Após um período impossibilitados de realizar eventos culturais por conta da pandemia do coronavírus, os músicos do Projeto Kzulo colocam em prática uma série de oficinas nos meses de setembro, outubro e novembro, na Aldeia Urbana Marçal de Souza e no Bairro Moreninhas.
“Participamos do edital do Fundo Municipal de Investimento Cultural (FMIC), da Prefeitura de Campo Grande, no ano de 2019, com projeto para ser executado em 2020. A ideia se baseia em duas músicas que nós temos, uma sobre a causa indígena e outra chamada ‘Morena Babilu’, da mulher guerreira de Campo Grande, que trabalha, que estuda. A gente escolheu fazer essas oficinas na Marçal e nas Moreninhas para trabalhar com o pano de fundo de cada música”, afirma o músico Ricardo Silva.
As ações integram o projeto Reconstrução de Memória e Identidade (Remi), idealizado pelos músicos com o propósito de promover um trabalho de ação social participativa com jovens de Campo Grande.
A primeira etapa será realizada nos meses de setembro e de outubro na Aldeia Urbana Marçal de Souza, e nos meses de outubro e de novembro o projeto continua nas Moreninhas.
“Para trabalhar essa questão de memória e de identidade, vamos utilizar as expressões artísticas”, explica um dos idealizadores e produtor do projeto, o arquiteto e artista de multilinguagens Julian Vargas.
Ao todo, serão promovidas sete oficinas, com aulas aos fins de semana, sendo elas: arte urbana, com o professor Victor Macaulin; fotografia, com a fotógrafa Thauanny Maíra; performance e corpo, com a artista Flora Lira; arte terena em dança, trajes e grafismo, com Bianca Francelino e arte terena gráfica em tela de Bryant Soares (indígenas jovens da Marçal de Souza); teatro imaginário e afetivo, com o ator Jefley Maurício; e musicalização pelo ritmo, com o músico Anderson Salgado.
Cada turma será composta de até 10 jovens (por motivos de distanciamento social). Para a primeira turma, a preferência é que morem na região da Aldeia Urbana Marçal de Souza, localizada no Bairro Tiradentes. Haverá uma segunda turma no Bairro Moreninhas.
“Esse projeto era para ter sido executado em 2020, mas veio a pandemia e pegou todo mundo de surpresa. Nós tivemos mais segurança para executá-lo agora, com o avanço da vacinação, e também estamos no prazo final”, frisa Ricardo.
A escolha das oficinas foi primeiro ofertada pelos parceiros do Projeto Kzulo, o qual ele integra, e depois conversada com pessoas próximas à comunidade. “Foi uma construção coletiva, deixamos aberto para eles oferecerem, pensarem nas áreas, tudo foi conversado”, afirma.
“A parte das artes visuais vai contar com questões contemporâneas, como a linguagem fotográfica, arte urbana, grafite, lambe, assim como questões tradicionais, como a arte indígena terena. No teatro há a linguagem da performance, que é algo mais moderno, e também terá uma abordagem mais afetiva na outra oficina, um outro tipo de pesquisa. E ainda será oferecida a musicalização, que aborda o ritmo, entre outras áreas da música”, completa Julian.
Últimas notícias
Projeto
O arquiteto conta que a ideia do projeto surgiu há cerca de dois anos, a partir de um anseio artístico.
“Estávamos pensando em gravar uma música em estúdio e fazer um videoclipe, mas, durante as conversas, decidimos que não queríamos apenas isso. Nós chegamos à conclusão de que deveríamos fazer um projeto que fosse executado junto às comunidades, em bairros de Campo Grande, mas que ainda assim falasse sobre as músicas que estávamos compondo”, comenta.
O músico ressalta a importância das políticas públicas culturais no papel dessa formação de identidade e de memória para os jovens da periferia.
“Campo Grande tem o fundo de investimentos, o Estado também possui um fundo, e esse conjunto de políticas públicas, que ainda pode melhorar bastante, é fundamental para que haja o incentivo cultural, pois aproxima as pessoas da cidade e leva lazer a elas. Essas políticas deveriam ser preceitos de todas as cidades, para o bem-estar de seus moradores”, pontua.
No fim de cada período de oficinas, a produção organizará um evento na comunidade. Dentro do projeto ainda haverá a realização de dois videoclipes do Projeto Kzulo e a gravação de um documentário sobre seu desenvolvimento. Alunos das oficinas participarão de todo esse processo audiovisual.
Ricardo explica que, apesar de as oficinas serem destinadas para integrantes das comunidades, qualquer pessoa pode se inscrever, caso haja vagas disponíveis. “É um lance aberto, não só para a comunidade, mas para outras pessoas. Acredito que será um sucesso”, finaliza.
Serviço – As inscrições para as oficinas podem ser feitas pelo site www.projetoremi.com e presencialmente no Memorial da Cultura Indígena Cacique Enir Terena, localizado na Rua Galdino Pataxó, nº 131, na Aldeia Urbana Marçal de Souza, no Bairro Tiradentes. Mais informações pelo Instagram.