Dica da Semana: “Marighella”
Wagner Moura faz sua estreia como diretor em filme sobre guerrilheiro marxista
Em 2019, Wagner Moura apresentou ao público internacional seu primeiro trabalho de direção com o longa “Mariguella”, figura central nos movimentos de guerrilha brasileira contra os regimes ditatoriais. Apesar dos prêmios, que não vieram sem críticas à representação que alguns consideraram estereotipada desse personagem histórico que divide opiniões, o filme demorou mais de dois anos para estrear no Brasil, em decorrência das dificuldades burocráticas impostas pela Ancine e da pandemia de Covid-19. Agora, em dezembro de 2021, ele está disponível exclusivamente no Globoplay.
Ao longo de duas horas e meia, o filme conta os últimos anos de vida do ativista democrático de esquerda Carlos Marighella (Seu Jorge), que ficou conhecido por seus embates contra os regimes ditatoriais de Getúlio Vargas na década de 30, e das forças armadas em 1964 até 1969, quando foi morto a tiros em uma emboscada. Escritor e marxista, o baiano Marighella ingressou no ativismo político em 1930 pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), foi preso duas vezes durante o Estado Novo e chegou a ser eleito como deputado federal da Bahia pelo PCB – mas nunca assumiu, pois seu partido foi colocado na ilegalidade pelo governo.
Porém, a história de Marighella se desvincula ao PCB após o golpe de 64, pois o baiano não concordava com a ação mais apaziguante da maioria dos grupos de esquerda e defendia a luta armada contra o regime. Assim, em 1968, funda a Ação Libertadora Nacional (ANL), um grupo que utilizava práticas de guerrilha urbana, como assaltos, sequestros e ações terroristas. Após o assalto ao trem pagador da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em que foram roubados NCR$ 110 mil (o equivalente a R$ 900 mil), Marighella se tornou o inimigo número 1 do regime militar. E é essa figura complexa que “Mariguella” busca retratar.
Link para o trailer de “Marighella”.
De volta às raízes
Aposta italiana para o Oscar chega em dezembro na Netflix
Paolo Sorrentino é um diretor italiano que venceu o Oscar em 2014 com o filme “A Grande Beleza”, sobre um romancista no ostracismo que, após sua festa de 65 anos, decide abandonar as festas e voltar a escrever. Agora, ele retorna dia 15 de dezembro na Netflix com o filme “A Mão de Deus”, seu trabalho mais pessoal até o momento, que venceu o prêmio do Grande Júri do Festival de Veneza e se tornou a aposta italiana para o Oscar em 2022. O objetivo é garantir uma das 15 vagas reservadas às produções estrangeiras na premiação hollywoodiana.
O filme se passa em 1980 na cidade de Nápoles, quando a rotina de seus habitantes foi tomada pela expectativa de Maradona se juntar ao time local, o Napoli, ao invés de outros clubes com maior prestígio no futebol italiano. E não podia ser diferente para o jovem de 17 anos, Fabietto Schisa (Filippo Scotti) – uma espécie de releitura do próprio Paolo quando adolescente. Com poucos amigos, mas uma grande família, Fabietto vive confortavelmente com os pais (Toni Servillo e Teresa Saponangelo) e o irmão Marchino (Marlon Joubert), cujo sonho é se tornar ator.
Apesar da aura de felicidade com a qual o filme se inicia, à medida que Fabietto cresce, segredos são revelados e ele passa a enxergar não só o mundo como também sua família de maneira diferente. Porém, a verdadeira virada de chave em sua vida ocorreu após a perda de ambos os pais em um acidente, enquanto ele e o irmão assistiam uma partida de Maradona. A partir daí, Fabietto começa a trilhar o caminho do cinema e encontra em Antonio Capuano (Ciro Carpano) um grande, e por vezes rude, mentor. E este coincide com sua chegada a vida adulta, de modo que seu principal objetivo torna-se encontrar seu propósito e lugar no mundo.
Link para o trailer de “A Mão de Deus”.
Encontros e despedidas
Filmado em um único plano sequência, “Causalidad” é um filme de suspense que aborda a corrupção no sistema de saúde
Uma espécie de “filme experiência”, a nova produção original da Amazon Prime Video “Causalidad” é um thriller que envolve temas como vingança, dinheiro e corrupção. É justamente a importância do tempo na construção de uma atmosfera de suspense que levou o diretor – que se autodenomina como WHO – a optar por gravar todo o filme em um único plano sequência, o que significa que as cenas apresentadas não sofreram nenhum tipo de corte. Tal recurso, além de diferenciar o longa das demais produções do mesmo gênero, contribui na hora de contar a história, criando uma maior imersão do espectador em todas as incertezas e dramas da narrativa.
A história começa com Claudia (Juana Viale), uma jovem atraente, indo se encontrar pela primeira vez com Luis, um homem que conheceu no aplicativo de relacionamentos Tinder. Porém, o encontro não passava de uma armadilha para sequestrar a jovem, que se vê arrastada para o mundo do tráfico de órgãos e mulheres que acontece em um hospital da região. Presa, Cláudia terá que contar com a sorte e a desconfiança de outros funcionários do hospital – que vem percebendo coisas estranhas acontecendo com os pacientes de Luis – para escapar com vida.
A forma como as câmeras são posicionadas nas cenas as tornam quase que cúmplices do espectador. Sempre à espreita, capturam as atitudes criminosas e desonestas dos médicos e servidores de saúde, além de suas conversas mais obscuras. Todas essas peculiaridades tornam “Causalidad” um filme que, no mínimo, desperta a curiosidade. É importante ressaltar que, mesmo com as gravações interrompidas por conta da pandemia de coronavírus, o filme se manteve fiel a sua proposta de ser gravado sem cortes e, portanto, quando ele chegar à Amazon Prime Video – o que irá acontecer no dia 17 de dezembro –, certamente será uma escolha interessante para aqueles que são fãs do gênero thriller.
Link para o trailer de “Causalidad”.