Psiquiatra e major do Exército, nascido em Belém do Pará, o escritor Marcos Estevão dos Santos Moura não passou incólume pelo período mais trágico da pandemia.
Se vivenciou agruras de familiares, amigos e pacientes, o autor deu vazão às inquietações de um dia a dia mais duro do que o habitual transformando a dor em versos, que agora podem ser conferidos em “Távola de Palavras e Silêncios” (Life Editora, 150 páginas, R$ 40), seu sexto livro, o quarto dedicado à poesia.
O lançamento será hoje, a partir das 18h, na Livraria Lê (Rua Antônio Maria Coelho, 3.862, Santa Fé, telefone: 3327-0004), seguindo os protocolos anti-Covid-19.
Com prefácio do escritor Rubenio Marcelo, que integra a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, o volume traz pouco mais de uma centena de poemas, agrupados em sete seções, que remetem à natureza (“Pantanal”, “As Águas”), ao ócio (“Horas Vagas”), à própria criação literária (“A Poesia”, “Um Pouco de Rima”) ou literalmente à pandemia, que motivou as imagens forjadas pelo texto de Marcos Estevão.
“Digo, no livro, que para escrever poesia basta você estar bem ou estar mal e colocar seu estado de ânimo no papel. Assim o fiz, usei a empatia e meu estado de ânimo ao viver a dor do outro. A arte tem o poder de sobreviver frente as maiores desgraças e fazer delas histórias poéticas, romanescas, pinturas, etc. A arte é imortal, posto que é história”, filosofa o autor, que afirma praticar, no livro, uma escrita de versos mais modernos do que costuma fazer em sua poesia, de métrica livre.
Mas adverte: “Esse livro não retira a essência parnasiana e romântica que convive comigo, apenas acrescenta o toque contemporâneo da arte poética. Penso que as escolas literárias passadas são como a psicanálise, ou seja, as linhas modernas surgem, todavia elas não desaparecem", detalha.
"Destoam da linguagem atual, mas não deixam de pertencer à linguagem. O acervo literário e linguístico faz parte da história de um povo”, completa.
Entre um extremo e outro, Marcos Estevão apresenta uma escrita despojada, que fala da vida doméstica, do cotidiano, das pessoas, das aves e de deuses africanos. No fundo, o autor talvez fale de si mesmo e, assim, exorcize medos e provoque sonhos, quem sabe, também no leitor.
“Távola de Palavras e Silêncios” tem orelha assinada pelo escritor Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira de Letras. (MP)