Nos últimos anos, cobra-se muito uma reinvenção na teledramaturgia, principalmente nas novelas. A produção em massa de séries, com temporadas pré-definidas e de curta duração, garantindo mais agilidade às tramas, despertou em muitos telespectadores o desejo por histórias em que a ação estivesse sempre em primeiro plano e, consequentemente, não sobrasse espaço para as conhecidas “barrigas” – momentos em que as novelas perdem a movimentação. Pois bem, “Cara e Coragem”, novo folhetim das 19h da Globo, parece se alinhar com essa tendência moderna. E mostrou isso de cara, já na primeira semana. Morte, muitas sequências de aventura e um vilão totalmente exposto marcaram a apresentação da história escrita por Claudia Souto e com direção artística de Natália Grimberg.
Protagonistas de “Cara e Coragem”, Pat e Moa, papéis de Paolla Oliveira e Marcelo Serrado, tiveram suas realidades muito bem exploradas já no primeiro capítulo. Ela, envolvida em um casamento que caiu na rotina, com um marido com ares de príncipe encantado e dois filhos ainda crianças. Já ele, se desdobrando na correria entre o expediente como dublê e a criação do filho pequeno, de quem cuida sozinho. Ponto para Claudia, que em pouquíssimos minutos conseguiu deixar claro quais são os principais conflitos de seus mocinhos e, principalmente, o quanto ambos se sentem atraídos.
As cenas de ação, pelo menos por enquanto, impressionam. Por um lado, a tendência é que elas permaneçam na história, já que os personagens principais se juntam e abrem sua própria agência de dublês, a “Coragem.com”. No entanto, é provável que a partir de determinado ponto, a própria autora e a direção de “Cara e Coragem” apostem mais fundo no romance. A trama de Moa e Pat funciona, os dois já mostraram ter bastante química e, até pela ideia de família perfeita que o núcleo da mocinha passa, dá para imaginar que não será fácil Pat abrir mão do casamento para viver essa paixão aparentemente avassaladora.
Há uma aposta muito forte da Globo em “Cara e Coragem”. Prova disso é que a novela estreou com dois horários de exibição: o tradicional da faixa das 19h e um na madrugada, por volta das 2h, focando nos telespectadores insones. A audiência tem se revelado boa, com quase 23 pontos de média em seu primeiro dia e cerca de 24 no segundo capítulo. A exibição alternativa pode se revelar estratégica principalmente entre o público que não assina o Globoplay, serviço de streaming da emissora, e perde um ou outro episódio. E, ao mesmo tempo, conquistar um telespectador que, por questões de horário, não seja acostumado a ver novelas. Com isso, os folhetins podem ganhar, de vez, mais um horário de reprise na Globo – o terceiro, já que duas novelas repetidas ocupam horários na parte da tarde. Na madrugada de estreia, foram 4,5 pontos de média. Nada mal para uma nova aposta.