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Sabrina Parlatore: "Eu não imaginava ser apresentadora de TV e de repente eu me tornei."

"Não tenha medo, nós temos peito, nós temos coragem, então vamos em frente."

Denis Felipe

Denis Felipe

08/10/2021 - 06h00

Por Flávia Viana

Colaborou: Denise Neves

Ela ficou muito conhecida na década de 90 e até hoje todos a conhecem e lembram de seu trabalho realizado na maior emissora musical do mundo, a MTV.

A ex-modelo e apresentadora Sabrina Parlatore, a “Sabrina da MTV” nos faz lembrar de momentos inesquecíveis.

 

 

“A gente tem muita saudade daquela época. 

É como você falou, a gente entrava na casa das pessoas diariamente, todo mundo ali esperava o Disck MTV às 18h da tarde, me esperavam... Tenho muita saudade, muita saudade. Foi uma época muito feliz e um período que marcou para sempre a minha vida. Tudo o que eu faço hoje ainda reverbera a coisa da MTV”, relembra.

Na minha época eu respirava MTV Brasil, assim como milhares de outras pessoas da minha geração. Os VJs eram nossas referencias, e os programas apresentados por eles só nos faz sentir saudades... 

Além da MTV Brasil, Sabrina passou por outras emissoras como a TV Bandeirantes e a TV Cultura, onde apresentou por seis anos o programa Vitrine ao lado de seu grande amigo Rodrigo Rodrigues que perdeu para o covid-19 esse ano.

Entre seus trabalhos marcantes também estão as apresentações que fazia para o canal fechado TNT. Nele Sabrina falava de cinema e também do badalado red carped. 

Em seu caminho e em sua vida, música, todos os dias...

“Eu amo música, a música faz parte da minha vida e sempre fará. Música para mim é alimento da alma, do espírito, ela realmente muda o nosso mood. Para mim música é indispensável, é essencial, me alimenta diariamente. Eu ouço música direto e adoro. Adoro fazer playlists, acho um barato, hoje a gente tem essa possibilidade com as plataformas digitais, com esse acesso que a gente tem a tanta música pelas plataformas, acho incrível e adoro criar playlist, e vira até um trabalho, né, vira e mexe alguma marca pede para a gente fazer alguma ação criando playlists e eu amo fazer isso”, explica.

 

A apresentadora de 45 anos de idade nasceu em Campinas, interior de São Paulo e

em 2015 passou por um período difícil quando foi diagnostica com um câncer de mama.

“Eu descobri o tumor em 2015. Estava sentada no sofá e de repente eu passei a mão no colo e senti um caroço na parte superior do seio esquerdo. Fui buscar um médico no dia seguinte e fiz todos os exames. Aí foi aquela loucura, fiz biópsia, e foi então diagnosticado um tumor de mama inicial. Todos os anos eu já fazia todos os meus exames de ultrassom e mamografia e em 2014 esse nódulo foi identificado no ultrassom de mama, e o médico ignorou a indicação de biópsia dele pelo laboratório e infelizmente esse nódulo dobrou de tamanho quando eu o senti em 2015. Então, eu gosto sempre de enfatizar essa história de 2014 porque isso é muito comum de acontecer. O médico acaba ignorando aquele nódulo que o laboratório indicou uma biópsia, isso é comum de acontecer, então é sempre bom ouvir uma segunda opinião quando se tem alguma suspeita em algum exame”, alerta.

 

Em um mês tão importante para Sabrina, o Outubro Rosa, ela conversou com exclusividade com o Correio B+ e nos contou sobre os tempos da MTV Brasil, outros projetos, saudades e também sobre o câncer de mama que diagnosticou em 2015.

CE - Você começou sua carreira como modelo, essa experiência te levou para a TV?

SP - Sim. Eu comecei na carreira de modelo aos 16 anos de idade, dos 16 aos 19, 20 mais ou menos. 

Eu fui modelo, fui quatro vezes ao Japão, e aos 20 pintou um teste para a MTV Brasil. 

Ela procurou por agências de modelos para fazer um teste porque havia uma vaga para VJ. 

Então eu fui como quem não quer nada e acabei pegando essa vaga. Apesar de não conhecer muito de música, eu era bem crua, eles gostaram do meu jeito e gostaram justamente dessa “crueza”. 

