Por Ana Claudia Paixão
Ficamos quase dois anos sem a festa “tradicional” da entrega do Oscar, justamente por conta da pandemia.
Edições reduzidas, sem glamour e de baixa audiência em 2020 e 2021 só aumentaram a expectativa para 2022, mesmo sendo uma noite que ainda não estivesse perfeitamente inclusiva, trazia alguns representantes LGBTQ+, deficientes auditivos, latinos e negros, além de ter pela primeira vez apenas três mulheres conduzindo a noite.
Mas a tensão de tempos de medo de cancelamento era palpável em meio ao quase tédio da previsibilidade.
Por tradição, para trazer uma certa leveza para a noite, o Oscar tradicionalmente convida comediantes para apresentação, mas os desafios de fazer rir em tempos atuais estão cada vez maiores.
Com isso, vimos Amy Schumer, Wanda Sykes e Regina Hall relativamente castas, com alguma tirada mais ousada aqui e ali.
Estava tudo sendo desenhado para mais uma premiação previsível: Duna levando todos os prêmios técnicos.
Kenneth Branagh levando o prêmio de Roteiro Original por Belfast.
CODA – No Ritmo do Coração, que veio ganhando favoritismo ao longo dos meses, abocanhando Melhor Roteiro Adaptado, Filme e Ator Coadjuvante.
Amor, Sublime Amor dando à Ariane DeBose o Oscar que cantamos desde 2021 como sendo dela, o mesmo papel que há 60 anos rendeu à Rita Moreno o primeiro Oscar de Atriz Coadjuvante a uma atriz latina.
Encanto confirmando seu sucesso e Jessica Chastain, que já tinha levado o SAG, sendo reconhecida pela Academia em detrimento à Kristen Stewart.
E Will Smith, há duas décadas perseguindo sua estatueta, praticamente deitado na primeira fila esperando ser chamado ao palco.
Seria sua noite, mas o ator resolveu mudar a História e deixar uma marca questionável, mas inesquecível.
Em uma cena inimaginável, perdeu a cabeça por uma piada de mau gosto de Chris Rock e subiu ao palco para dar um tapa na cara do comediante. O mundo parou.
A partir de agora o legado de Will Smith em Hollywood será para sempre ligado ao tapa, às mudanças de humor que o levaram das lágrimas às risadas em questões de minutos.
Não sou do time que acha que ele tivesse justificativa. Em 2005, o mesmo Chris Rock foi grosseiro com Jude Law e Sean Penn esperou o momento que era seu para, educamente, colocar Chris no lugar antes de apresentar seu prêmio.
Agressão física, seja com tapa leve ou pesado, é inaceitável.
A origem do drama não foi a insensibilidade inegável do apresentador, mas o fato de que há seis anos ele já tinha usado a mulher de Will, Jada, para uma piada no Oscar. Foi tudo muito esquisito e lamentável.
Mas Oscar é isso. 99,9% das vezes é tédio, mas aquele 1% nos faz pular da cadeira e antecipar a festa do próximo ano.
É o reality show de 3 horas que nos vicia há 74 anos. Estou pronta para a edição 75!
CONFIRA A LISTA DOS VENCEDORES DO OSCAR:
Melhor Filme
• No Ritmo do Coração
Melhor Atriz
• Jessica Chastain, Os Olhos de Tammy Faye
Melhor Ator
• Will Smith, King Richard
Melhor Diretor
• Jane Campion, Ataque dos Cães
Melhor Design de Produção
• Duna
Melhor Documentário
• Summer of Soul (Or, When The Revolution Could Not Be Televised)
Melhor Edição
• Duna
Melhor Trilha Sonora
• Duna
Melhor Roteiro Adaptado
• No Ritmo do Coração - (Sian Heder)
Melhor Roteiro Original
• Belfast
Melhor Atriz Coadjuvante
• Ariana DeBose, Amor, Sublime Amor
Melhor Ator Coadjuvante
• Troy Kotsur, No Ritmo do Coração
Melhor Figurino
• Cruella - (Jenny Beavan)
Melhor Curta-Metragem
• The Long Goodbye
Melhor Filme Internacional
• Drive My Car, Japão
Melhor Curta-Metragem Animado
• The Windshield Wiper
Melhor Animação
• Encanto
Melhores Efeitos Especiais
• Duna
Melhor Documentário de Curta-Metragem
• The Queen of Basketball
Melhor Fotografia
• Duna - (Greig Fraser)
Melhor Som
• Duna
Melhor Canção Original
• “No Time to Die”, Sem Tempo Para Morrer, por Billie Eilish e Finneas O’Connell
Melhor Maquiagem e Penteado
• Os Olhos de Tammy Faye