Até o próximo sábado, uma série de ações, no Brasil e em outros países, marcam a Semana Mundial de Imunização.
A campanha internacional, que teve início no domingo (24), é realizada com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e tem por objetivo principal estimular iniciativas que busquem conscientizar a população sobre a importância das vacinas na proteção de diversas doenças.
“Você está protegido? Tome todas as vacinas”, propõe a OMS como lema da campanha para 2022.
E é a partir desse mote que a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) chama a atenção das pessoas diagnosticadas com tumor maligno para o papel fundamental da vacinação durante o processo de tratamento.
Sim, a SBOC enfatiza que a proteção das vacinas também é benéfica e recomendada a quem tem câncer.
Mas alerta que nem todas são indicadas a imunossuprimidos, que é o caso de muitos pacientes oncológicos, especialmente aqueles em tratamento com quimioterapia ou radioterapia.
“Vacinas com vírus vivos atenuados são contraindicadas a pessoas imunocomprometidas porque podem se replicar no organismo do indivíduo vacinado”, explica Maria Ignez Braghiroli, oncologista que integra a diretoria da SBOC.
“Nesse grupo de vacinas, estão a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) e os imunizantes que combatem a febre amarela, herpes zoster e poliomielite”, exemplifica.
As primeiras
Em contrapartida, para início de qualquer tratamento oncológico, há duas vacinas fundamentais, pontua a médica: a vacina contra a influenza e contra a pneumonia. “Esta última chamada de antipneumocócica”, explica Maria Ignez Braghiroli. “Especificamente para adultos, estão disponíveis ainda as pneumocócicas conjugada (PVC-13) e a polissacarídica (VPP23)”, acrescenta.
Guia
Essas e muitas outras recomendações constam no guia Vacinação no Paciente Oncológico, produzido pela SBOC e pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) em 2021.
O material tem sido usado como fonte de referência para diversos oncologistas no Brasil e no mundo, mas também pode ser acessado gratuitamente, pela Internet, por qualquer pessoa que busque informações sobre o tema.
Mencionado no guia, um estudo realizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (Centers for Disease Control and Prevention) apontou que a orientação do médico faz toda a diferença para que o paciente, de fato, se vacine.
Quando o profissional de saúde estimula a imunização, as taxas de vacinados podem chegar a até 90%. Entretanto, se ocorre um desestímulo por parte do médico, a mesma taxa cai para em torno de 8%.
“O guia Vacinação no Paciente Oncológico contribui ao sensibilizar os oncologistas para a importância da vacinação”, reforça a Dra. Maria Ignez Braghiroli.
Embora os benefícios da vacinação sejam, de forma geral, bastante evidenciados, o estudo destaca a relevância de análises individuais, pois existem recomendações específicas também quanto ao momento adequado das imunizações, assim como considerações sobre a revacinação e esquemas de doses especiais.
"Vacinas com vírus vivos atenuados são contraindicadas a pessoas imunocomprometidas pois podem se replicar no organismo do indivíduo vacinado".
-Maria Ignez Braghiroli, oncologista
Câncer e covid
Quem passou por um transplante de células tronco-hematopoiéticas, por exemplo, deve obedecer a um calendário de imunização adaptado ao processo do tratamento.
E quanto aos pacientes oncológicos? Eles devem mesmo receber a quarta a dose do imunizante contra a covid-19?
Sim. O esquema vacinal completo contra a Covid-19 é indicado a pacientes com câncer, inclusive a quarta dose, que deve ser tomada 120 dias (cerca de quatro meses) após a terceira dose.
Uma pesquisa encabeçada por cientistas do Reino Unido revelou que 40% das pessoas imunocomprometidas conseguiram gerar menos anticorpos do que pessoas saudáveis após duas doses de vacina, o que justificaria a necessidade de reforços.
Todos alertas
Há também necessidade de proteção contra possíveis variantes do coronavírus, como a ômicron, que provocou um novo aumento de casos de covid em várias partes do mundo.
Cálculos do Ministério da Saúde revelam que, neste mês, 58,2% dos brasileiros que têm idade acima de 18 anos e que já estão elegíveis para receber a quarta dose ainda não completaram o esquema de imunização. Esses dados foram divulgados na semana passada.
A SBOC também sublinha que todos os que convivem com pacientes oncológicos, como familiares e cuidadores, devem manter seu calendário vacinal atualizado, de acordo com as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI).