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"Foi graças ao Emmy e ao nosso público que veio "As Fives"

Daphne Bozaski, a Dolores de "Nos Tempos do Imperador", conta a sua história com a arte de encenar que começa nos palcos e que passa pelas novelas

Nélida Navarro

24/12/2021 - 06h00

Por Denise Neves - Colaboradora do B+

Edição Flávia Viana

A corajosa e destemida Dolores de “Nos Tempos do Imperador”, como o público conhece, é vivida pela talentosíssima Daphne Bozaski. 

Curitibana moradora de São Paulo (SP), de 29 anos, ela tem dado o seu nome em papéis importantes que tem caído nas graças dos telespectadores das novelas da TV Globo, como a Dolores, e a Benê, de “Malhação: Viva A Diferença”.

Além de incorporar papéis marcantes na teledramaturgia, Bozaski possui forte relação com a arte através da dança. 

A atriz também é bailarina formada, o que talvez explique um pouco dessa sua facilidade em interpretar personagens fortes de forma leve, sempre trazendo ao público mensagens importantes sem perder o dinamismo do entretenimento da televisão.

Foi assim com a Benê, personagem autista interpretada por Daphne em “Malhação: Viva A Diferença”, vencedora do Emmy Internacional Kids como Melhor Série em 2018. 

O sucesso da novela rendeu em um spin-off no Globoplay intitulado “As Five”, que conta a história de Benê e suas outras quatro amigas, Tina, Lica, Keyla e Ellen, que se reencontram já adultas seis anos depois de uma adolescência repleta de histórias exibidas originalmente na Malhação.

A série “As Five” é dirigida por Cao Hamburguer, e já foi renovada para mais duas temporadas, com a 2ª prevista já para o próximo ano. 

Essa é a segunda vez que a atriz trabalha com o diretor, também autor de obras como Castelo Rá-Tim-Bum e o filme “Um Menino Muito Maluquinho”. 

A primeira experiência da atriz com Cao Hamburguer foi na série infantil “Que Monstro Te Mordeu?”, no papel de Lali Monstra.

“O que eu acho incrível no Cao é que ele te passa uma confiança de que vai ficar bom. Ele se dedica muito, tem uma equipe ótima, trabalha com roteiristas incríveis... Ele consegue dialogar muito com os jovens de hoje em dia, passando um entretenimento que também contém informação. Isso é muito legal”, conta.

Além da plataforma de streaming, também podemos assistir Bozaski na TV de segunda à sábado em “Nos Tempos do Imperador”, onde a artista interpreta a personagem Dolores. 

A moça passa maus bocados nas mãos de Tonico (Alexandre Nero) em busca da liberdade para viver um romance com o seu amado Nélio (João Pedro Zappa).

Atriz, bailarina, mãe do Caetano, esposa do Gustavo e filha da Ivete, Daphne Bozaski contou com exclusividade para o Correio B+ dessa semana, como se divide entre trabalho e família, fala sobre a sua carreira, vida pessoal e os seus próximos projetos profissionais.

Confira a entrevista completa:

CE: A dança te levou para o teatro?

DB: “Sim. A minha mãe é atriz, e eu sempre quis ser bailarina. Comecei a acompanhar ela nas oficinas e depois ela me levou para fazer testes." 

"Eu fui fazendo sem muita pretensão e quando eu vi já não dava mais para conciliar entre o ballet e o teatro, e eu escolhi o teatro. Porque é uma arte que eu posso dançar, cantar, fazer tudo.”

 

CE: O seu primeiro projeto audiovisual foi em “Que Monstro Te Mordeu?”. Conta para a gente como foi essa sua primeira experiência de frente para as câmeras.

DB: “Em 2013, eu fui chamada por uma agência de publicidade para fazer um teste de improvisação, muito parecido com o que eu já fazia no teatro. 

Então, foi muito divertido, ter que imaginar situações e ir improvisando. Eu fiz vários testes, e, no dia seguinte do meu aniversário, me ligaram dizendo que eu tinha passado. Foi o melhor presente.”

CE: Quando você conseguiu o papel da Benê, em “Malhação: Viva A Diferença”, como foi o preparatório para viver uma personagem autista?

DB: “Primeiramente, é uma grande responsabilidade social. Eu pensava: ‘Como é que eu vou representar pessoas do espectro autista, no qual eu não faço parte e ao mesmo tempo respeitar elas para não ser um desserviço?’" 

"Até porque, o autismo não é uma característica só, ele pode ter vários níveis e a Globo, por ser TV aberta, ajuda no alcance da informação para se ter esse entendimento." 

"Os autistas são pessoas muito inteligentes, eu sempre falo que a Benê é muito evoluída. Ela é muito sincera e correta com as coisas que acredita." 

"Então, eu fui seguindo muito a linha de pensar como que eu seria se eu fosse a Benê, como seria para mim ser autista etc, como se eu pudesse criar uma espécie de lupa: se eu sou sincera, a Benê poderia ser ainda mais sincera, aumentar trejeitos e características aos poucos.”

