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PLATAFORMAS DIGITAIS

Seleção de filmes e séries em plataformas digitais, feita pelo "Via Streaming"

A dica da semana é o filme "Jane Eyre" (2011), de Cary Fukunaga, disponível na Amazon

Tatyane Gameiro

09/06/2022 - 11h22

“Jane Eyre”

Com o desafio de apresentar algo novo sobre o clássico da literatura, o filme de Cary Fukunaga aposta nas estratégias narrativas e na atmosfera soturna

Um clássico da literatura britânica do Século XIX, “Jane Eyre” é o romance mais conhecido de Charlotte Bontë, escritora e poetisa inglesa que, assim como suas irmãs Anne e Emily, ajudaram a abrir as portas do mundo da literatura para as mulheres. 

Inclusive, quando a obra citada foi lançada, a autora respondia pelo pseudônimo masculino “Currer Bell” e o seu nome só foi creditado na obra um ano depois da publicação do livro, que fez tanto sucesso que até recebeu elogios da Rainha Vitória, monarca inglesa da época. 

Por ser um clássico, sua história já foi adaptada várias vezes para as telas do cinema, porém a versão de Cary Fukunaga, lançada em 2011 e disponível da Amazon, se destaca por investir em uma atmosfera mais soturna.

O filme é ambientado na Inglaterra Vitoriana e conta a história de Jane (Mia Wasikowska), uma menina órfã que teve uma infância bastante sofrida e traumática por conta da criação feita por sua tia (Sally Hawkins). Por isso, quando surge a oportunidade de se tornar governanta em outra casa, Jane não pensa duas vezes. Assim, começa a trabalhar na casa de Edward Rochester (Michael Fassbender), um homem mais velho que é extremamente inteligente e bonito.

Por conta do convívio diário, os dois acabam se aproximando e cresce um sentimento romântico entre ambos. 

Porém, por conta da distinção de classes sociais, um romance entre os dois seria muito difícil de ser concretizado. Além disso, segredos guardados pelo próprio Sr. Rochester podem impossibilitar para sempre o amor dos dois. 

Com uma protagonista forte e destemida, “Jane Eyre” não esconde e nem alivia o passado da heroína, mostrando as coisas horríveis pela qual passou, exaltando a sua coragem e determinação. Além disso, a direção do diretor de costurar a história com flashbacks, prende a atenção do espectador durante os 120 minutos de duração do filme.

Link para o trailer de “Jane Eyre”

Rede clandestina

Em uma época em que o aborto era crime nos Estados Unidos, uma rede de mulheres se organizou para garantir esse serviço as mulheres de forma segura e acessível

Apesar do aborto ser um direito reconhecido por lei nos Estados Unidos desde 1969 – com cada estado possuindo uma legislação um pouco diferente –, recentemente a discussão sobre essa prática reacendeu no país com o vazamento de um texto em repúdio ao aborto feito pela Suprema Corte no início de 2022. 

Com isso, a possibilidade de anular uma decisão (fruto da luta feminista) de mais de 50 anos movimentou uma série de protestos, tanto a favor como contra a atitude.

Nesse contexto, o documentário “As Janes”, que fez sua estreia mundial no Festival de Sundance desse ano e que será disponibilizado com exclusividade na HBO Max a partir do dia 8 de junho, se mostra extremamente necessário.

Isso porque o longa se passa antes da legalização do aborto nos Estados Unidos e acompanha a trajetória de um coletivo de mulheres de Chicago que organizava uma rede de abortos seguros e acessíveis para as mulheres por de baixo dos panos. 

Além de ser uma atividade proibida por lei, o que por si só já colocava as organizadoras em risco, também existia um interesse da máfia de Chicago em lucrar com a realização de abortos ilegais e nada seguros, tornando as Janes – nome pelo qual esse grupo de mulheres respondia – um alvo para todos os lados.

O documentário conta com o depoimento das organizadoras originais dessa rede, que irão contar quais foram as motivações e o contexto por trás do movimento. 

Com isso, elas conseguem criar um panorama histórico e social – do ponto de vista feminino, protagonista da questão – da realidade pré legalização, fazendo com que seja possível para o espectador entender o que pode vir a ser do futuro do direito das mulheres nos Estados Unidos se o projeto da Suprema Corte for aprovado. 

Para aqueles que vivem em locais onde o aborto ainda é ilegal na maioria dos casos, “As Janes” se apresenta como uma boa reflexão e um vislumbre do que poderia a ser no avanço das pautas feministas.

Link para o trailer de “As Janes”

Gravidez quase acidental

Quando uma mulher percebe que tem pouco tempo para engravidar, uma noite de bebidas faz com que ela realize uma autoinseminação artificial com o esperma do ex-namorado

Construir uma família é o desejo de muitas pessoas, porém nem sempre essa vontade consegue se materializar de um jeito tão fácil quanto gostariam. Um dos grandes avanços da Medicina nesse campo de especialização foi a inseminação artificial (ou “in vitro”), que só foi possível de ser realizada em humanos no final dos anos 1970. Apesar de relativamente pouco tempo ter se passado desde então, hoje em dia essa é uma prática muito utilizada, que possui grandes taxas de sucesso, mas que, ao mesmo tempo, ainda é muito cara. Original da Netflix, a nova série dinamarquesa “Do Nada Grávida” chega na plataforma dia 8 de junho e aborda um pouco dessa prática médica de um jeito divertido.

Na trama, Nana é uma especialista em fertilização artificial que, apesar de pensar em ter filhos por ela mesma, nunca concretizou essa vontade com nenhum de seus relacionamentos anteriores. A médica sempre achou que teria mais tempo para construir uma família, porém, em um teste despretensioso de ultrassom realizado pela amiga enfermeira na clínica onde as duas trabalham, a protagonista descobriu que estava a poucos ciclos da menopausa, quando a mulher tem o seu ciclo menstrual interrompido e engravidar sozinha não é mais uma opção. Confrontada com a realidade de que uma gravidez só seria possível até os próximos 6 meses – aproximadamente –, Nana e a amiga irão sair para beber.

Nessa noitada, as duas acabam ficando bêbadas e têm a ideia de roubar uma das amostras de esperma da clínica e realizar a inseminação artificial da protagonista, que acaba dando certo. Além disso, a amostra que foi escolhida era do ex-namorado de Nana, o qual ela tenta reconquistar depois de engravidar, mas ele não tem muito interesse em retomar o antigo relacionamento. A condição da protagonista, além de ser um segredo para todos além das duas amigas, irá fazer com que ela entenda melhor os seus pacientes e busque novos relacionamentos, porém poderá colocar tudo a perder quando descobrirem que pegou a amostra de esperma sem autorização.

Link para o trailer de “Do Nada Grávida”

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