O astral da atriz Claudia Ohana é indiscutível e maravilhoso, assim como a sua energia. Nosso papo começou falando de filmes e séries e terminou falando sobre a vida e seus ensinamentos.
A atriz que começou sua carreira no cinema por causa de sua mãe, também é filha de pai pintor e irmão escritor, o autor de novelas João Emanoel Carneiro.
Com essa história, impossível a trajetória dessa atriz inesquecível ser diferente do que é.
Hoje aos 58 anos, Claudia coleciona sucessos no cinema, na TV e no teatro. No palco uma mudança de vida e na forma de atuar.
“A minha atuação mudou completamente com o teatro, eu mudei como pessoa também. Eu sou muito tímida, mas o teatro te expõe tanto, você não tem como ficar tímida, o palco é incrível”, explica Claudia.
No cinema, o filme “Erendira” foi marcante e inesquecível pra ela, mas “Menino do Rio” foi um grande sucesso aclamado pela crítica que a tornou conhecida do grande público.
Na TV, a vampira e roqueira Natasha fez com que ela passasse a gostar de atuar na televisão.
“Em Vamp eu consegui me divertir, consegui relaxar porque eram muitas cenas, eu gravava muito, mas era tudo muito legal, e a personagem também.
Eu cantava, que é a coisa que eu mais amo e eu dançava também.
O personagem era uma pop estar, era tudo muito bom”, relembra.
A atriz tem dado aulas online, hábito que começou quando foi morar em uma ilha por alguns meses devido a pandemia da covid-19.
Lá ela passou a acordar mais cedo, ter hábitos mais saudáveis e qualidade de vida.
De volta a cidade grande, Claudia volta aos palcos do teatro que tanto é apaixonada interpretando Callas em um musical chamado “Parabéns Senhor Presidente”.
A estreia será no dia 24 de setembro em formato online em diversas plataformas.
A eterna Tieta do Agreste, papel que dividiu com a atriz Beth Faria em 1989, e a imortal vampira Natasha também exerce o papel de avó do Arto e do Martim, filhos de sua única filha Dandara, e ela adora!
“Eu não preciso forçar uma barra para brincar com eles. Eu sou uma avó galera sabe? Eu trato de igual para igual, me divirto. Eu acho que eu sou uma avó super legal (risos)”.
Ohana falou com exclusividade com o Correio B+ e dividiu com a gente um pouco sobre toda a sua trajetória entre outros assuntos que vale a pena conferir...
CE - Claudia você é filha da arte. Esse seria o seu caminho com mãe na área de cinema, pai pintor e irmão escritor?
CO - Eu acho que veio mesmo da minha mãe, ela trabalhava com cinema.
Na verdade, eu queria ser cantora, eu vivia tocando violão e cantando, e cantava muito bem naquela época, então eu achei que eu fosse ser cantora mesmo.
Me chamavam muito para fazer fotos.
Eu me lembro que a minha mãe fazia aquelas aberturas da Globo, aquelas mais antigas de todos os programas.
Ela trabalhava com o pessoal que fazia e produzia, e eu me lembro que me chamaram para fazer uma abertura na Alemanha, vídeos, curta metragens, sempre por causa da minha mãe, as pessoas me conheciam e me chamavam.
Então eu fui criada nesse mundo do cinema e nesse meio por causa dela.
CE - A sua carreira profissional começou no cinema né?
CO - Sim, eu comecei no cinema! É a arte que eu mais entendo.
Porque eu vivi ali atrás das câmeras, nos sets de filmagens.
E antigamente era tudo mais circense eu acho, hoje em dia já é mais amplo. Eu não poderia ter um caminho diferente sendo a minha mãe quem era. Eu sempre estive ali e trabalhei.
Eu me lembro que eu pegava uma lista dos filmes e ligava pedindo para todo mundo teste de todos os filmes. Fiz muitos testes, figuração, muita coisa mesmo.
CE - Dos seus primeiros filmes o que mais marcou você e a sua carreira?
CO - Nenhuma pra mim é igual a “Erendira”, esse filme é uma joia, ele é genial. Um filme belíssimo!
Mas o filme que me lançou foi “Menino do Rio”, ele foi um sucesso estrondoso, aconteceu em 1980.
A crítica gostou, prestou atenção em mim, e aí depois eu fiz “Beijo na Boca” que foi muito importante também. “A Pele do Bicho” marcou muito porque eu fiz a minha primeira protagonista, é um filme muito bonito.
