Ela é muito jovem, mas o caminho já é estrelado e cheio de conquistas.
Yndiara Asp é destaque no skate no Brasil e no mundo, e soube que esse seria o seu destino.
“Quando meus sonhos foram se concretizando, percebi que tudo seria possível se eu continuasse me dedicando, me esforçando, acreditando e fazendo por amor”, explica.
Nascida e criada em Florianópolis - SC, Yndiara Asp tem apenas 23 anos de idade, e é hoje um dos principais nomes do skate feminino mundial.
Não por acaso, é também a região de outros grandes talentos do esporte que cresceram rodeados por pistas e todo lifestyle do surf e do skate no bairro Rio Tavares.
Yndi, como é conhecida, foi uma das três skatistas que representaram o Brasil na categoria Park nos Jogos Olímpicos de Tóquio chegando em 8º lugar nas finais.
“Ficar entre as 8 melhores skatistas do mundo em uma final olímpica é com certeza uma das experiências mais indescritíveis da minha vida. Entrar para a história do skate na primeira participação do esporte nos Jogos já valeu por todo o esforço e dedicação que tive para chegar até aqui”, celebra Yndi.
“Mais do que chegar ao pódio, tive a chance de vivenciar um momento único para toda a comunidade do skate e conseguimos mostrar que o skate é mais que um esporte, é nosso estilo de vida que celebra as amizades, cultura, diversão e união”, acrescenta.
Junto a sua paixão, o apoio da sua família e a convivência com seus amigos, que também viraram a sua família do skate.
“Somos uma família, e o que levamos dessa vida são os momentos felizes e especiais que vivemos com nossos amigos. As competições são momentos em que a gente se reúne, evolui nosso nível de skate e se supera, cada um ganhando de si mesmo, e todos saindo realizados”, explica ela.
Tony Hawk, Bob Burnquist, Karen Jonz, Leticis Bufoni e Pedro Barros são suas inspirações.
“Quando eu era pequena (com apenas sete anos de idade), o skate era mais uma brincadeira, eu lembro que minha mãe ficava brava, porque eu chegava em casa machucada, joelho ralado de cair tentando andar e aprender manobras”, lembra Asp. Os anos foram passando, e aos 15, aprendeu a dropar. Esse foi o ponto de partida para as primeiras vitórias em campeonatos locais, porém logo se tornou Campeã Brasileira amadora de Bowl.
Aos 19 anos Yndi participou pela primeira vez do Circuito Mundial (Vans Park Series) como a única representante do país e ficou entre as seis melhores do mundo.
Mas foi em 2018 durante o campeonato Oi Skate Jam, realizado em Itajaí-SC, que a skatista fez história ao protagonizar o título que trouxe à tona as discussões sobre as diferenças de premiações entre as categorias masculino e feminino.
A publicação da foto dos campeões com suas premiações nas redes sociais provocou uma grande movimentação pública, resultando na equiparação dos valores premiados para os homens e para as mulheres nos campeonatos seguintes.
“Essa foi uma grande vitória para o skate feminino e fico muito feliz de ver que conseguimos esse reconhecimento igual ao dos homens. Esse é um dos acontecimentos que estimulam mais mulheres a andarem de skate, treinarem mais e lutarem por seus espaços no esporte”, afirma a primeira skatista mulher profissional a assinar contrato com a Vans Brasil.
Yndi adora gravar e editar vídeos e nas horas vagas, tem muitos projetos para o futuro e um deles é estar nas Olimpíadas de Paris 2024.
Ela conversou com o Correio B+ com exclusividade essa semana e falou sobre a sua trajetória, a paixão pelo skate e também todas as dificuldades que passou para chegar nas Olimpíadas de Tokyo 2020.
CE - Yndi, por que o skate?
YA - Pela liberdade, pela sensação de vitalidade, pela superação e evolução, e pela energia que envolve esse mundo do skate.
CE - Quando você percebeu que o skate seria um caminho profissional na sua vida?
YA - Quando meus sonhos foram se concretizando, percebi que tudo seria possível se eu continuasse me dedicando, me esforçando, acreditando e fazendo por amor.
CE - Como foi todo o processo com a sua família?
YA - Minha família sempre me incentivou a praticar esportes e fazer o que me deixasse feliz.
Nunca imaginaríamos onde o skate me levaria, começou como uma brincadeira que eu voltava toda ralada pra casa, e hoje é minha grande porta de entrada para o mundo.
Através do skate cresci, amadureci, fiz amizades pra vida, encontrei minha profissão e meu propósito. Hoje vivo do skate e consigo ajudar minha família a ter uma vida melhor também.
CE - Como é a sua rotina de treinos?
