Em setembro comemorei o anúncio que uma série sobre a vida da comediante Joan Rivers entraria em produção, e que seria estrelada por Kathryn Hahn.
Infelizmente, foi cedo demais.
A produção foi interrompida e muita fofoca dos bastidores veio à tona, incluindo a gafe de anunciar o projeto antes de firmar o contrato pelos direitos.
Quem perde somos nós, que não veremos a trajetória importante de uma comediante controversa e importante no mundo do entretenimento.
A primeira polêmica foi em torno da escolha da atriz, que não se parece fisicamente com Joan e por isso causou estranhamento.
A segunda foi o fato de que escolheram uma atriz não judia para interpretar a comediante.
A reação do público sobre Nicole Kidman interpretando Lucille Ball foi semelhante.
A diferença é que a família de Lucille aprovou e defendeu Nicole, enquanto a herdeira de Joan, sua filha Melissa Rivers, se opôs à produção da série.
Como dependia da liberação, o Showtime teve que cancelar o projeto.
The Comeback Girl ia se passar no final dos anos 1980s, depois que o marido de Joan, Edgar Rosenberg se matou.
Joan tinha 54 anos na época e teve que se reinventar.
De tudo que Joan viveu, escolher “esse” trecho me pareceu delicado, por isso não é de se estranhar que Melissa tenha tido uma voz maior na história.
Sem Joan, nos resta ver duas séries claramente inspiradas em sua trajetória como uma mulher no universo dos stand-ups, dominado por homens.
São elas Hacks, da HBO, e A Maravilhosa Sra. Meisel, da Amazon Prime Video.
A série da Amazon, que está para lançar a terceira temporada em breve, é mais romanceada, pra cima.
Nela, vemos Miriam Maisel conquistando seu lugar no meio do entretenimento, enfrentando todos os problemas e expectativas dos anos 50. É uma delícia.
Já com Hacks é impossível não pensar em Joan Rivers até porque Deborah Vance se parece com ela. Magistralmente interpretada por Jean Smart, que ganhou o Emmy pelo papel, é ácida como Joan Rivers, abusiva, carinhosa, fria, cruel e amorosa em frações de segundos.
Também tem os exageros de Joan, o gosto extravagante e um temperamento explosivo.
Na primeira temporada conhecemos a lenda do stand up americano, residente em Las Vegas mas que, depois de décadas de sucesso, aos 69 anos, precisa se reinventar.
Mas queria ter visto a história de Joan. Fico na torcida de que Melissa esteja planejando homenagear sua mãe em algum momento.
As famílias, em geral, ficam insatisfeitas com biopics ou séries. Liza Minelli e os irmãos rejeitaram Judy, antes e depois do Oscar, jamais falando com Renée Zellwegger por não gostarem de ver uma exploração comercial do final da vida de Judy Garland.
Ao mesmo tempo, Liza aprovou Halston, série sobre seu melhor amigo.
Em Hollywood nada é muito lógico.
Em 2022, Nicole Kidman certamente vem com tudo para mais um Emmy como Lucille Ball, e, pelas fotos que vazaram na internet, ficou igual à atriz.
Os filhos de Lucille são raridade em falar bem das escolhas do elenco.
Segundo eles, como é sobre a vida da atriz e não a série cômica I Love Lucy, a escolha de Nicole foi acertada.
Ainda mais porque reza a lenda de que Lucille, na vida fora das câmeras, era o oposto de sua personagem. Precisa de uma atriz de calibre para mostrar a dualidade.
Assim como Joan Rivers. Eu sinto falta de sua presença nos tapetes vermelhos, julgando as escolhas das estrelas no famoso Fashion Police, que inventou.
Kathryn Hahn teria feito um bom trabalho, mas, até que saia do papel, minha sugestão é conferir as substitutas. Não vão decepcionar.