CE – Falando em importância, VAMP foi um sucesso também...
CO - Vamp ficou imortal...
Foi uma novela inovadora, é uma novela cult, atemporal sobre vampiro, sobre rock...
O sucesso foi enorme, e também pegou a criançada que é um público incrível, que repete, que não tem freio pelo seu amor pela coisa. É muito incrível mesmo!
A novela antes de completar 12 meses reprisou duas vezes no Vale a Pena Ver de Novo, depois no Viva, virou DVD e foi para o Globoplay.
CE - E como foi fazer a personagem de Tieta jovem?
CO - Foi marcante pra mim, demais! Tieta era um personagem que eu conhecia bem porque eu tinha sido escolhida por uma diretora italiana para fazer Tieta jovem na Itália, e a Tieta velha seria a Sophia Loren.
Eu fui pra lá, e era uma serie de 8 capítulos, então eu estudei muito e o filme não aconteceu.
Então a Tieta era um personagem que estava entalado (risos). Quando o diretor Paulo Ubiratan me chamou para fazer foi incrível.
Ficamos em mangue seco gravando por dias, e eu tenho esse meu lado brejeira então era um personagem que tinha tudo a ver comigo e tem de uma certa maneira até hoje.
Foi um sucesso, eu saia na rua e as pessoas mexiam comigo, me reconheciam...
CE - Só depois de Vamp você passou a gostar de fazer TV?
CO – Sim! É porque novela pra mim era estranho. Eu tinha que decorar tanta cena por dia, e a maneira que novela é feita, é tudo muito rápido e tudo muito imediato, então eu demorei a me habituar.
Mas com Vamp eu consegui me divertir, consegui relaxar porque eram muitas cenas, eu gravava muito, mas era tudo muito legal e a personagem também.
Eu cantava que é a coisa que eu mais amo e eu dançava também.
O personagem era uma pop estar, era tudo muito bom!
CE - E o teatro?
CO - O teatro veio bem depois, veio depois de Vamp. Apesar que quando eu tinha 12 anos tive oportunidades, mas minha mãe não deixou.
Mas a minha atuação mudou completamente com o teatro, eu mudei como pessoa também.
Eu sou muito tímida e o teatro te expõe tanto que não tem como você ficar tímida, o palco é incrível!
E aí eu fiquei muito mais aberta, muito mais solta e muito mais segura. Logo depois eu fiz a novela “A Próxima Vítima”, um trabalho mais maduro e o teatro sempre me ajudou, estava sempre ali.
Mas depois que eu fiz teatro me tornei uma atriz melhor.
CE – E o seu papel de avó?
CO - Tenho dois netos, e uma filha, a Dandara.
Eu sou muito brincalhona com o Arto e o Martim, sou muito criança, gosto de ver filmes, desenhos.
Eu não preciso forçar uma barra para brincar com eles. Eu sou uma avó galera sabe? Eu trato de igual para igual, me divirto. Eu acho que eu sou uma avó super legal (risos).
E eu estou uma super avó, que cozinha quando eles veem pra cá, pergunto o que eles querem, eu mesma faço, tudo com muito carinho.
CE – Você morou um tempo em uma ilha. Como foi?
CO - Fiquei esse ano todo, fiquei bastante tempo até. Acordava cedo, passei a cozinhar melhor e também dava aulas online, que aliás continuo dando.
Eu estava muito trancada em casa e muito apavorada.
Eu levo muito a sério a covid. Fiquei lá e foi maravilhoso...
CE – Está para fazer alguma estreia?
CO - Vou fazer uma peça que estreia no dia 24 de setembro, e se chama “Parabéns Senhor Presidente”.
Fala do dia que tem a festa do presidente Kennedy aonde Callas e a Marling Monroe cantaram e o encontro delas no camarim.
É um musical também e eu faço o papel de Callas, um personagem maravilhoso.
O diálogo delas é incrível, é um discurso de mulher para mulher.
A estreia será online em várias plataformas digitais e depois a gente vai para o teatro, mas somente aos sábados, com todos cuidados necessários e em dezembro teremos uma apresentação em São Paulo.
CE - A Claudia Ohana hoje...
CO - Pergunta difícil... (risos). Eu acho que a gente na essência é a mesma coisa, mas vamos mudando nossos hábitos.
Hoje eu respeito os meus limites, respeitos as minhas vontades e não vontades, e sou uma pessoa aberta e tenho um espirito bem jovem dentro de mim, tenho uma criança e uma velhinha que me habitam dentro de mim.