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Um Oscar para História, pelas razões erradas

Por tradição, para trazer uma certa leveza para a noite, o Oscar tradicionalmente convida comediantes para apresentação

Denis Felipe

Denis Felipe

29/03/2022 - 10h57

Por Ana Claudia Paixão

Ficamos quase dois anos sem a festa “tradicional” da entrega do Oscar, justamente por conta da pandemia. 

Edições reduzidas, sem glamour e de baixa audiência em 2020 e 2021 só aumentaram a expectativa para 2022, mesmo sendo uma noite que ainda não estivesse perfeitamente inclusiva, trazia alguns representantes LGBTQ+, deficientes auditivos, latinos e negros, além de ter pela primeira vez apenas três mulheres conduzindo a noite. 

Mas a tensão de tempos de medo de cancelamento era palpável em meio ao quase tédio da previsibilidade.

Por tradição, para trazer uma certa leveza para a noite, o Oscar tradicionalmente convida comediantes para apresentação, mas os desafios de fazer rir em tempos atuais estão cada vez maiores. 

Com isso, vimos Amy Schumer, Wanda Sykes e Regina Hall relativamente castas, com alguma tirada mais ousada aqui e ali. 

Estava tudo sendo desenhado para mais uma premiação previsível: Duna levando todos os prêmios técnicos. 

Kenneth Branagh levando o prêmio de Roteiro Original por Belfast. 

CODA – No Ritmo do Coração, que veio ganhando favoritismo ao longo dos meses, abocanhando Melhor Roteiro Adaptado, Filme e Ator Coadjuvante. 

Amor, Sublime Amor dando à Ariane DeBose o Oscar que cantamos desde 2021 como sendo dela, o mesmo papel que há 60 anos rendeu à Rita Moreno o primeiro Oscar de Atriz Coadjuvante a uma atriz latina. 

Encanto confirmando seu sucesso e Jessica Chastain, que já tinha levado o SAG, sendo reconhecida pela Academia em detrimento à Kristen Stewart. 

E Will Smith, há duas décadas perseguindo sua estatueta, praticamente deitado na primeira fila esperando ser chamado ao palco. 

Seria sua noite, mas o ator resolveu mudar a História e deixar uma marca questionável, mas inesquecível. 

Em uma cena inimaginável, perdeu a cabeça por uma piada de mau gosto de Chris Rock e subiu ao palco para dar um tapa na cara do comediante. O mundo parou.

A partir de agora o legado de Will Smith em Hollywood será para sempre ligado ao tapa, às mudanças de humor que o levaram das lágrimas às risadas em questões de minutos. 

Não sou do time que acha que ele tivesse justificativa. Em 2005, o mesmo Chris Rock foi grosseiro com Jude Law e Sean Penn esperou o momento que era seu para, educamente, colocar Chris no lugar antes de apresentar seu prêmio. 

Agressão física, seja com tapa leve ou pesado, é inaceitável. 

A origem do drama não foi a insensibilidade inegável do apresentador, mas o fato de que há seis anos ele já tinha usado a mulher de Will, Jada, para uma piada no Oscar. Foi tudo muito esquisito e lamentável.

Mas Oscar é isso. 99,9% das vezes é tédio, mas aquele 1% nos faz pular da cadeira e antecipar a festa do próximo ano. 

É o reality show de 3 horas que nos vicia há 74 anos. Estou pronta para a edição 75!  

CONFIRA A LISTA DOS VENCEDORES DO OSCAR:

Melhor Filme

• No Ritmo do Coração

Melhor Atriz

• Jessica Chastain, Os Olhos de Tammy Faye

Melhor Ator

• Will Smith, King Richard

Melhor Diretor

• Jane Campion, Ataque dos Cães

Melhor Design de Produção

• Duna

Melhor Documentário

• Summer of Soul (Or, When The Revolution Could Not Be Televised)

Melhor Edição

• Duna

Melhor Trilha Sonora

• Duna

Melhor Roteiro Adaptado

• No Ritmo do Coração - (Sian Heder)

Melhor Roteiro Original

• Belfast

Melhor Atriz Coadjuvante

• Ariana DeBose, Amor, Sublime Amor

Melhor Ator Coadjuvante

• Troy Kotsur, No Ritmo do Coração

Melhor Figurino

• Cruella - (Jenny Beavan)

Melhor Curta-Metragem

• The Long Goodbye 

Melhor Filme Internacional

• Drive My Car, Japão

Melhor Curta-Metragem Animado

• The Windshield Wiper

Melhor Animação

• Encanto

Melhores Efeitos Especiais

• Duna

Melhor Documentário de Curta-Metragem

• The Queen of Basketball

Melhor Fotografia

• Duna - (Greig Fraser)

Melhor Som

• Duna

Melhor Canção Original

• “No Time to Die”, Sem Tempo Para Morrer, por Billie Eilish e Finneas O’Connell

Melhor Maquiagem e Penteado

• Os Olhos de Tammy Faye

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