Eles queriam alguém sem experiência mesmo e que aprendesse junto com a audiência, então, foi muito legal, peguei essa vaga e foi uma revolução na minha vida. Não imaginava ser apresentadora de TV e de repente eu me tornei e fiquei na MTV por cinco anos.”

 

CE - Você ficou conhecida mundialmente pelo seu trabalho na MTV Brasil como é pra você?

SP - Na época, a MTV Brasil, ela era, assim, acho que o único canal voltado para jovem, especializado em público jovem. Então, os VJs eram as figuras com as quais os jovens mais se identificavam, tanto que até hoje muita gente quando me encontra na rua, fala: ‘puxa vida, eu fiz Rádio e TV, ou Comunicação, ou Cinema, ou alguma coisa ligada à música por sua causa’. Então, a gente influenciou toda uma geração de jovens, né? 

Os VJs, eles realmente ditavam moda, comportamento, então, foi muito importante. 

É muito legal saber que a gente influenciou toda uma geração. 

Nós éramos os verdadeiros influencers da época. Os maiores influencers da época para o público jovem. Se fosse hoje, ô meu Deus! Mas naquela época não existia nem celular, nem internet. Faz muito tempo mesmo. 

Estamos falando de 1995, quando eu estreei na MTV. 

Eu estreei em outubro de 95 no programa chamado Non Stop, depois eu fui fazer o Verão da MTV de 95 para 96. E quando eu voltei do verão, eu assumi o Disk MTV no começo de 96, e aí foi um sucesso total, tanto o Verão MTV onde eu fazia o Suor MTV quanto o disk MTV e o Top 20 Brasil. 

Depois veio o Luau MTV a se juntar com o Suor MTV nos verões... Foi realmente um período de muito sucesso, eu fiquei muito conhecida na época, e sou conhecida até hoje como Sabrina da MTV e acho que serei eternamente.

 

CE - Muitos falam, a Sabrina da MTV, tudo bem pra você após tantos trabalhos logo depois?

SP - Eu adoro ser chamada de Sabrina da MTV. Eu acho uma grande honra e fico muito feliz quando isso acontece, porque é o reconhecimento de um trabalho de uma época em que a gente se dedicou tanto à música, ao público, aos jovens... 

Então é muito prazeroso ouvir isso tudo, ver as pessoas terem seguido caminhos profissionais e até pessoais influenciadas pelos VJs da MTV, é uma grande honra.

 

CE - Esse período foi marcante e importante para muitos, vocês entravam na casa de todos os telespectadores diariamente através de uma emissora que respirava música, sente falta Sabrina?

SP - A gente tem muita saudade daquela época. 

É como você falou, a gente entrava na casa das pessoas diariamente, todo mundo ali esperava o Disck MTV às 18h da tarde, me esperavam... 

Tenho muita saudade, muita saudade. Foi uma época muito feliz e um período que marcou para sempre a minha vida. 

Tudo o que eu faço hoje ainda reverbera a coisa da MTV, você veja, eu fiz um trabalho 15 dias atrás para o Hoteis.com em torno da MTV, o assunto foi a MTV, por causa da MTV. 

Até hoje eu faço coisas e sou lembrada por pessoas da música, por causa da época da MTV, e, então assim, eu sou convidada para fazer coisas musicais, participar de programas musicais, e tudo mais, por causa da MTV. É muito bacana. 

Agora mesmo eu estou fazendo uma ação que já vai entrar no ar essa semana do Instituto Avon para o Outubro Rosa com a Nova Brasil FM, por causa da música, então, a música também está conectada, Outubro Rosa junto com a música, então, as pessoas da música se interessam por mim, por criar conteúdo comigo, estou sempre ligada à música.

 

CE - Momentos MTV Brasil que queira dividir com a gente...

SP - Como era bom chegar na MTV todo dia para trabalhar e encontrar aqueles fãs na porta, muitos iam todos os dias lá, tem gente que tem coleção de autógrafo e fotos minhas. Era uma delícia esse reconhecimento, esse carinho de ver essas pessoas lá na porta da MTV, era um momento incrível. 

