Por Ana Claudia Paixão – Crítica de cinema
Ano começa e com ele, a temporada de premiações. Com tanta mudança e tanto conteúdo, você já sabe quais são os favoritos? Vou palpitar um pouco hoje.
Antes de entrar nos nomes, vamos contextualizar o cenário. A pandemia acelerou um processo que já era conflituoso na Indústria, que é o de disponibilizar conteúdos via streaming e, ainda assim, considera-los na categoria de “cinema”.
As regras foram “temporariamente” ajustadas para que o reconhecimento não fosse interrompido, afinal, os cinemas fecharam por causa da COVID-19, não pela tecnologia.
Agora argumentamos e discutimos vários elementos, como por exemplo o que é “filme de cinema”, se haverá volta às janelas anteriores que seguravam os lançamentos 1º no cinema e apenas entre 4 a 6 meses depois nos canais pagos. Indo direto para a TV (ou computador), em outros tempos, sinalizava uma produção menor e hoje o conceito não pode mais ser aplicado.
E isso tudo interfere na escolha dos favoritos.
E pior, uma parte divertida das premiações - e a mais fútil - mas era sim a do tapete vermelho, o desfile anual de moda e de gafes das celebridades.
Sem ele, entramos nas casas das estrelas e conseguimos conferir a decoração, a família ou até a conexão dos artistas. Em 2021 já ensaiaram a volta “ao normal”, mas as restrições ainda interferiram na entrega desses eventos.
O Oscar, por exemplo, foi ao vivo em um teatro sem plateia, uma opção que não achei à altura.
Chegamos em 2022 com o Golden Globes ainda enfrentando as consequências dos problemas do ano passado, falta de inclusão e outras acusações, perdendo seu canal de transmissão e acontecendo quase escondido nesse fim de semana.
Os indicados ao Oscar só serão conhecidos no dia 8 de fevereiro, mas não se engane, os favoritos já estão aí.
As categorias de Direção, Ator, Atriz e Coadjuvantes têm apenas 5 selecionados, e eles serão basicamente os mesmos em todas as premiações.
Se um deles começar a ganhar um atrás do outro, teremos aí o provável escolhido do ano.
Para Melhor Ator, Benedict Cumberbatch está liderando as apostas com “The Power of the Dog” (Netflix), mas Denzel Washington, que já tem dois Oscars em casa, será seguramente indicado por “The Tragedy of MacBeth” (Apple TV), assim como Bradley Cooper por “Nightmare Alley” (Disney Plus), e Will Smith, por “King Richard” (HBO Max).
Houve um momento em que Andrew Garfield estava na onda por “Tick Tick Boom” (Netflix), mas a vaga final – com chance de fazer história – deve ficar com Mahershala Ali por “Swan Song” (Apple TV).
Entre as mulheres, parece ser “o ano de Kirsten Stewart”, que está muito bem como a Princesa Diana em “Spencer”.
Penélope Cruz, que venceu em Veneza, está muito forte em “Parallel Mothers”, mas ambos títulos independentes estão ainda sem uma plataforma divulgada, mas certamente estarão disponíveis a tempo.
A terceira vaga é a da minha favorita pelo Oscar, Olivia Colman por “A Filha Perdida” (Netflix).
É uma atuação arrebatadora, complexa e sutil. As duas outras vagas estão ainda em aberto, mas possivelmente irão para Lady Gaga em “House of Gucci” (ainda sem plataforma anunciada) e Tessa Thompson pode entrar por “Passing” (Netflix), mas ainda não é unânime.
Entre os coadjuvantes, o elenco do filme biográfico de Kenneth Branagh, “Belfast”, vai estar em peso nessa categoria, incluindo Jaime Dornan e Caitriona Balfe, mas entre as mulheres há chance de Rita Moreno fazer história com uma segunda indicação (e vitória?) pela refilmagem de “Amor Sublime Amor” (HBO Max).
Eu queria e muito ver Maggie Gylenhaal indicada e vencendo na categoria de Melhor Direção por sua estréia em “The Lost Daughter” (Netflix), mas é improvável.
Falou-se de finalmente reconhecer o talento de Jane Campion por “The Power of the Dog” (Netflix), mas ambos os filmes são independentes, a ver como se decide.
Steve Spielberg, Paul Thomas Anderson, Guillerme Del Toro e Kenneth Branagh devem estar nessa lista e está difícil escolher, mas não sou suspeita ao afirmar que as melhores do ano são as mulheres.
Com essa longa lista, abro o ano aqui no Correio B+ e voltarei a falar desses e de outros filmes e séries.
Mas, para a temporada de premiações, começando e boa parte deles entre os indicados, sugiro ficar ligada nessas produções.
E, falando em Golden Globes, que também incluem TV/Streaming, e separa comédia de drama, aqui vão meus palpites.
Vai ser a batalha entre “Squid Game” (Netflix) e “Succession” (HBO Max) entre as séries dramáticas, e eu aposto na distópica “Squid Game” saindo na frente.
Na categoria de comédia/musical, terei dor no coração porque adoro todas as indicadas, mas “Ted Lasso” vai repetir a onda de vitórias. “Mare of Easttown” (HBO Max) deve levar de minissérie, mas eu torceria por “The White Lotus” (HBO Max).
Entre atores e atrizes, Michaela Jaé Rodriguez tem cara de fazer história como a primeira atriz trans por “Pose” e Jeremy Strong vai continuar colecionando prêmios por “Succession”.
Na comédia, Jean Smart deve liderar por “Hacks” e Jason Sudeikis repetir 2021 e 2020 por “Ted Lasso”.
Kate Winslet é a favorita por “Mare of Easttown”, mas Margaret Qualley pode ser a zebra por “Maid” (Netflix), enquanto Ewan McGregor é quase certo como “Halston” (Netflix) .
Na categoria de coadjuvantes, Jennifer Coolidge tem chance por “The White Lotus”, mas a popular Hannah Waddingham é a favorita por “Ted Lasso”.
Enquanto Melhor Atriz Filme em Drama é certo ir para Kristen Stewart (sigo torcendo por Olivia Colman), em Comédia pode sair para a novata Rachel Zegler de “Amor Sublime Amor”.
Acho que Caitriona Balfe, tão popular por “Outlander”, vai levar o prêmio de coadjuvante por “Belfast” e Ciaran Hinds deve fechar a categoria masculina pelo mesmo filme.
Entre atores, é a mesma briga do Oscar, com a dúvida entre Mahershala Ali e Benedict Cumberbatch na parte do drama, com Andrew Garfield ou Peter Dinklage na categoria de musical/comédia. Torço por Andrew.
Melhor direção vai para Jane Campion, mas, melhor filme tem toda cara de “Don’t Look Up”, o filme atual, incômodo e que vem dividindo opiniões.
Palpitar sobre prêmios pode ser um vício! Vamos acompanhar as campanhas até final de fevereiro. E, antes de encerrar, meus desejos para um ano cheio de BOM conteúdo, saúde e felicidade para todos!