Por Ana Claudia Paixão – Crítica de Cinema
A essa altura nem conseguiria disfarçar a minha paixão por Sex and The City, série e filmes, assim como a ansiedade pela continuação como And Just Like That.
Acho que fiquei mais preocupada ao ver que ainda estavam gravando até a metade de novembro e o lançamento tenha sido agora no início de dezembro, mas já em acalmei vendo os dois primeiros episódios, disponíveis no HBO Max.
Antes de mais nada, sim, vou falar de spoilers, mas vou tentar guardar o maior deles para que tenham a mesma emoção que tive.
A série entra rasgando em todas as perguntas dos fãs: de Samantha Jones aos cabelos brancos de Miranda Hobbes, como estão Charlotte Goldenblatt com as filhas e marido, como Carrie e Big estão na vida de casados. Não levamos nem 5 minutos para saber de tudo.
O drama sobre a ausência de Samantha é o grande foco do primeiro episódio, com todo cuidado de manter a porta aberta para a volta de Kim Cattrall.
Pessoalmente, pelo que vi considero que acabaram por fechar e trancar a porta. Isso porque usaram o assunto “dinheiro” como o gatilho para o afastamento da personagem e, sabendo das brigas de bastidores, me pareceu minimamente sensível colocarem o tema na história.
No final das contas, Samantha faz falta sim e é no segundo episódio que fica ainda mais aparente.
Dito isso, não é que a narrativa não tenha drama ou novos personagens para agitarem as amigas. And Just Like That é uma série para fãs inveterados, daqueles que lembram de personagens que vimos em poucos episódios e há muito tempo.
Nesse aspecto, é uma delícia porque traz o conforto do pertencimento desse universo, uma cumplicidade com quem acompanha Carrie Bradshaw por tantas décadas.
Sex and The City foi moderna em seu tempo, And Just Like That é tradicional de certa forma.
As personagens têm que se adaptar à cultura atual onde Carrie, uma colunista de sexo, é exposta como uma mulher reprimida que não gosta de falar nada pessoal sobre o ato, apenas o comportamento.
Uma desconstrução leve, mas importante daqueles que já a criticavam pela hipocrisia.
Miranda passa por um processo semelhante, onde suas indignações hoje a colocam como uma pessoa que ainda tem muito o que aprender com o preconceito estrutural, porque por mais que tente, Miranda parece velha, racista, sexista e repressora.
Sim, quase todas as polêmicas foram parar no seu colo. Se acharam que revelei muito, pode deixar que a grande virada não entrou nessas linhas, mas eu garanto que vão precisar de um lenço por perto. E um cosmopolitan.
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