Há oito anos, o cineclube Transcine – Cinema em Trânsito leva o cinema de forma gratuita para a população de Campo Grande.
No entanto, em 2020, ano em que finalmente haveria financiamento para o projeto, os planos foram adiados em virtude da pandemia do coronavírus.
“Essa edição do Transcine é um projeto do Fundo Municipal de Investimentos Culturais de 2019, porém, quando a pandemia teve início e parou tudo, a gente não conseguiu executar”, conta Mariana Sena, uma das idealizadoras.
Além das dificuldades corriqueiras para retomar a organização de um evento após um longo período sem atividades, as idealizadoras Mariana e Cátia Santos ainda precisaram voltar sem um dos integrantes principais, Givago Oliveira, que partiu, vítima da Covid-19.
“Givago morreu de Covid-19 recentemente e foi um baque. A gente estava na produção, aí veio isso e foi outra coisa que nossa!”, diz Mari. Após uma pausa para respirar, ela confessa.
“A gente é lutador por estar colocando isso em ação. Desde o início era eu, o Givago e a Cátia”, frisa.
Nesta edição, o projeto rodará parques da cidade e exibirá filmes clássicos do cinema, produções do fim do século 19 e início do século 20, como documentários dos irmãos Lumiére; “Viagem à Lua”, de George Méliès.
“O Homem com a Cabeça de Borracha”, de George Méliès; “O Grande Roubo do Trem”, de Edwin Porter; “As Consequências do Feminino”, de Alice Guy; “O Diário de Glumov”, de Sergei Eisenstein; e “Um Cão Andaluz”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí.
“Escolhemos filmes do início da história do cinema para mostrar como eram feitas essas produções; mesmo com as dificuldades e a falta de recursos, era possível fazer".
"E cinema é a arte da visão, esses filmes nos ajudam na percepção do espaço como imagem, dando suporte nas produções artísticas e direcionando sobre a importância do que filmar e por que filmar”, pontua Mariana.
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Segundo a idealizadora, apesar de serem antigos, esses filmes têm relação com o cotidiano dos TikTokers.
“É cinema mudo, mas eu quero ver como as pessoas vão reagir, porque é o início do cinema, apesar de que algumas coisas que o George Méliès faz estão presentes na linguagem do TikTok, como aquelas trocas de roupas, esses truques audiovisuais que tem no TikTok”, ressalta.
Programação
O primeiro espaço público onde ocorrerá a exibição será o Parque Tarsila do Amaral, no Bairro Vida Nova.
Os filmes serão apresentados na sexta-feira (1° de outubro), a partir das 18 horas, e no sábado e domingo (2 e 3 de outubro) haverá uma oficina de linguagem audiovisual, com o arte-educador Gabriel Lima, voltada a jovens que moram na região.
Os interessados podem se inscrever no dia da exibição com a coordenação do evento, de forma gratuita. As vagas são limitadas.
Após o Vida Nova, a praça do José Abrão receberá o cineclube nos dias 15, 16 e 17 de outubro, com exibição de filmes na sexta e oficina no sábado e domingo.
Nos dias 29, 30 e 31 de outubro será a vez de o Memorial da Cultura Indígena Cacique Enir Terena, na Aldeia Urbana Marçal de Souza, situada no Bairro Tiradentes, sediar as atividades.
Em novembro, nos dias 12, 13 e 14, o Parque Ayrton Senna, no Bairro Aero Rancho, receberá o cineclube, e nos dias 26, 27 e 28 a edição Parques de Campo Grande finaliza o circuito no Parque Jacques da Luz, nas Moreninhas.
“O Transcine tem como meta ser um cinema em trânsito, não é levar o público à exibição, e sim levar a exibição ao público, deixando a sala escura do cinema e fazendo uma integração e ressignificação do lugar ocupado”, explica uma das idealizadoras do projeto, Cátia Santos.
“Transcine é uma provocação na exibição”, ao citar uma fala do criador do cineclube, Givago Oliveira.
O cineclube completa 9 anos de existência em novembro e com novos desafios. “Dessa vez, descentralizamos o projeto e escolhemos parques distantes, nos bairros em que a população tem mais dificuldades de acesso ao cinema”, afirma Mariana.
Oficina de linguagem
Em todos os fins de semana do projeto serão realizadas oficinas de linguagem audiovisual, ministradas pelo arte-educador Gabriel Lima, além das cineastas que fazem parte do cineclube.
“A ideia desse projeto é propor experiências com a prática de ver e fazer cinema. Assim, durante os três dias proporcionaremos às pessoas que participarem uma imersão cinematográfica”, esclarece Cátia.
A oficina terá um formato dinâmico e nela será oferecido um guia de linguagem audiovisual aos inscritos.
Durante a parte teórica, será trabalhado conteúdo sobre os diferentes aspectos da linguagem audiovisual, sua história, evolução das narrativas e a tecnologia envolvida nessa experiência.
Ainda será ministrado conteúdo sobre a sensibilização do olhar, detalhando os aspectos importantes da composição fílmica e ao mesmo tempo a relação com o outro, com o espaço e com as diferenças que o compõem.
Na parte prática, o aluno aprofundará esse olhar produzindo curtas-metragens intitulados “Vidículos”, no próprio parque.
As imagens serão captadas por meio dos celulares e/ou câmeras, de acordo com o instrumento que o inscrito tiver em mãos. Esses filmes serão divulgados nas redes sociais do projeto.
“Vamos utilizar a história do cinema para trabalhar temas diversos, com o intuito de envolver os espectadores e suas necessidades de identificação, proporcionando a formação de um novo olhar por meio de trocas de experiências e assim fomentar a diversidade das expressões culturais, os diálogos e a participação social”, finaliza Cátia.
Serviço – Para mais informações, acesse as redes sociais do projeto: Facebook (@transcinecg) e Instagram (@transcinecg), ou pelo WhatsApp (67) 9 8413-3442.
O Parque Tarsila do Amaral, onde haverá a exibição do Transcine no dia 1° de outubro, a partir das 18h, e nos dias 2 e 3 haverá a oficina de linguagem audiovisual, fica na Rua Santo Augusto, S/N, Bairro Vida Nova.