Em mais um fim de semana que requer cuidados e aponta o isolamento doméstico como a grande aposta para escapar do quadro crescente de contaminações, as plataformas de filmes permanecem entre as opções mais baratas e confortáveis aos interessados em atravessar o período de pandemias com um mínimo de segurança.
Templos religiosos, bares, restaurantes e casas noturnas já retomam protocolos mais rígidos – com ou sem novos decretos municipais de restrição – e até estão revendo ou cancelando suas programações.
Apesar da aguardada estreia de “Eduardo e Mônica” nos cinemas dos shopping centers, dá para viajar bastante nas telas de casa.
Na Netflix, por exemplo, destacam-se três novidades para todo tipo de público – “A Filha Perdida” (2021), de Maggie Gyllenhaal; “Yesterday” (2019), de Danny Boyle; e “Sangue Azul” (2015), de Lírio Ferreira.
Baseado no romance de mesmo nome da italiana Elena Ferrante, antes de a escritora, que esconde seu verdadeiro nome, consagrar-se com a sua tetralogia napolitana, “A Filha Perdida”, com direção da atriz nova-iorquina Maggie Gyllenhaal, pode ser tomado como um filme de mulheres para mulheres, o que não reduz seu poder de envolvimento para todas as plateias.
Afinal, o que está em jogo no enredo são valores e sentimentos bem universais, como o livre-arbítrio, a culpa, a autoaceitação, carências afetivas e o ressentimento que costuma vir no rastro desse turbilhão.
No filme, a atriz britânica Olivia Colman está no papel de Lena, uma especialista em literatura que, durante as férias no litoral italiano, embarca em um espelhamento vertiginoso com uma bela jovem, vivida por Dakota Johnson.
Ao acompanhar as derrapadas de Nina (Johnson) como mãe e cônjuge, Lena assume um comportamento regressivo, mas talvez necessário para a redenção que poderá vir no desfecho da história, após a literata passar por um acerto de contas pessoal daqueles.
SANGUE AZUL
A maternidade e suas culpas, assim como o ambiente praieiro, também comparecem em “Sangue Azul”, do diretor pernambucano Lírio Ferreira, o mesmo de “Baile Perfumado”, “Árido Movie”, “Cartola” e do recente “Acqua Movie” (2021).
Mas quem ocupa a centralidade da trama é Daniel Oliveira, que interpreta o filho pródigo da vez. Oliveira, na tela, é Zolah, que retorna à sua ilha de origem, Fernando de Noronha, como o homem-bala de um circo cujos artistas acabam remexendo com a vida de toda a comunidade local, dentro e fora do picadeiro.
Premiada como Melhor Atriz em Cannes em 2009, por sua atuação em “Linha de Passe”, Sandra Corveloni vive a mãe do rapaz. Já Caroline Abras faz a mergulhadora Raquel, a irmã de Zolah, com quem o saltimbanco tem uma relação regada a mistério e desejo.
A atmosfera sensual é uma das tônicas em “Sangue Azul”, que busca, antes de tudo, ser “um filme de cinema”, com os sonhos, aberrações e barbáries, como diz um dos personagens, que marcam a sétima arte desde o início.
Aliás, um dos pioneiros do cinema, Georges Méliès (1861-1938), chega a ser nominalmente citado. E a atmosfera onírica do fundo do mar, com sua antigravidade, borbulhas e seres marinhos, de algum modo, não deixa de evocar os ambientes criados pelo afamado ilusionista francês.
As participações especiais do diretor Ruy Guerra, como pescador veterano, da cirandeira Lia de Itamaracá e, mais ainda, do ator Paulo César Pereio,
como o líder da caravana circense, estão entre os bônus que valorizam ainda mais a trama. Uma trilha sonora classuda e diversificada preenche o longa, com charme e desenvoltura de ponta a ponta.
De Fernando Mendes ao sambista Batatinha (1924-1997), de Jacques Brel (1929-1978), lembrado na performance em cena aberta de Matheus Nachtergaele, aos sempre novidadeiros Ortinho e Junio Barreto.