A amizade das pessoas que trabalhavam lá, não só com os VJs, mas com diretores, produtores que eu encontro até hoje, eventualmente trabalho junto até hoje em algum trabalho, algum evento, alguma produção, acho que eram pessoas ali muito conectadas, com o mesmo propósito, muito parecidas de estilo de vida e tudo mais. 

Ah, a minha entrevista com a Alanis Morissette, de quem eu sou muito fã. 

Entrevistar um ídolo era realmente algo muito impactante para a gente, muito legal, muito feliz. Momentos inesquecíveis como esse em entrevistar a Alanis Morissette, Os Paralamas do Sucesso, Skank, Caetano Veloso... 

Tanta gente da música, era realmente um sonho trabalhar em um lugar com todo esse pessoal da música e toda aquela atmosfera de música, os VMBs eram sempre inesquecíveis, apresentar as premiações era sempre um momento muito esperado do ano e a gente adorava.  

 

CE - É amiga de VJs até hoje?

SP - Eu sou próxima da Cuca Lazzarotto, a gente sempre se fala. Mais recentemente eu conheci uma VJ que não foi da minha época, porque ela foi do primeiro time, mas que nos tornamos agora muito amigas, que é a Daniela Barbieri. Edgar Piccoli, a gente sempre se fala, de vez em quando eu vou ao programa dele na Jovem Pan. 

A Sarah Oliveira também, participo de tudo que ela me convida dos programas dela de rádio lá na Eldorado. Marina Person, como eu falei, eu fiz um trabalho agora com a Marina, com a Penélope e com a MariMoon para o Hoteis.com, a gente se encontrou... 

De vez em quando tem alguns encontros de VJs da MTV, não só de VJs, mas também com o pessoal de produção e direção também, então, assim, o pessoal está sempre muito conectado, a gente tem grupos de WhatsApp é a gente está sempre se comunicando de uma forma ou outra isso é muito bom.

 

CE - A sua relação com a música vai muito além, em 2014 você se lançou como cantora, como foi?

SP - Em 2014 eu fiz o meu primeiro ‘showzinho’. Criei coragem. 

Eu sempre quis, desde nova, cantar, na época da MTV. 

Eu cantava com os amigos em casa, mas muita gente me incentivava a cantar, e aí eu fiz um pouco de aula de música, depois parei, e aí aos quase 40 anos de idade é que eu criei coragem e decidi então fazer um showzinho e cantar por aí. 

E as pessoas gostam, o feedback é sempre muito positivo, muito bom, e eu acho que eu vou trilhar esse caminho da música, de cantar... É difícil, mas eu gosto bastante, paralelamente às minhas atividades como apresentadora, eu quero sim continuar cantando. 

E vamos ver se eu consigo gravar um disco, eu ainda não gravei, tenho algumas músicas que eu lancei nas plataformas, mas como singles. 

Mas eu quero uma hora realmente ter uma identidade, fazer um disco que realmente seja o que eu quero cantar, o que eu quero expor, o que eu quero passar para as pessoas de estilo, de mensagem, de voz...

Acho que hoje eu canto muito melhor do que em 2014 quando eu comecei porque nada como a experiência, né, e realmente eu amo cantar. 

Eu tenho feito muitos trabalhos cantando, nesses eventos que eu apresento, principalmente os do Outubro Rosa, contando a minha história de superação do câncer de mama, eu acabo cantando no final porque a música veio nesse período do câncer. 

O câncer veio em 2015 e eu realmente afirmei essa minha vontade de cantar nesse período do câncer de mama. Porque a gente realmente fica avaliando que caminhos a gente quer tomar para a nossa vida depois que passa por uma experiência tão forte. 

E a música veio com tudo. Eu falei: ‘não, eu preciso cantar de alguma forma’. Então, nos meus eventos, nas minhas apresentações falando sobre o câncer de mama, eu canto no final e é sempre muito emocionante.

 

CE - Como foi esse processo, sua turnê?

SP - Esse primeiro show lá de 2014 se chamava ‘De Gershwin a Tom Jobim’. Eu cantei clássicos do jazz e da bossa nova, basicamente. E fiz alguns shows com esse estilo que eu acho que combina comigo e depois eu acabei incluindo coisas mais pops. Aí tem essas músicas que eu lancei nas plataformas que são inéditas, tem duas que são composição do Simoninha... Se você procurar você vai ver ali que tem uma versão que eu gravei do Paul McCartney que é o ‘My Valentine’ em inglês. Foi a primeira música que eu lancei, que é bem legal e eu adoro cantá-la.”

