Os amigos e admiradores de Diego Aydos costumam dizer que ele é uma graça de pessoa, o que no seu caso tem duplo sentido.
Diego impressiona tanto pela vocação em fazer o bem, com seus projetos sociais, quanto pela capacidade como ator cômico, daqueles que arrancam o riso da nossa cara em segundos, sem a gente perceber.
De formação e atuação bem diversificada, o teólogo, também formado em Direito e pós-graduado em Psicanálise e Psicopatologia, ocupa uma boa parte de sua rotina, inclusive nos fins de semana, exercendo as suas duas graças ao mesmo tempo.
É que a dádiva de doar-se aos outros, muitas vezes, aparece materializada nas palhaçadas que faz interpretando o Sr. Karentóviski, o clown que o ativista social criou, há 10 anos, para espantar a tristeza e ensejar dias melhores para quem vive ou passa um tempo em hospitais e asilos de Campo Grande.
Mas Karentóviski pode surgir também, do nada, em outros ambientes, a exemplo do que ocorreu em novembro passado, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, durante uma oficina sob a condução da atriz Patrícia Saravy, quando o palhaço fez toda a turma de artistas do palco que ali estavam caírem na risada ao acionar suas gags e seus trejeitos cômicos durante os exercícios de improvisação.
PROJETOS E AQUÁRIO
Até dezembro, Diego Aydos tem muita palhaçada – e trabalho – pela frente.
Ele pretende formar novas turmas de clowns para o Doutores do Reino, nome do projeto criado em 2012 para atuação solidária nas instituições; está à frente da montagem de três peças de teatro – “Te Vejo”, “Pra Sempre” e “Temores Tremores”; e arrematando os detalhes de um novo projeto social de atendimento psicológico, além de manter os atendimentos no consultório de psicanálise e a atividade como professor no Seminário Batista.
“Pretendo viajar bastante também e cuidar do meu aquário”, conta o diretor teatral, deixando escapar um riso ao lembrar que até junho estará também concluindo mais uma formação, a graduação em Psicologia.
O repórter fica constrangido ao notar que o seu próprio fôlego para acumular e executar tarefas passa longe da longa lista do criador de Karentóviski. “Como o clown chegou em tua vida, Diego?”, prossegue.
VOLTA POR CIMA
“Eu tinha um grupo de teatro e fizemos uma oficina de palhaçaria. Alguns integrantes conversaram comigo para começarmos a ir aos hospitais como palhaços e, desde que perdi meu primeiro filho, ocasião em que tive de morar seis meses em um hospital de Campinas (SP), eu tinha o desejo de fazer algo para amenizar a dor de quem está nessa situação”, resume o palhaço teólogo, ou vice-versa.
“Na mesma semana em que esses integrantes falaram comigo, o capelão da Santa Casa me procurou perguntando se eu não tinha um trabalho para as crianças do sexto andar. Entendi como uma resposta de Deus, e então nascia o Doutores do Reino”, conta Diego, revelando a crença religiosa.
PALHAÇO DE FÉ
“A fé é essa ressignificação da nossa existência aqui. É ter uma esperança que não se limita ao tempo presente. Isso me dá força e perseverança. A fé é algo de que eu não consigo me apartar, posso ir cambaleando, com meus erros e imperfeições, mas é como se não pudesse me desprender dela", prega o artista de 42 anos.
"Gosto de uma ilustração que diz que a ressurreição é como um presente que recebemos, como o quadro mais lindo do mundo, mas que não combina com a casa. Aí você derruba a casa e constrói uma casa em torno daquele quadro”, complementou.
“A teologia foi um marco para mim, ressignificou a minha existência. Eu acredito que a crença em Deus tem um papel que nenhuma das outras áreas em que eu atuo pode cobrir”, avalia Diego, que nasceu em Porto Alegre, mas vive na Capital Morena desde o tempo em que ainda usava fraldas. O ator conta que a filantropia é o principal estímulo para investir em uma formação acadêmica e profissional tão diversificada.
FAÇA PARTE
“Essa formação múltipla tem sempre o foco no ser humano, em ajudar, resolver os problemas. Eu acho que sempre quis fazer algo pelo outro. Procurei esse caminho na Arte, no Direito, na Psicanálise e na Teologia”, comenta Diego, emendando a prosa com uma convocação para você, leitor.
“Se alguém se interessar em fazer parte, seja do teatro, do Doutores ou de alguma outra coisa, pode entrar em contato comigo”, anuncia o clown. O número é: (67) 99202-6737. Ah, Diego também ataca de pizzaiolo quando sobra um tempinho. E sim, toda a renda com as pizzas tem destino certo nos projetos sociais.