BEATLES
Mais frontalmente voltado para o universo da canção popular, “Yesterday” é um prato cheio para os fãs dos Beatles. Durante um apagão planetário de alguns segundos, todos os terráqueos esquecem que o quarteto mais famoso de Liverpool existiu.
O lapso envolve todas as canções dos Beatles, e mesmo a existência de derivados de décadas depois, como o grupo de indie rock Oasis, com divertidas averiguações tira-teima via Google.
Somente o músico em início de carreira Jack Malik, vivido com graça pelo inglês de origem indo-africana Himesh Patel, que, aliás, está no elenco do hit instantâneo “Não Olhe Para Cima”, lembra-se do quarteto e de suas composições. Está feito o novelo que o diretor Danny Boyle vai desembolando em quase duas horas de idas e vindas.
Se passa longe dos grandes momentos de Boyle, como “Trainspotting” (1996), um clássico dos anos noventa, que, entre os méritos, apresenta uma elogiada e eficiente trilha musical, “Yesterday” serve para lembrar que sempre é tempo de se divertir com nostalgias eternas, a exemplo do legado dos Beatles. Lilly James brilha no papel da produtora Ellie, e o astro pop Ed Sheeran faz ponta de luxo.
CINEMA NEGRO
Para um programa de filmes mais engajados, a pedida da semana é o cardápio remoto da mostra “Oju – Roda Sesc de Cinemas Negros”, com nove títulos disponíveis de realizadores brasileiros afrodescendentes na plataforma do Sesc, gratuitamente, até o dia 9 de fevereiro.
Serão exibidos os documentários “A Negação do Brasil” (2000, longa), “Vista Minha Pele” (2005, curta), e “Cinderelas, Lobos e Um Príncipe Encantado” (2008, longa), de Joel Zito Araújo, “Família Alcântara” (2006, 56 min) e “Eu Tenho a Palavra” (2011, 26 min), de Lilian Solá Santiago, “Balé Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista” (2006, 52 min), de Santiago e Marianna Monteiro, e “Zumbi Somos Nós – O Documentário” (2007, 52 min), com direção coletiva da Frente 3 de Fevereiro; e as ficções “Narciso Rap” (2003, curta) e “Bróder” (2011, longa), de Jeferson De.
LEGIÃO URBANA
Nas salas de cinema dos shoppings de Campo Grande, o destaque entre as estreias é o longa-metragem “Eduardo e Mônica”, versão da canção de mesmo nome escrita por Renato Russo (1960-1996) e gravada pelo roqueiro e seus parceiros do Legião Urbana para o segundo álbum da banda, “Dois” (1986).
Alice Braga e Gabriel Leone vivem na tela a história retratada pelo grande sucesso do Legião, cuja letra, por sua vez, teria sido inspirada no romance de Leonice de Araújo Coimbra, amiga de Renato, com Fernando Coimbra, futuro marido da musa do roqueiro. O filme é dirigido por René Sampaio, o mesmo de “Faroeste Caboclo” (2013).
ELVIS
Outro mito do rock, Elvis Presley (1935-1977), dá as caras “em pessoa” no Teatro Dom Bosco, neste domingo, a partir das 19h, com ingressos de R$ 40 a R$ 120. Entre aspas porque se trata, na verdade, de um tributo de primeira linha comandado pelo paranaense Edson Galhardi.
“Can’t Help Falling in Love”, “Love Me Tender”, “It’s Now or Never”, “Kiss Me Quick”, “Suspicious Mind”, “Blue Suede Shoes” e muitas outras integram o repertório.
Há mais de três décadas, Galhardi encarna o roqueiro que também foi astro de cinema. Ele não somente canta buscando emular o tom e os trejeitos vocais do ídolo, mas também se veste e dança de modo idêntico, com direito à distribuição de echarpes no fim do espetáculo, além de alguns acessórios assinados pela mesma equipe que cuidava do look do soberano Elvis.
Os ingressos podem ser adquiridos pelo site www.pedrosilvapromocoes.com.br ou no Comper Jardim dos Estados. Mais informações pelo WhatsApp (67) 99296-6565. Assinantes do Correio do Estado têm direito a 50% de desconto.