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Fim de semana tem novos livros, teatro e a volta do Homem-Aranha

Espetáculo audiovisual "Circa" propõe reflexão sobre a condição das mulheres a partir das artistas do picadeiro, em fim de semana marcado ainda por eventos

Nélida Navarro

17/12/2021 - 10h30

No longa-metragem “Fakir” (2019), a cineasta Helena Ignez apresenta uma pesquisa de fôlego sobre essa figura singular dos espetáculos circenses, bastante popular no passado, que mobilizava as plateias pela capacidade de controle extremo das funções do corpo – respiração, batimentos cardíacos, jejuns prolongados e a clássica cena de repousar em uma cama de pregos. 

Helena põe em cena faquires mulheres e, a partir delas, tematiza a condição do corpo feminino ante os embates advindos da cultura machista que ainda predomina nos discursos oficiais.

Mobilizados pelo mesmo interesse na presença da mulher no circo, o encenador Breno Moroni e a atriz Aline Calixto despertaram para o assunto a partir da trajetória de uma artista que tem o nome bem parecido com o da diretora de “Fakir”. 

Ela se chama Helenita Perez e, até cortar a palma da mão acidentalmente após um de seus números no picadeiro, era um dos destaques do Circo Perez, em Campo Grande, especialmente por suas acrobacias aéreas.

Depois disso, Helenita precisou se reinventar, passou a vender batata frita e acabou se tornando a fonte de um intenso laboratório de pesquisa para o espetáculo “Circa”, com estreia neste sábado, às 19h, no Circo do Mato (Rua Tonico de Carvalho, nº 263, Amambaí) e com transmissão on-line pelas redes sociais. 

O acesso, tanto presencial quanto remoto, é gratuito.

Trata-se de uma montagem teatral, protagonizada por Aline sob a direção de Moroni, que foi contemplada com recursos do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (Fmic) e, por causa da pandemia, virou uma criação audiovisual. 

Ou seja, quem for ao Circo do Mato verá uma projeção do mesmo conteúdo audiovisual a ser transmitido via internet.  

As imagens foram captadas e editadas por Erick Hirata, que também ficou responsável pela produção do videoespetáculo. 

Após a exibição, haverá um debate com os realizadores de “Circa”. Apenas 35 lugares presenciais estarão disponíveis, com acesso e permanência controlada mediante uso de máscara e comprovante de vacinação.

Aline Calixto acredita que, além das memórias afetivas relacionadas ao circo, a montagem levanta muitas questões sobre a mulher artista. 

“Sobre quem é essa mulher, como ela vive, de que maneira usa sua voz, das violências que ela sofre." 

"Que o circo, subscrito no feminino e transgredindo a gramática em ‘Circa’, seja a grande metáfora da condição feminina dentro e fora dos palcos”, reflete a atriz, que deseja retomar o espetáculo na versão tradicional palco-e-plateia.

“Achei ótimo, meu conhecimento de teatro e de cinema se equivalem, então para mim o prazer é igual em ambas as artes." 

"E, no vídeo, conseguimos fazer com que a obra fique imortalizada, diferente do teatro, pois, quando termina o espetáculo ou a temporada, acaba a peça”, pondera Moroni, que, na frente das câmeras, ficou famoso nos anos 1990 ao encarnar o Mascarado da telenovela “A Viagem” (1994).

A personagem “mulher-artista”, interpretada por Aline, é o fio condutor de toda a narrativa. 

Entre o picadeiro e o camarim, ela divaga, desabafa, reclama e reivindica em torno da condição da mulher no universo artístico. 

“Nesse ponto se iniciou o trabalho de pesquisa, de entendimento, para buscar quem são essas mulheres, até mesmo na história do circo, que geralmente eram nomeadas como monga, a mulher macaco, a mulher do atirador de facas, gorda, anã."

"Entrevistei figuras do Circo Perez e ficaram claros traços e histórias demarcadas pela marginalização da mulher, sempre como figura coadjuvante e nunca como central no circo”, conta Aline.

LIVROS

Dois eventos literários também movimentam o fim de semana em Campo Grande. Hoje, das 16h às 21h, a culinarista Sonia Caldart autografa a sua estreia em livro, “Cozinhando com Sonia Caldart” (Life Editora), no Clube Gourmet Camicado (Shopping Campo Grande, Av. Afonso Pena, nº 4.909). 

Escrita em parceria com José Freire Jr., a publicação reúne mais de 100 receitas desenvolvidas durante mais de duas décadas de experiência, não somente à frente do fogão, mas também da sala de aula e das câmeras.

Por 14 anos, Sonia comandou a escola de culinária Forno, Freezer & Cia. 

Com suas receitas e dicas do bom cozinhar, teve programas em emissoras de tevê e assinou colunas em jornais impressos. 

"O livro é um modo de retribuir tanto carinho que recebo até hoje. Escrevo e explico como eu aprendi, do zero, o que é importante para quem não sabe cozinhar”, resume Sonia.

COLETIVO

No domingo, o agito literário ocorre na Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim (Rua Fernando Corrêa da Costa, nº 559). 

É lá que está programado, a partir das 9h, o Lançamento Coletivo de Livros Publicados no Período da Pandemia. 

Durante o evento, organizado pelo Coletivo Tarja Preta, haverá, além da venda de livros e da sessão de autógrafos, um sarau com leitura de poemas.

Os títulos estarão disponíveis pelo valor simbólico de R$ 10. O dinheiro arrecadado será doado na forma de cestas básicas para a Casa Satine, que presta assistência à população LGBTQIA+ em estado de vulnerabilidade social.  

“Será um evento beneficente e que alavanca a poesia do Estado, que tanto destaque teve durante o período da pandemia”, explica Fábio Gondim, um dos organizadores do evento. 

Segundo o poeta, o projeto-piloto pretende tornar-se uma tradição anual, sempre com caráter beneficente.

“Também há a intenção de transformar esse lançamento coletivo em um evento anual, sempre no último domingo que antecede o Natal, fortalecendo o livro como um ótimo presente."

"Outra intenção é ajudar entidades de apoio assistencial, já que os autores presentes no lançamento doaram seus livros. Além disso, tornar o livro mais acessível financeiramente, afinal custam em média R$ 40 nas livrarias”, completa Gondim.

HOMEM-ARANHA

Nas salas de cinema dos shoppings da Capital, o grande destaque é a estreia de “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”, em versões dubladas, legendadas e em 3D. Na nova aventura, o herói fotógrafo criado pela Tia May, com Tom Holland no papel principal, tem a sua identidade revelada.  

A solução é pedir ajuda ao Doutor Estranho para fazer com que todos esqueçam sua real identidade. Porém, o feitiço faz com que vilões do multiverso apareçam em Nova Iorque, e Peter Parker precisa então descobrir o que realmente significa ser o Homem-Aranha.

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