Correio B

CORREIO B+

Emmy 2021: poucas surpresas, nenhuma inclusão

o cenário do Emmy 2021 foi bem diferente dessa vez, mas funcionou

Denis Felipe

Denis Felipe

20/09/2021 - 15h00

Por Ana Claudia Paixão

A volta de um evento onde as estrelas estavam presentes, depois de um ano e meio entrando na casa delas ou nos quartos de hotéis, garantiu um clima feliz e animado. 

Ainda por questões de segurança e distanciamento, o cenário do Emmy 2021 foi bem diferente dessa vez, mas funcionou. 

Trouxe um ar mais intimista à festa e ter Kate Winslet como cenário involuntário não é algo ruim.

O mestre de cerimônias foi Cedric, the Entertainer, que fez um bom trabalho, moderado e sem incômodo para os convidados. Como era de se esperar, Ted Lasso e The Crown foram os grandes vencedores de uma noite com poucas surpresas. 

Tobias Menzies foi uma novidade e um reconhecimento por seu trabalho em outras séries até aqui, como Outlander, Roma e até uma ponta em Game of Thrones. 

Sua visão de príncipe Philip na casa dos 50 anos é bem distinta da que Matt Smith tinha apresentado nas duas primeiras temporadas de The Crown. 

Havia uma expectativa que nessa categoria o ator Michael K. Williams, que faleceu há poucas semanas, fosse o vencedor por Lovecraft Country. 

Eu particularmente gostei mais de Giancarlo Esposito em The Mandalorian. Ambas opções teriam balanceado o que já está sendo chamado de #emmyssowhite e teriam sido mais justificadas. 

Mas, era a noite de The Crown, ninguém tinha dúvida.

A vitória de um emocionado Josh O’Connor foi fofa de testemunhar. Josh tinha um desafio, trazer simpatia e humanidade à uma personalidade impopular como a do príncipe Charles. 

Na terceira temporada da série, absorvendo com perfeição os maneirismos e fala do príncipe, Josh conseguiu fazer com que o público até se emocionasse com Charles, mas era uma armadilha. 

Na 4ª temporada, adotando a narrativa de Diana, em que ele é um homem insensível e inseguro, Josh conseguiu transformá-lo em uma figura mais próxima da que era que conhecíamos e até pior, pois após no solidarizarmos com sua dor, foi mais difícil ver sua evolução. 

Em outras palavras, Josh mereceu o reconhecimento. Por outro lado, havia uma expectativa de que nessa categoria Billy Porter (Pose) ou Jonathan Majors (Lovecraft Country) equilibrassem o #emmysowhite. 

Sterling K. Brown já tinha levado por This is Us, mas também era uma aposta ainda maior que Josh. É assim que a gente, que gosta de prêmios, se frustra quando a festa acaba.

Outra surpresa da noite, que até a própria atriz ficou genuinamente chocada, foi a escolha de Olivia Colman (Rainha Elizabeth II) em vez de Emma Corrin (princesa Diana). 

Olivia é uma atriz espetacular e uma estrela na Inglaterra há décadas, mas desde que o resto do mundo a descobriu por seu Oscar em A Favorita, passou a ser, bem “favorita” em tudo que aparece. 

Emma tinha levado todos os prêmios até aqui, justamente porque raramente estava na mesma categoria que a veterana. Achei injusto pois a atuação de Olivia em The Crown não é unanimidade. 

Ela não consegue errar, mas me pareceu um pouco exagerado premiá-la aqui. Se era para evitar o óbvio, a história poderia ter sido feita com o reconhecimento de MJ Rodriguez, a primeira atriz trans indicada e que merecia o prêmio por sua sensível e emocionante atuação em Pose.

Ewan McGregor ter levado o prêmio por Halston não foi surpresa. 

A categoria tinha forte representantes britânicos, como Hugh Grant por The Undoing e Paul Bettany por WandaVision, mas dois atores concorrendo por Hamilton (Leslie Odom Jr e Lin-Manuel Miranda), o que dificultava a escolha. 

A atuação de Ewan não foi unanimidade de crítica ou amigos do estilista, mas ele captou bem as características de fala e gestuais de Halston, então não foi exatamente uma “zebra”. 

E Gillian Anderson, como Margaret Tatcher em The Crown, era uma vitória anunciada também.

Ted Lasso, por outro lado, não há o que dizer. As vitórias foram merecidas. 

Todas. O desafio agora é sobreviver à febre que colocou a série no patamar de fenômeno porque com a popularidade vem também rejeição. 

Até o momento todo hype está justificado e a série foge do obvio em toda narrativa, mantendo a positividade e um clima alegre, inspirador e emocionante. 

Agora que já falaram da terceira temporada, terá a grande prova.

Nas minisséries, a HBO mantém seu favoritismo sobre Netflix. 

As vitórias de Hacks e Mare of Easttown solidificam a marca da plataforma. Hacks é uma pérola escondida no HBO Max com uma genial Jean Smart em um papel difícil, de uma comediante septagenária tendo que se adaptar aos millenials. 

É sagaz, é inteligente e mereceu os prêmios que levou. 

Mare of Easttown era a grande favorita, mas The Queen’s Gambit deu o cheque-mate na categoria de Melhor Minissérie, para fechar a noite em suspense. 

Embora seja uma grande série, com ótimas atuações e viradas, nenhuma das duas está no patamar de WandaVision, que saiu sem nenhum prêmio quando merecia pelo menos esse. 

Dentro do possível, a premiação foi justa em reconhecer os grandes sucessos de 2020, um ano difícil para todos. 

A discussão da falta de inclusão nos resultados se mantém a cada festa. Insecure, de Issa Rae, por exemplo, passou batido com o atropelo de Ted Lasso. 

Talvez seja indicada em 2022, pela temporada final que está para estrear. Seria lindo ver vencedores de todas as raças e cores, mas o mundo ainda não está lá. 

O que de fato fica claro é que “a invasão britânica” – reforçada com Ted Lasso e The Crown, é uma realidade nas plataformas atualmente. 

Mas não é algo ruim, é que não se consegue premiar a todos.

O Emmy é o último prêmio do ano, meio fora da temporada. A partir de agora, começa a discussão de Oscar, SAG, BAFTA e Golden Globes, entre outros. E isso significa que será sobre 2022. Uau, mais um ano que se encerra!

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

DIÁLOGO

A reeleição de Lula para mais quatro anos de mandato jogou um balde de... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (4)

04/11/2026 00h02

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

8603c51d 751d 4b37 89cb fe2c5ad0fc99 13_2

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).