YA - Meus dias são divididos entre treinos de skate, treinos funcionais, fisioterapia e compromissos com patrocinadores, imprensa, etc…
CE - O skate feminino é algo jovem, como é abrir caminhos e quebrar barreiras?
YA - Estou aqui hoje graças as outras mulheres que vieram antes de mim e abriram caminhos pra eu ter a oportunidade de viver isso hoje, é um processo que está evoluindo de geração para geração, me sinto grata por viver esse momento tão especial para o skate, fazer parte dessa história e abrir mais portas para as próximas gerações.
CE - Ainda sobre o assunto, quais foram e ainda são seus maiores desafios?
YA - Talvez nesse sentido, os maiores desafios eram não me abalar nem me ofender com as diferenças de incentivo, credibilidade entre o masculino e o feminino.
Era sim focar em fazer minha parte, o que tivesse ao meu alcance para que isso melhorasse, e no caso, era dar o meu melhor no que me propusesse a fazer.
CE - Você é jovem já com o caminho estrelado, suas inspirações desde pequena?
YA - Minhas primeiras inspirações no skate foram Tony Hawk, Bob Burnquist, Karen Jonz, Leticis Bufoni e Pedro Barros.
CE - Yndi como foi a sua seleção para ir para as Olimpíadas?
YA - Minha trajetória até as olimpíadas teve altos e baixos, comecei muito bem, e no ano de 2019 fui campeã de eventos mundiais e estava em 6º no ranking mundial, sendo a primeira brasileira na classificação olímpica.
Aí no final desse mesmo ano me lesionei e não pude participar de uma etapa importante, descendo minha posição no ranking para 13º e a 3ª brasileira.
Então veio 2020 e a pandemia, acabei me lesionando mais duas vezes nesse ano, a última vez foi mais séria, precisando fazer cirurgia.
Fiquei 3 meses parada e voltei a andar faltando pouco mais de 6 meses para as olimpíadas.
Tivemos um último campeonato classificatório, nele passei por momentos tensos em que só tinha uma chance para garantir uma boa volta e me classificar.
Deu certo, consegui me classificar junto com minhas duas amigas. Três representantes femininas do Brasil classificadas nas Olimpíadas.
CE - Estar lá e ser uma das melhores do mundo? Conta todo o sentimento...
YA - Acho que desde que conheci no mundo do skate um dos meus grandes sonhos era estar lá no topo entre as melhores skatistas do mundo.
E isso desde 2016 foi se realizando, sempre me mantive entre as 10 do mundo até então.
Aí com a chegada das Olimpíadas, veio mais esse desafio, e ter conseguindo, apesar de todas as dificuldades no caminho, foi uma sensação muito boa, de que tudo valeu a pena e que tinha que acontecer exatamente como foi.
CE - Como foi a sua preparação para estar lá?
YA - Envolveu uma equipe muito especial! Toda a galera que me ajudou na recuperação da cirurgia e toda a equipe multidisciplinar da Seleção Brasileira de Skate, fizemos um trabalho da melhor forma que podíamos para que no dia das olimpíadas eu estivesse no meu melhor desempenho.
Sempre carregando com a gente nossa essência e o que queríamos levar e mostrar para o mundo nesse grande show.
CE - Competir com amigos e inspirações e vice-versa?
YA - Acredito que além de andar de skate ser muito legal e prazeroso, o que mais faz a gente se apaixonar pelo skate são as pessoas e a energia que o envolvem, somos uma família, e o que levamos dessa vida são os momentos felizes e especiais que vivemos com nossos amigos.
As competições são momentos em que a gente se reúne, evolui nosso nível de skate e se supera, cada um ganhando de si mesmo, e todos saindo realizados.
CE - O que significou para o skate as Olimpíadas?
YA - Acho que as Olimpíadas nos permitiu apresentar para o resto do mundo o que o skate significa pra gente, os valores que ele carrega e as lições além da competição.
Falando especialmente em skate feminino, representou uma revolução, acredito que se antes o skate já havia sido considerado coisa de menino, hoje não é mais.
CE - Com os caminhos se abrindo, quais os seus objetivos?
YA - Tem bastante coisa que ainda sonho em explorar e conquistar através do skate, como as LayBacks, por exemplo.
É um projeto desenvolvido por skatistas e que traz benefícios para a comunidade do skate.
Quero me desenvolver ainda mais como empreendedora e poder desenvolver projetos assim, que sempre sejam em prol do skate.
Hoje faço parte desse projeto e espero que possa cada vez mais desenvolver ideias como essas para disseminar a cultura do skate. Os sonhos não param, bora fazer acontecer.
CE - Próximos desafios?
YA - Olimpíadas Paris 2024 e mais projetos que for desenvolver e que surgir no caminho.
CE - Uma frase que te move Yndi?
YA - Trabalhe duro, se divirta e faça história.