CE: E o que a Daphne gosta mais na Benê?

DB: “Da sinceridade.”

CE: A primeira vez que você trabalhou com o Cao Hamburguer foi em “Que Monstro Te Mordeu?” e depois em “Malhação: Viva A Diferença”. Como foi trabalhar com ele?

DB: “O que eu acho incrível no Cao é que ele te passa uma confiança de que vai ficar bom. Ele se dedica muito, tem uma equipe ótima, trabalha com roteiristas incríveis..." 

"Ele consegue dialogar muito com os jovens de hoje em dia, passando um entretenimento que também contém informação. Isso é muito legal." 

"Trabalhar com ele é ter a certeza de que sempre vai vir algo de qualidade, vai ser um trabalho interessante, vai ter uma coisa nova, ele é uma mente que não para, que sempre faz algo além, o que faz a gente aprender muito.” 

CE: “As Five” é uma série originada da “Malhação: Viva A Diferença”, correto? Como está sendo para você interpretar a Benê após essa fase de transição da adolescência para a vida adulta?

DB: “É desafiador. Na Malhação, a gente teve muito tempo para tratar da Benê, sobre a vida dela, as descobertas dela etc, já em ‘As Five’, ela cresceu e eu precisava saber como é que seria agora depois desse tempo em que eu ‘fiquei longe’ dela." 

"Agora ela está em uma outra fase, já não tem mais a mesma ingenuidade da época da Malhação, mas ela ainda é a Benê. Apesar de ser a mesma personagem, é uma nova fase, e isso acaba sendo muito mais difícil." 

"É mais fácil começar uma personagem do zero, sem muita expectativa. Mas nesse caso já tinha uma história passada, as pessoas já tinham uma referência e gostariam de saber como estão essas cinco meninas que se conheceram na escola estão nessa nova fase, o que acaba sendo mais difícil.”

CE: A “Malhação: Viva A Diferença” venceu o Emmy de Melhor Série no ano de 2018. Qual o seu sentimento de ter feito parte de um projeto tão importante como esse?

DB: “A Malhação foi um projeto de cerca de um ano feito por uma equipe que sempre se dedicou muito. Era sempre tudo muito divertido porque a gente se dava muito bem e era tudo feito com muita responsabilidade." 

"Então, quando fomos indicados, nós todos tínhamos uma grande esperança, mas ganhar mesmo de fato foi uma surpresa, tendo em vista que é uma premiação que envolve o mundo todo." 

"Foi um trabalho que fizemos com muito carinho e ter vindo esse reconhecimento foi legal demais. E foi graças a esse prêmio e ao barulho do nosso público nas redes que veio ‘As Five’.”

CE: E sobre a Dolores, como está sendo para você interpretá-la? Ela que não tem nada a ver com a Benê, sendo uma personagem completamente diferente? 

DB: “Ela é uma personagem que também me trouxe um grande desafio porque ela podia ser a ‘coitadinha’, e a novela vem apresentando uma curva de trazer ela para um lugar de valorização da mulher, que é uma coisa que a gente fala muito hoje em dia." 

"E poder, através da Dolores, mostrar o quanto nós já avançamos nos nossos diálogos sobre feminismo e ao mesmo tempo perceber que muitas vezes ainda nos vemos no lugar dela, também é um desafio." 

"Era engraçado porque eu passava o dia na gravação engolindo muita coisa como mulher pela personagem e eu chegava em casa e não queria engolir mais nada, queria falar tudo o que eu não podia dizer durante as cenas interpretando ela. (risos)”

CE: Como você concilia a vida profissional com a sua família?

DB: “Eu me pergunto muito isso (risos). Cada projeto, é um movimento. Se o meu filho não estiver comigo, ele está com o meu marido." 

"Nós prezamos muito por estarmos presentes, independentemente do que esteja acontecendo. O meu marido, por ser dono de um restaurante, ele tem mais disponibilidade de tempo. E, assim, nós buscamos nos revezar entre Rio e São Paulo.”

CE: Além da nova temporada de “As Five”, tem algum outro projeto previsto para 2022 que você possa adiantar para a gente?

DB: “Ainda não. Estamos vendo ainda as possibilidades, mas eu estou bem focada em ‘As Five’, é um projeto que requer muita dedicação, e acaba sendo difícil de conciliar com outros projetos.”

CE: Qual é o seu maior sonho profissional e pessoal?

DB: “Na vida profissional, eu gostaria muito de fazer uma peça de teatro por algum festival no exterior." 

"Já na pessoal, é até um sonho parecido, que é o de poder viajar mostrando outras culturas ao meu filho, Caetano." 

"Quando a gente viaja, a gente abre muito a nossa cabeça para outras coisas, para outras maneiras de viver que às vezes na nossa rotina a gente não consegue enxergar.”

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