 

CE - O que tem na sua playlist hoje?

SP - Na minha playlist tem coisas mais novas, tem coisas mais antigas... 

Tem George Benson, Stevie Wonder, Al Green, Marvin Gaye, Billie Holiday como sempre, Nina Simone, Marisa Monte, Marina Lima, John Legend, Alicia Keys, Norah Jones e tantos outros... 

Eu amo música, a música faz parte da minha vida e sempre fará. Música para mim é alimento da alma, do espírito, ela realmente muda o nosso mood. Para mim música é indispensável, é essencial, me alimenta diariamente. 

Eu ouço música direto e adoro. Adoro fazer playlists, acho um barato, hoje a gente tem essa possibilidade com as plataformas digitais, com esse acesso que a gente tem a tanta música pelas plataformas, acho incrível e adoro criar playlist, e vira até um trabalho, né, vira e mexe alguma marca pede para a gente fazer alguma ação criando playlists e eu amo fazer isso.

 

CE - Depois da MTV seus caminhos se firmaram na TV com passagens por outras emissoras e projetos sempre como apresentadora, foi tudo sempre natural ou escolhas?

SP - Depois da MTV eu fui para a Bandeirantes, depois para a TV Cultura e depois para a Turner, onde eu apresentei um programa chamado Update no Canal Glitz. 

A Turner é essa empresa que tinha o Glitz, e mais vários canais como CNN, Cartoon Network, TNT, e na época havia o canal Glitz, que era uma aposta deles, uma espécie de GNT, mas que acabou acabando depois de um tempo, mas eu amava fazer o Update. Eu fiz também os red carpet do Oscar pela TNT durante três anos que também, nossa... 

Como eu amei fazer esse trabalho. Era para falar sobre os indicados, fazer aquele aquecimento para o Oscar que eu fazia sempre acompanhada do Rubens Ewald Filho, do Fred Lessa e também do Cássio Reis. E foi uma experiência muito prazerosa porque eu amo cinema e eu adorei fazer esse trabalho. E na TV algumas coisas aconteceram naturalmente, outras foram escolhas...

Por exemplo, na TV Cultura eu sempre quis trabalhar, e então quando eu soube que estavam com uma vaga para O Vitrine eu procurei e me ofereci de fazer o teste e fui fazer e acabei pegando a vaga. 

Foi muito legal, acabei ficando seis anos lá ao lado do Rodrigo Rodrigues. 

Aí a Turner surgiu em 2011 e eles me convidaram para ir para lá e eu gostei do projeto e fui, a Bandeirantes também me convidou na época que eu estava na MTV e eu achei que seria o momento de mudar e acabei indo para a Band e fiquei quatro anos, fiz muita coisa lá. Enfim, bastante experiência em TV mas desde 2015 eu não faço TV como apresentadora, mas quem sabe um dia. 

Se tiver algum projeto musical, por exemplo, eu acho que eu voltaria, mas para coisas muito específicas... Eu gosto muito desse formato de temporada, então quando as pessoas me perguntam se eu voltaria para a TV, eu voltaria nessas condições.

 

CE - Você ficou anos no Vitrine ao lado do Rodrigo Rodrigues. Se tornaram melhores amigos e cantavam juntos. Com tristeza a covid o levou, como foi e é pra você?

SP - O Rodrigo apresentou o Vitrine por seis anos comigo, e realmente a morte dele foi um impacto muito grande para mim, ele era o meu melhor amigo e a gente se falava direto, éramos muito íntimos e até hoje eu não consigo acreditar que ele se foi. 

É realmente uma perda irreparável, e eu sinto muita, muita falta, dele eu converso muito com ele, eu sempre vejo as nossas fotos, os imãs da geladeira que ele me deu de presente, tantos presentes que ele me deu, camisetas... 

Ele sempre viajava para algum lugar e sempre trazia algum presente, sempre lembrando dos amigos, enfim... 

E antes de acontecer tudo isso a gente tinha gravado uma música à distância porque ele morava no Rio, né, e com a pandemia a gente naquele formato, eu mandei a voz e ele fez o violão e juntou, e a gente tem essa lembrança, foi a última coisa que a gente fez junto. 

