responsável pelo roteiro e pela idealização da peça.
O espetáculo surgiu a partir de um conto, escrito por Anderson, que narra as desventuras de uma moça do interior (Ambrosina) em uma cidade grande.
Nesse percurso, ela se apaixona, mas não tem o amor correspondido.
Ambientada em Campo Grande na década de 50 e com bordões que ficam na memória, a peça explora uma vertente da comédia e os atores fazem uma performance em sincronia perfeita.
Últimas notícias
“A cada nova temporada a gente vai aperfeiçoando as características do espetáculo, dos personagens, tudo isso foi revisitado, por exemplo, cenário, figurino, além da interpretação", ressalta.
Tem um elemento novo dentro do espetáculo, um ator novo, que é o Edner Gustavo, e isso muda toda a dinâmica do espetáculo, tem outro tempo, ele tem outra comédia, ele tem outro corpo e a gente precisa adaptar esse novo elemento”, complementa.
A primeira vez em que a peça estreou foi no dia 26 de agosto de 2000 e desde então muitas histórias foram contadas. “De verdade, esse espetáculo nunca parou. Ele tem 21 anos de trajetória, todo ano a gente faz uma nova temporada”, frisa.
Para Anderson, a trajetória da Ambrosina é mais comum do que imaginamos.
“É uma jovem do interior que vem para a cidade grande estudar e se embrenha nas descobertas de uma adolescente na cidade grande e se vê dividida entre o amor e a sua cidade natal", pontua.
"Ela passa por questionamentos que normalmente acometem os jovens, como ‘é melhor casar, viajar ou estudar?’. Ela se encontra nesse lugar”, finaliza.
Coronavírus
Segundo Anderson, as oficinas teatrais são importantes neste momento da cultura, em que a arte ficou limitada ao ambiente on-line por mais de um ano.
“Neste momento, ocorreu essa abertura para a cultura e a gente pode fazer desde que sigamos todos os protocolos de segurança. Estamos realizando as oficinas no Sesc Cultura e todas as vagas estão lotadas, todos os dias", disse.
"As pessoas estão sedentas pela cultura, a gente retomou as atividades do grupo, os ensaios, os encontros e estamos com essa produção agora”, reforça.
Ainda há oportunidade de realizar oficinas gratuitas na Capital. Nesta segunda-feira (16), ocorre a oficina de figurinos, das 12h às 17h, enquanto na terça-feira (17) será realizada a oficina de Encenação, das 15h às 20 h.
“Todo mundo está muito emotivo, então, poder ter essa troca, o teatro é muito de presença, ele prevê a presença, a troca. Na internet tem uma frieza, um distanciamento muito grande", afirmou.
"No presencial, ao mesmo tempo em que a gente fica entusiasmado, emocionado, também estamos apreensivos, está todo mundo se cuidando muito", cita.
"Antigamente, a gente tinha três horas de oficina, hoje em dia você tem três horas de oficina e você gasta 1 hora com esses cuidados todos, de aferir a temperatura, utilizar álcool em gel, pedir para trocar a máscara a cada duas horas”, complementou Anderson.
Novos projetos
Além de “Uma moça na cidade”, o grupo Ubu também lançou recentemente o espetáculo “Pelega e porca prenha”.
A dramaturgia, a encenação e a direção foram assinadas por Anderson Bosh, com bonecos de Wilson Mota e música original de Ewerton Goulart para compor as aventuras de dois irmãos, que dão nome ao espetáculo, e se veem em uma intriga entre a Boca de Sapo, o Curupira e a Pisadeira.
“No mês retrasado, a gente estreou o novo espetáculo, mas era on-line. Agora pretendemos colocar em cartaz presencialmente, para poder receber as crianças também”, frisa.
Serviço – “Uma moça na cidade” será encenado nos dias 18, 19, 24, 25 e 26 de agosto, às 16h e às 19h, no Sesc Cultura, na Avenida Afonso Pena, nº 2.270, Centro. Os ingressos serão reservados pelos telefones (67) 9 8170-6824 e (67) 9 9339-5734.
Já as oficinas continuam com as inscrições abertas, que podem ser realizadas pelo mesmo número do espetáculo. A iniciativa recebe investimento do Programa Municipal de Fomento ao Teatro (Fomteatro) 2019 e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur).