Por Ana Claudia Paixão – Crítica de cinema
No dia 16 de setembro, completaram 44 anos desde a morte do maior soprano da História, Maria Callas.
O nome que ainda é visto como sinônimo de qualidade, personalidade e técnica é conhecido mesmo fora do universo operístico.
Mas, paradoxalmente, apesar de uma história de vida incrível, La Callas, estranhamente segue um mistério para o cinema.
Com uma trajetória marcada pelo sacrifício, brigas, traições e morte, é imperdoável que a lenda não tenha sido retratada em mais de uma biopic.
Marilyn Monroe e Jackie Onassis, cujas vidas interferiram na dela, somam entre si mais de 60 títulos, sejam séries, filmes ou documentários.
Já Maria Callas até tem mais de 20 documentários sobre ela, porém filmes, como principal, apenas um: Callas Forever, de 2002, de Franco Zeffirelli.
Maria Callas, nascida nos Estados Unidos, de pais gregos, reinventou o papel das cantoras de ópera, popularizando a música clássica até hoje.
Ela brigava pela perfeição, sobreviveu à guerra, à fome, à separação dos pais, à uma relação tóxica com sua mãe, à um casamento sem amor, às críticas e à humilhação.
Tinha o entendimento de Maria Callas como marca e personagem e, quando o amor invadiu sua vida através de Aristóteles Onassis, Maria aposentou “La Callas” e deu vez à mulher tímida e carente, que era “Maria”.
Infelizmente, a conta de um outro triângulo amoroso chegaria para ela.
Enquanto Maria e Onassis circulavam pela Europa, nos Estados Unidos, a atriz Marilyn Monroe embarcou em um romance com o presidente americano – e casado – John Kennedy.
Sua esposa, Jackie, foi apresentada à Onassis mais ou menos nesse período. Marilyn morreu em 1962, meses antes de Jack, por overdose de remédios para dormir.
O presidente americano foi assassinado em 1963 e, apenas alguns anos depois, Jackie surpreendeu a todos ao se casar com Onassis.
O mundo de Callas ruiu.
Onassis se arrependeu, mas a reconciliação foi impedida pela morte dele.
Desconsolável, Maria se isolou em seu apartamento em Paris.
Apenas dois anos depois, faleceu sozinha, aos 53 anos, após um infarto. Literalmente, morreu de amor.
O romance de Onassis e Jackie foi retratado várias vezes, com Maria sempre identificada como passional e ciumenta, porém a história “dela” jamais chegou às delas, algo que não compreendo.
Pelo menos o teatro já fez várias peças sobre a lenda da música.
Claudia Ohana e Juliana Knust estão em cartaz, no Rio de Janeiro, com uma peça inspirada em um fato real, a noite em que Maria e Marilyn se conheceram rapidamente, no concerto em homenagem à John Kennedy.
Jackie não estava lá por causa de Marilyn, mas os eventos daquela noite em Nova York teriam consequências para todos os envolvidos, especialmente, Maria.
Conhecer a voz e a trajetória de Maria Callas é essencial para a alma. A tocante história de Callas aguarda ganhar voz, tomara que não demore.