Para mim é muito difícil até hoje, é realmente uma perda irreparável, essa doença é seríssima, eu tive, considerado leve, mas eu fiquei com algumas sequelas durante muito tempo que não foram fáceis, fiquei muito cansada, fiquei com um zumbido no ouvido que até hoje não foi embora totalmente, já me acostumei a ele mas ele continua, então, assim, é uma doença terrível e as pessoas têm que dar a devida importância e tomar todos os cuidados mesmo.

 

CE - Entre os seus trabalhos o Oscar pela TNT. Ao vivo, red carpet... Como foi essa experiência? Faria novamente?

SP - Foi uma experiência incrível e é claro que eu faria de novo porque eu amo o cinema, cinema com TV então, é a combinação perfeita. 

Foi um dos trabalhos mais incríveis da minha vida, eu cito entre os principais que eu mais amei, que mais me deu prazer. 

Trabalhar com a equipe norte-americana foi fabuloso, uma experiência fabulosa, porque a gente fazia de lá do estúdio da Turner em Atlanta as transmissões ao vivo do red carpet. Era uma delícia. 

Foi realmente espetacular e adoraria trabalhar falando de cinema novamente, sou uma apaixonada por cinema.

 

CE - Você faz um trabalho de conscientização MUITO importante e compartilha de seus momentos com a doença. Qual a importância de todo esse trabalho?

SP - Então é muito importante a gente compartilhar uma história dessa... Como você estava dizendo, esse trabalho de conscientização é importante porque por mais que haja campanhas de Outubro Rosa, quando tem uma pessoa pública falando e contando a sua experiência e tudo que passou e que superou, e que é possível superar, isso realmente causa uma identificação muito grande com as pessoas. 

Eu recebo muitas mensagens das mulheres que acabaram de ser diagnosticadas e que vão procurar a minha história e acabam tendo força para enfrentar o que vem pela frente, porque eu conto e eu estímulo elas a irem para frente, a ter força, conto todo o meu processo, e elas me vendo bem hoje isso é um exemplo de que elas também vão ficar bem depois que passar por todo o processo. 

Isso dá força e encoraja, então é muito forte realmente, e é muito importante a gente compartilhar a experiência e eu por ser essa voz, por ser essa figura pública, as pessoas prestam atenção elas param para ouvir você falar.

Então, é muito gratificante esse trabalho que a gente faz principalmente em outubro. 

Eu me sinto muito feliz, eu me emociono demais nos eventos que eu participo, é muito legal saber que você ajuda e eu sou ajudada também, pelo carinho das pessoas e por todo esse movimento em torno do tema me ajudam muito também a superar ainda tudo o que passou, todo esse furacão que foi lá em 2015 e 2016. 

E que bom que passou e que bom que a gente pode estar aqui para contar essa história e, com felicidade, transmitindo fé, esperança, força e confiança para as mulheres.

 

SP - Eu descobri o tumor em 2015. Estava sentada no sofá e de repente eu passei a mão no colo e senti um caroço na parte superior do seio esquerdo. Fui buscar um médico no dia seguinte e fiz todos os exames. 

Aí foi aquela loucura, fiz biópsia, e foi então diagnosticado um tumor de mama inicial. 

Todos os anos eu já fazia todos os meus exames de ultrassom e mamografia e em 2014 esse nódulo foi identificado no ultrassom de mama, e o médico ignorou a indicação de biópsia dele pelo laboratório e infelizmente esse nódulo dobrou de tamanho quando eu o senti em 2015. Então, eu gosto sempre de enfatizar essa história de 2014 porque isso é muito comum de acontecer. 

O médico acaba ignorando aquele nódulo que o laboratório indicou uma biópsia, isso é comum de acontecer, então é sempre bom ouvir uma segunda opinião quando se tem alguma suspeita em algum exame.

Mas foi isso, eu passei por cirurgia de quadrantectomia e depois eu passei por 16 sessões de quimioterapia e 33 sessões de radioterapia. 

Foi um período muito difícil porque os efeitos colaterais da quimioterapia são muito intensos e o meu protocolo de tratamento foi intenso, foram 16 sessões, o que é muito. 

