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Velson D’ Souza: "Interpretar o Silvio Santos é uma responsabilidade imensa, não tenho nem o que dizer porque esse momento é um absurdo para mim."

Em entrevista exclusiva ao Correio B+, o ator fala do desafio de interpretar o maior comunicador da televisão brasileira

Denis Felipe

Denis Felipe

15/10/2021 - 05h00

A troca dos campos pelos palcos veio aos 17 anos, quando o ribeirão-pretano entendeu que as quedas em defesa das redes do Botafogo de Ribeirão Preto não valiam mais a pena. 

Por sorte, Velson descobriu o teatro na mesma época, graças a sua avó, que o levou para assistir ao espetáculo ‘As Viúvas’, do Grupo Tapa, de onde saiu encantado e decidido a trilhar novos caminhos. 

No mesmo dia se informou a respeito de um curso que pudesse lhe instruir na área e acabou sendo ‘amadrinhado’ por Noemi Gerbelli, que lhe deu a oportunidade de iniciar em um processo já em andamento com a Casa da Comédia, liderado por José Renato. 

 

“Eu jogava futebol, era jogador na época e tinha me lesionado bastante nesse mesmo período, e fui buscar uma outra carreira paralela, como a de modelo, e uma amiga me sugeriu também que eu fizesse um curso de interpretação para melhorar minha desenvoltura com as câmeras e conseguir pegar algum comercial. Eu comecei a gostar bastante da área, mas o que foi o divisor de águas para mim, foi realmente ter ido assistir à peça “As Viúvas”, do Grupo Tapa no Teatro Arthur Azevedo com a minha avó, e eu me apaixonei”, relembra.

Velson sempre teve o apoio de sua família, força de vontade e é apaixonado por aquilo que escolheu. 

No teatro as peças são inúmeras, mas em seu currículo milhares de outros trabalhos não só como ator, mas também como locutor, produtor, além de estar sempre se atualizando e estudando.

Os primeiros trabalhos com teatro vieram através da escola de idiomas Cultura Inglesa, onde atuou em dois musicais e em pouco tempo já estava somando funções e produzindo de forma independente os próprios projetos - em que também atuava -, como o italiano ‘Dois Irmãos’ e o inglês ‘O Colecionador’. 

Como ator esteve também em ‘Avoar’ sob a produção de Cintia Abravanel, com quem trabalhou ainda em ‘O Poeta e As Andorinhas’.

Muitos espetáculos foram importantes na carreira de Velson como ‘A Odisseia de Arlequino’, escrita por Marilia Toledo – pelo qual foi indicado ao Prêmio Femsa Coca-Cola como Melhor Ator Coadjuvante, e que, tempos depois, lhe indicou na mesma categoria por seu trabalho em ‘Bate Papo’, da Companhia Arthur-Arnaldo.

Recém-chegado dos EUA, o ator viu lá fora a oportunidade de estudar e conhecer como tudo funciona e ter inúmeras experiências importantes e marcantes para a sua carreira...

“Bom, o que me trouxe de volta depois de 10 anos nos Estados Unidos foi realmente o musical “Silvio Santos Vem Aí”, na verdade foi a oportunidade perfeita para eu voltar e me reconectar com o público brasileiro, podendo fazer um espetáculo em português e no meu país, então não poderia ter deixado passar essa oportunidade de jeito nenhum. Eu vi nela o momento perfeito depois de uma década fora, mas apesar de eu dizer que voltei, ainda mantive minhas portas todas abertas lá, tenho meu agente nos Estados Unidos, e continuo fazendo os testes para séries e filmes lá, porém agora faço daqui mesmo”, explica. 

No exterior contou com o reforço de um Manager e uma Agente para se estabilizar como ator e assinar contratos importantes como sua participação no espetáculo Off-Broadway ‘A Gaivota’, de Tchekhov, dirigido pela premiada diretora da Broadway Elinor Reinfield. 

Na TV aqui no Brasil, Velson passou pelo SBT, emissora que virou sua casa atuando em três novelas: ‘Cristal’ (2006), ‘Revelação’ (2008)  e ‘Vende-se um Véu de Noiva’ (2009). 

Na emissora também integrou o quadro ‘Jogo dos Pontinhos’, do Programa Silvio Santos, como ator convidado, o que lhe permitiu um maior contato com o apresentador que viria a interpretar uma década depois.

“Acho que ele é um ícone porque ele revolucionou a maneira de se fazer televisão, ele é um homem visionário, que olha para você e sabe exatamente o que você pode fazer, sabe o que vai dar certo”, finaliza Velson.

Em entrevista exclusiva ao Correio B+, o ator fala do desafio de interpretar o maior comunicador da televisão brasileira, da sua experiência fora do Brasil, da expectativa de sua estreia em São Paulo como protagonista da peça ”Silvio Santos Vem Aí” e de sua relação com a família Abravanel.

CE - O que te levou para a carreira de ator?

VS - Eu jogava futebol, era jogador na época e tinha me lesionado bastante nesse mesmo período, e fui buscar uma outra carreira paralela, como a de modelo, e uma amiga me sugeriu também que eu fizesse um curso de interpretação para melhorar minha desenvoltura com as câmeras e conseguir pegar algum comercial. 

Eu comecei a gostar bastante da área, mas o que foi o divisor de águas para mim, foi realmente ter ido assistir à peça “As Viúvas”, do Grupo Tapa no Teatro Arthur Azevedo com a minha avó, e eu me apaixonei, simplesmente me apaixonei por aquilo e entendi que queria fazer isso. 

Na época eu desisti da carreira de jogador – e de modelo também - e comecei a estudar, fiz um curso na Casa da Comédia ministrado pelo Zé Renato e a Noemi Gerbelli que foi minha primeira professora.

 

CE - Você pensou em ser um jogador? Por que não?

VS - Pois é, eu na verdade sempre sonhei em ser jogador de futebol, sempre, sempre quis. 

O futebol ainda é muito presente para mim, eu sou são paulino quase que fanático, de assistir aos jogos na TV e ir ao estádio quando é possível. 

Eu ia muito ao Morumbi, nas partidas da Copa Libertadores antes de me mudar para os Estados Unidos, e era um sonho ser atacante, mas acabei, por ironia do destino, parando no gol, fui goleiro, e não deu certo não, digamos assim (risos). 

Eu me machucava muito como goleiro, e enfim, não foi o que eu nasci para fazer, essa que é verdade (risos).

 

 

CE - Você viveu anos nos EUA, o que trouxe você de volta?

VS - Bom, o que me trouxe de volta depois de 10 anos nos Estados Unidos foi realmente o musical “Silvio Santos Vem Aí”, na verdade foi a oportunidade perfeita para eu voltar e me reconectar com o público brasileiro, podendo fazer um espetáculo em português e no meu país, então não poderia ter deixado passar essa oportunidade de jeito nenhum. 

Eu vi nela o momento perfeito depois de uma década fora, mas apesar de eu dizer que voltei, ainda mantive minhas portas todas abertas lá, tenho meu agente nos Estados Unidos, e continuo fazendo os testes para séries e filmes lá, porém agora faço daqui mesmo.

 

CE - Como foi essa transição toda com a sua família?

VS - Minha família sempre me apoiou em tudo o que eu fiz, em relação a parte financeira e ao que eu queria para mim, então sempre tive o respaldo familiar, graças a Deus, porque eu não conseguiria nada do que consegui se não fosse por eles, com certeza. 

Mas uma coisa que é normal, e acho que na vida de muitos atores, é que obviamente meu pai preferia que eu fosse advogado, como ele e meu irmão, uma profissão mais “normal”, digamos assim, tendo também uma mãe que é professora e psicóloga, mas aí o teatro me escolheu e eu escolhi o teatro, então não tinha muito o que fazer, não tinha muito o que o meu pai fazer ali, mas sempre apoiou, ainda que dando aquelas cutucadas aqui, ali, como acho que muitos pais fazem (risos). 

Venho de uma família um pouco mais conservadora e nasci nos anos 80 né, então obviamente teríamos algumas diferenças de opiniões, no caso, sempre tive esse porto seguro da família.

 

CE - Você fez inúmeras peças de teatro... Começou com essa arte?

