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CODA- No Ritmo do Coração: um filme sobre surdez com canções maravilhosas

Pois é na trilha sonora inspirada que estão o coração e ritmo de CODA

Denis Felipe

Denis Felipe

18/03/2022 - 06h00

Por Ana Cláudia Paixão

Todo ano o Oscar tem um filme independente emocionante que faz o público torcer e chorar ao mesmo tempo. 

Em 2022, esse filme é CODA- No Ritmo do Coração, que está disponível na Apple TV Plus. Uma refilmagem de uma produção francesa de 2014, A Família Bélier, CODA vai render – sem a menor dúvida – o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para o ator surdo, Troy Kotsur, e é um filme a ser conferido.  

A história é clichê de ponta a ponta: uma adolescente deslocada, sofrendo bullying, querendo se encontrar, descobrindo o amor e tendo que decidir seu destino só fica mais complicado porque ela é a única de uma família de surdos que tem audição e mais, que canta como ninguém mais. 

Ruby, interpretada pela inglesa Emilia Jones, leva o mundo em seus ombros, apesar de ter apenas 17 anos. 

A maturidade com que Emilia encara o papel compensa toda fórmula batida porque nos emociona como se jamais desconfiássemos qual seria a conclusão.

A versão francesa, embora elogiada, sofreu críticas por não ter usado no elenco artistas com a deficiência abordada no roteiro, algo que a versão americana conseguiu corrigir com o sempre carismático Troy Kotsur e também com a vencedora do Oscar em 1986, Marlee Matlin, que fez história ao estrelar Filhos do Silêncio ao lado do recém falecido William Hurt. 

Os dois atores, alternando humor e drama, conseguem traduzir o exagero, o volume (sim, o volume) e a enorme emoção que a jovem Ruby sente ao lidar com as diferenças, preconceitos e responsabilidade de ser a intérprete e ligação de sua família com o mundo externo. 

E quem imaginaria que em uma história de surdos a música teria um papel tão importante?

Pois é na trilha sonora inspirada que estão o coração e ritmo de CODA. Com canções clássicas dos anos 1960s, há duas em especial que merecem mencionar curiosidades, afinal, estão sempre nas minhas playlists.  

A canção Both Sides Now, de Joni Mitchell, é um hino sobre amadurecimento e claro, é a cena marcante do longa. 

Para os cinéfilos ela estará para sempre marcada com Love, Actually e Emma Thompson, mais recentemente Ricky Gervais a usou em Afterlife, mas, aqui, é o momento que a letra de fato reflete o que Joni queria cantar. 

É lindo e Emilia Jones tem uma das vozes mais bonitas do cinema. Mas é o dueto que ela canta com o meu eterno Rei Alfred de Vikings, o cantor e ator Ferdia Walsh-Peelo, seu interesse romântico em CODA. Eles são obrigados a cantar You’re All I Need To Get By, clássico da Motown eternizado nas vozes de Marvin Gaye e Tammi Ferrell. 

A letra – que fala de amor, destino e sacrifício – é a que vai render à Troy o seu merecido Oscar, pelo momento de extrema sensibilidade e emoção. 

Faltando uma semana para a cerimônia, vale conferir o filme e buscar a trilha sonora. Uma ótima dica para 2022.

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