Então eu fiquei muito arrasada, no final eu estava realmente sem forças, a gente perde muita energia, é um cansaço brutal, e para se recuperar de uma quimioterapia vai tempo. Eu só me senti normal depois de uns 2 anos depois que acabou o tratamento. 

É uma experiência muito dolorosa, mas que traz também bastante aprendizado, a gente aprende a valorizar o que é importante na vida, a valorizar o presente, a viver mais. 

A valorizar o nosso presente e não só o futuro, e eu acho importante a gente planejar coisas para o futuro, mas é importante viver o presente.

 

CE - Sabrina, seu tratamento não foi exposto por você durante o processo, por quê?

SP - Eu não expus durante o tratamento porque eu achava que era algo muito pessoal e que eu não precisava compartilhar com as pessoas. 

Só que ao longo do meu tratamento eu comecei me corresponder com outras mulheres que estavam passando pelo câncer de mama pelas redes sociais, e vi quão valiosa era essa troca de experiências. 

A partir daí eu resolvi então compartilhar minha história, tornar a minha história pública em 2016 depois que eu terminei o tratamento. 

E a repercussão foi enorme, não imaginava que tanta gente passasse por isso, a procura pela mídia foi imensa e desde 2016 eu me tornei então essa embaixadora da causa do câncer de mama e cada vez mais. 

E é muito gratificante você saber que de fato você ajuda as pessoas compartilhando a tua história de superação.

 

CE - Muita gente te procura para orientação e ajuda? A importância do Outubro Rosa na sua opinião...

SP - Muita gente me procura, diariamente eu recebo mensagens no Instagram, recebo amigas que têm amigas passando por isso e que pedem para eu dar uma força e eu faço questão, com maior prazer, eu converso, mando mensagem ou a gente se telefona... 

É muito gratificante para mim saber que eu posso ajudar de alguma forma, e o Outubro Rosa é essa lindeza de movimento no qual eu me orgulho muito em participar. 

Ele é fundamental para esse alerta porque acho que é o segundo câncer que mais acomete as mulheres no Brasil e no mundo.  

Basta ser mulher e envelhecer para ter câncer de mama, então ele pode acontecer com qualquer mulher. 

Claro que acomete mais às mulheres mais velhas, mas cada vez mais mulheres mais jovens estão sendo diagnosticadas por que estão fazendo mais exames, então, é muito importante o Outubro Rosa estar aí, e cada vez mais empresas se associando a essa ideia, a esse movimento. 

É muito legal, é muito bonito de ver, todo esse símbolo rosa, a cidade toda vestida de rosa, é muito legal, muito bonito, muito importante. 

E que bom eu poder estar aqui, viver isso e poder transmitir toda essa mensagem, importante e bonita. 

E é esse o alerta, que as mulheres fiquem atentas à saúde porque o câncer de mama diagnosticado no início tem mais de 95% de chances de cura. 

Então, a gente precisa pegar esses tumores no início e para isso, é só com os exames preventivos, mamografia ou ultrassom de mama, isso vai depender de cada mulher. 

Por isso, tem que ir ao médico ou ginecologista ou mastologista e pedir a orientação dele para você. 

Cada um é um corpo, é uma história, é uma situação, é um exame que se orienta a se fazer. Atenção à saúde e sempre atenta a época de fazer os seus exames preventivos, é fundamental.

 

CE - Uma mensagem...

SP - A mensagem que eu deixo é: tenha coragem. Vá fazer os seus exames, sem medo, porque é muito melhor pegar um tumor no início e tratá-lo, do que esperar. 

Um tumor mais avançado já fica muito mais complicado, o tratamento é muito mais doloroso... 

Então, é isso. Não tenha medo. Nós temos peito, nós temos coragem, então vamos em frente. 

E tem uma rede de apoio gigantesca para essas mulheres de acolhimento com informação, com respeito, com carinho para todas essas mulheres. 

A gente está aqui para incentivar as mulheres a irem atrás dos seus direitos, direito de fazer os seus exames, direito de serem bem tratadas... 

Tem uma rede de apoio de várias ONGs incríveis que trabalham nessa causa.

 

CE - Novos projetos? Dá pra contar?

SP - Eu tenho um projeto mas eu não posso divulgar ainda, é numa mídia tradicional ele é um projeto musical e é do qual eu me orgulho muito e espero poder compartilhar com todo mundo em breve.

 

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