VS - Já fiz muito teatro mesmo, fiz Shakespeare, Commedia dell’arte, fiz farsa, teatro musical brasileiro, teatro musical original, teatro infantil, teatro épico, fiz um pouco de tudo. 

Depois de ter me apaixonado pelo gênero assistindo “As Viúvas”, do grupo Tapa, o que me fez querer mudar os rumos da minha carreira, eu fiz aulas, cursos, mas eu diria que o teatro aconteceu muito para mim, pelo fato também eu não ter ficado esperando ele acontecer. 

Eu comprei dois textos, um americano, “O Colecionador”, e um italiano, “Dois Irmãos”, e montei eles com dinheiro próprio, pouco dinheiro, tentei patrocínio e apoio, mas foi pouquíssimo dinheiro, e chamei um diretor amigo, conhecido, para montar, e comecei com um trabalho de produtor também, ator-produtor, e fiquei em cartaz no Satyros um tempo, depois no Casarão do Belvedere, e com esses espetáculos as pessoas iam me ver, e foi, aliás, em um desses espetáculos, que a Marilia Toledo me viu atuar e foi ali que começou a criar essa amizade que temos, ela me conheceu, me convidou para fazer uma leitura de um espetáculo, e aí surgiu nossa parceria e trabalho juntos que segue até hoje em “Silvio Santos Vem Aí”. 

Então digo que o teatro aconteceu pra mim pelos cursos que fui fazendo, mas muito também por eu ter colocado a mão na massa como produtor.

 

CE- Algo marcante que aconteceu no teatro...

VS - Acho que não tenho algo assim, marcante que tenha acontecido, mas tenho espetáculos que foram e são muito marcantes, como o “Avoar” do Vladimir Capella, o “Silvio Santos Vem Aí” que é um espetáculo muito marcante para mim, assim como o  “Sessão da Tarde ou Você Não Soube me Amar”, um musical da Cia de Teatro Rock e também a trilogia de clássicos para menores que foram 3 espetáculos que fiz com a produção da Marilia Toledo, com a Cia da Revista na direção do Kleber Montanheiro e que foram espetáculos maravilhosos e me ajudaram muito como ator.

 

CE - Como foi a sua ida para os Estados Unidos e seus trabalhos por lá?

VS - Eu decidi que estava na hora de parar, de pausar minha carreira aqui no Brasil para buscar mais, estudar mais a fundo as técnicas de interpretação, pois sempre tive um fascínio pelos Estados Unidos e pela forma como eles têm os métodos deles de interpretação, então acabei aplicando para algumas universidades, entrei em 4, e escolhi uma delas para fazer mestrado. 

Posso dizer que tive muita sorte de pegar um trabalho grande logo após eu ter me formado, na verdade antes mesmo de me formar, e comecei a trabalhar em filmes, séries, fiz muita locução, muita dublagem, e desenvolvendo meus próprios projetos como o concurso de roteiros que criei e que sou jurado, onde produzimos todo ano o filme do roteiro vencedor.

 

CE - Qual a diferença de atuar lá e no Brasil?

VS - A diferença é gritante! Na verdade, eu digo que você interpretar em inglês é como interpretar duas vezes, então é difícil, porque não é a minha língua materna, é preciso aprender a falar inglês sem sotaque, enfim. 

Toda vez que eu ia fazer algum texto em inglês eu traduzia para o português e estudava em português primeiro para me conectar com o material, com o texto em si e depois colocava ele em inglês, por isso, é como atuar duas vezes realmente. 

Mas também, tem diferenças na forma como tudo é feito lá, tem um Sindicato muito forte que é o Sindicato dos Atores de Televisão e Cinema, que inclusive faço parte, e lá eles têm várias regras, então eles te tratam de uma forma muito diferente do que o ator é tratado no Brasil. Existem várias maneiras de conduzir o trabalho. 

Nos espetáculos maiores aqui, como “Silvio Santos Vem Aí”, por exemplo, ele tem esse respeito e um padrão de musical, mas lá nos Estados Unidos eu fiz 3 off-Broadway que eram de menor porte em relação aos musicais da Broadway, mas que eram super regrados, é uma outra forma de trabalhar, uma outra organização... 

