Para quem não podia nem mesmo deitar rápido na cama, João das Graças Neves, 4 anos, agora faz cambalhota e testa o equilíbrio no ombro dos colegas.
Essas estripulias são todas supervisionadas pela professora Nathalia Maluf, durante uma aula de circo no Ateliê Ramona Rodrigues.
A modalidade tem feito sucesso com as crianças na volta às atividades, após um longo período dentro de casa em razão da pandemia do novo coronavírus.
Tudo é acompanhado de perto pela mãe de João, Dayana das Graças, que fica orgulhosa de ver a evolução do filho após o tratamento contra o tumor no cérebro.
“João aos 3 anos descobriu um tumor no cerebelo, em novembro de 2020. No mesmo mês, fez uma cirurgia de hidrocefalia e, em dezembro, retirou o tumor. Em dezembro ainda, começou um tratamento pós-operatório, da cirurgia, e de medicamentos, pelo diagnóstico de neurotuberculose. De janeiro de 2021 até maio, fizemos tratamentos médicos que envolviam imunidade e sociabilidade, indo à escola e a consultas regulares”, relembra.
Em maio, João foi liberado para atividades, e como Dayana é fisioterapeuta, ela buscou atividades que trabalhassem as habilidades físicas e a ludicidade da criança.
“Já conhecia a professora dos palcos, achava ela ótima como artista.
Passei o caso para ela, e ela, além do interesse, sempre me mandou feedback das atividades.
Para ele foi superdiferente, aprender a fazer cambalhota, por exemplo, uma criança que não podia deitar rápido. Ele aceitou todos os estímulos que a professora propôs”, conta a mãe.
Segundo ela, as aulas são completas, com aquecimento, fortalecimento e alongamento. “As aulas são didáticas, têm um cronograma bem montado”, elogia.
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Fortalecimento
De acordo com a professora de circo Nathalia Maluf, a modalidade tem como base a ginástica, mas o desenvolvimento das atividades se aproxima do lúdico.
“O circo ajuda no desenvolvimento das habilidades motoras e cognitivas, mas de uma maneira lúdica. A atividade trabalha a força, a flexibilidade e o equilíbrio da criança, em um tom de brincadeira”, explica.
Segundo Ramona Rodrigues, proprietária do ateliê, a arte trabalha tanto o lado emocional quanto o físico.
“No geral, a arte como um todo desenvolve várias atividades, como corporal e emocional, e as crianças ficam mais autoconfiantes, desenvolvem a autoestima. Várias emoções são vivenciadas dentro da prática, e, conforme elas [crianças] vão fazendo, vão adquirindo confiança", ressalta.
"Correr, pular e subir é com as crianças. Quando você vê, elas perdem o medo rapidamente. As crianças têm muita facilidade de aprendizado, e agora elas estão ainda mais [ávidas], voltaram com a corda toda”, completa.
De acordo com Ramona, as crianças estão sedentas por atividades em grupo.
“Elas estão sedentas por atividades, principalmente as físicas, e as crianças que moram em locais como apartamentos ou sem quintais ainda mais. Elas ficaram literalmente dentro das casas. Além do ateliê, eu dou aula em um colégio e percebo a necessidade de correr, de brincar, de colocar para fora tudo que ficou parado”, frisa.
Para a professora, há muita disponibilidade das crianças para aprender.
“Elas estão carentes da brincadeira, do contato das outras crianças, com coisas fora da casa delas. Foi muito importante para elas voltarem a encontrar com outras crianças. Está sendo muito interessante, elas estão disponíveis para fazer as coisas, elas vivem e curtem intensamente, está sendo muito legal ver esse retorno”, pontua.
Para seguir as medidas de biossegurança, são permitidas apenas sete crianças por turma. “No espaço está tendo a oficina de circo, musicalização, teatro e confecção de brinquedos e a brinquedoteca”, indica.
Outra apaixonada pela prática é a pequena Olívia Pimentel, 6 anos, que está desde a primeira aula experimental de Nathalia.
“O que mais me interessa no circo para a Olívia é essa confiança, eu sinto que ela ganhou muito. A gente já brincava, eu fiz circo quando morei na Paraíba, e até então moramos em área rural. Ela tem muita força nos braços, no abdômen, sempre foi uma macaquinha das árvores”, conta a mãe, Renata Bastos.
Outro ponto importante, segundo ela, é a comunicação e o respeito aos colegas. “Está sendo bacana trabalhar essa escuta com os companheiros, com os amiguinhos, às vezes ela precisa aguardar e ter paciência com os outros e com quem ainda não aprendeu”, diz.
Serviço – as aulas acontecem na segunda e na quarta-feira, às 18h15min, e na quinta-feira, às 18h. O preço para uma vez na semana é de R$ 140, enquanto duas é R$200,00. Informações pelo telefone (67) 99903-3550.