Para se ter uma ideia, para fazer um papel de uma fala, por exemplo, você tem o seu trailer que eles disponibilizam para você, você tem um produtor exclusivo e quando você vai fazer um papel assim no Brasil é diferente, por isso, é fascinante como lá eles dão muito mais valor, dando estrutura e pagando melhor, estão acostumados com isso, pois tem muitos filmes sendo feitos ao mesmo tempo. 

Só no estado de Louisiana, por exemplo, foram feitos mais de 400 filmes no ano, e no Brasil, não se faz isso no país inteiro – claro que eu estou dando números gerais, sem ter um número certo, mas as diferenças são gritantes sim, e não que seja uma coisa melhor do que a outra, é só uma questão da forma como é feita e a regulamentação.

 

CE - Seus trabalhos internacionais...

VS - Fiz muita coisa legal durante os sete anos em que pude trabalhar, porque nos três primeiros só pude estudar, mas fiz 3 espetáculos off-Broadway, sendo um deles “A Gaivota”, de Tchekhov em Nova Iorque, fiz uma peça original, “I Catch You Dreaming”, fiz 6 longas-metragens, filmes americanos como o “Finders Skeepers”, que inclusive está disponível na Amazon, aqui no Brasil, com o nome de “Presos nas Sombras”, um terror psicológico muito legal, onde sou um dos protagonistas. Também participei em episódios de duas séries, “Master of None” do Aziz Ansari na Netflix e fiz 3 episódios de “The World’ Best” ao lado de nomes como James Corden, Drew Barrymore, Faith Hill, RuPaul, mas aí era um era um trabalho um pouco diferente, mais como um apresentador, mas foi um período muito legal e de muito aprendizado nos Estados Unidos.

 

CE - Como surgiu o convite para protagonizar o maior comunicador do país?

VS - O convite para ele aconteceu em 2018 quando a Marília Toledo com quem eu já tinha trabalhado há muitos anos em muitos espetáculos, ela me ligou, eu estava em Los Angeles e ela me disse que tinha a possibilidade de fazer um musical sobre a vida do Silvio Santos e perguntou se eu toparia voltar para fazer, porque ela sabia que eu já imitava o Silvio, que fazia a voz dele e pensei que seria um baita desafio, então topei na hora. 

Um ano depois ela me confirmou que ia acontecer mesmo e que precisava enviar alguns vídeos fazendo o Silvio Santos para mandar para os produtores da Paris Cultural e os patrocinadores, então lá de Los Angeles eu comecei a estudar o Silvio, tentando ao máximo humanizar o personagem e sair do caricato. 

Além de criar esses vídeos, depois de aprovado eu voltei para o Brasil, participei dos Workshops de seleção do elenco e deu tudo certo. 

Depois de já ter feito de tudo um pouco no teatro é muito legal ter essa oportunidade agora de fazer um musical biográfico sobre uma pessoa viva e muito conhecida e querida como o Silvio Santos.

 

CE - Muita responsabilidade?

VS - Sim! Interpretar o Silvio Santos é uma responsabilidade imensa, não tenho nem o que dizer porque esse momento é um absurdo para mim, pela relação que eu tive com ele, a importância que ele tem na minha vida e na minha carreira e pelo que o Silvio é de forma geral, para a televisão brasileira, para milhares pessoas, de artistas, é sem dúvida uma responsabilidade muito grande, mas uma honra também.

 

CE - Como foi essa preparação para a estreia?

VS - A preparação dessa retomada que seria uma segunda estreia, foi muito louca (risos), pois tivemos só 13 dias de ensaio. 

Foi muita correria, porque precisávamos relembrar o espetáculo todo nesse curto período, mas mesmo com algumas mudanças de elenco, de equipe técnica, foi surpreendente, o elenco estudou muito, se dedicou, então a gente chegou fazendo - e fizemos acontecer assim, muito rapidamente. 

A produção também foi muito rápida em tudo, foi um processo impressionante, intenso, de muito trabalho, cansativo, mas muito prazeroso, com certeza.

 

CE - Qual a sua expectativa?

VS - A expectativa no ano passado quando estreamos antes da paralisação da pandemia, foi muito grande, a recepção do público já tinha sido incrível, então acredito que vai ser um espetáculo muito bem aceito pelo público, que as pessoas vão se divertir muito assistindo, que vai ser um sucesso – pelo menos eu espero que seja um sucesso –, que tenha vida longa. 

É um espetáculo beeem Silvio Santos, com alegria, as pessoas vão lá para assistir, se divertir, se emocionar, relembrar momentos, e aprender a história desse homem que é impressionante. Será um misto de emoções.

 

CE - Qual é a sua relação com o Silvio e a sua família?          

VS - Eu sempre fui muito amigo do Tiago Abravanel, fizemos espetáculos juntos desde 2004, como o “Avoar”, “Sessão da Tarde ou Você Não Soube me Amar”, mas a gente começou em um projeto antes de tudo isso, então meio que começou ao mesmo tempo nossas carreiras. 

Eu também sempre fui muito amigo da Cíntia (Abravanel), que é uma das minhas madrinhas, se não A grande madrinha no teatro, e ela me ajudou muito em uma época que eu precisava de conselho em relação a minha carreira, então tenho um carinho muito, muito grande pela família toda, pelo Silvio, pelas outras filhas do Silvio que sempre me acolheram muito bem na minha época de SBT, assim como a Íris (Abravanel), porque eu participei das duas primeiras novelas escritas por ela. 

A minha relação com o Silvio hoje não é existente, não tenho contato com ele, mas trabalhei com ele por um tempo (no Jogo dos Pontinhos) e aprendi muita coisa, foi um período muito incrível. Talvez eles nem saibam muito disso, mas a família toda tem um espaço muito grande no meu coração, eles significam muito para mim.

 

CE - Qual a lição e mensagem desse trabalho pra você?

VS - A lição que acho que todos nós estamos tendo e que vai muito ao encontro do que eu penso do Silvio Santos, desse homem generoso que ajudou tantas pessoas, mas que acima de tudo foi resiliente, não parando por nada, pois nada derrubou esse homem e ele criou um Império, revolucionou a televisão brasileira, revolucionou a maneira como se faz televisão no Brasil, então a gente vê na história do espetáculo que, o tanto de desafios e obstáculos que ele enfrentou, sem desistir, e isso é realmente incrível. 

Então é a lição que tiro, até porque fomos parados pela pandemia, como todos os outros espetáculos, é a importância de ser resiliente. 

Graças à Marília Toledo, a Paris Cultural, a todos os envolvidos que foram resilientes e continuaram lutando, os patrocinadores que embarcaram e seguiram conosco nessa empreitada novamente, graças a eles, a resiliência deles, da nossa produção, nós conseguimos voltar, então acho que de tudo isso, a mensagem se resume na palavra resiliência. 

Só dá certo quem continua tentando, aquele que desiste não alcança. Essa é a grande lição e o caminho que eu penso do Silvio e do que eu vejo sobre onde ele chegou.

 

CE - ...Porque o Silvio é um ícone da televisão brasileira...

VS - Acho que ele é um ícone porque ele revolucionou a maneira de se fazer televisão, ele é um homem visionário, que olha para você e sabe exatamente o que você pode fazer, sabe o que vai dar certo. Um exemplo disso é o “Chaves” que ninguém queria e ele foi lá, bateu o pé e deu no sucesso que deu. 

O Silvio é um homem resiliente e muito generoso, não é à toa que todo mundo que trabalhou ou trabalha no SBT sente que cria uma família lá, como se você estivesse trabalhando em casa mesmo, e isso é muito “Silvio Santos”. 

Eu me lembro que quando fazia o “Jogo dos Pontinhos”, ele vinha no camarim, as vezes antes mesmo de estar arrumado para perguntar como a gente estava, saber de nós... ele é um homem muito curioso também, que gosta de saber da sua história, que tem interesse nas pessoas e isso é maravilhoso porque ele te dá oportunidade de falar e ao mesmo tempo joga com você, tem um jogo no palco, enfim. 

Acho ele muito sábio e o considero um gênio, como empresário e como comunicador, deu tantas oportunidades para tantas pessoas, lançou milhares de artistas, então por tudo isso e muito mais o Silvio Santos um dos grandes, se não o maior, ícone da televisão.

 

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