Por Ana Claudia Paixão
A série Barry foi criada, escrita e é estrelada pelo comediante Bill Hader, que já levou Emmy como Melhor Ator e Melhor Série por ela.
Acompanhar a vida de um psicopata não é novidade para quem se apaixonou por Dexter ou outros anti-heróis, mas Barry é diferente.
A série da HBO Max encerrou a terceira temporada essa semana, ainda tem outra confirmada e se você ainda não assistiu, recomendo. E não sei se consigo guardar todos os spoilers, fica o aviso!
Barry Berkman, como personagem, é tão trágica como Tony Soprano e – ainda assim – cômica também.
Nessa temporada, a tagline tem a frase perfeita para nos lembrar a jornada desse anti-herói: “você não consegue enterrar seu passado”. E ele tenta.
Uma das dificuldades é lembrar que Barry Berkman é um vilão.
Mercenário e exímio assassino profissional, ele é naturalmente complexo e porque Bill Hader brilhantemente nos mostra em meio de seus olhares atônitos o quanto a vida desse ex-soldado é triste, por isso sem querer nos simpatizamos com ele, mesmo com uma moral estranha, que o mantém em um universo de crimes, mesmo querendo deixá-lo.
Barry parece atrair as pessoas que o mantém na sociopatia. Nenhuma das pessoas em seu círculo mais próximo é íntegra ou 100% centrada e o usam para seus fins, só se voltando contra ele quando interessa.
Diante dessa crueldade entre cruéis, chegamos a questionar se Barry é o mocinho da história, mas como defender suas ações? Ele tem que pagar pelo que fez.
Henry Wrinkler, que também venceu o Emmy como Ator Coadjuvante com sua atuação brilhante como o professor de teatro Gene Cousineau, é um homem mal-caráter e insuportável, cujo passado de maus tratos o isolou em um papel menor na indústria.
Sem querer, ele repete o péssimo hábito que temos de ignorar a verdade que nos dizem para projetar uma persona admirada.
Dessa forma, quando Barry admite seus crimes, ninguém leva a sério. Pior ainda, é tido como grande ator e quer mudar de vida. No entanto, precisando “apagar suas pegadas”, mata o amor da vida do mentor, ameaça sua família e o mantém refém.
Claro que seu ex-parceiro piora tudo ao contar a verdade para os familiares das vítimas.
O humor politicamente incorreto da série, com surpresas e reviravoltas incríveis, estamos vendo Barry tentando deixar o crime, mas o crime não o deixa em paz. Como um Forrest Gump inverso, Barry consegue escapar das emboscadas com coincidências banais.
E as sequências de ação são inovadoras e curiosas, dirigidas com precisão pelo próprio Bill Hader. São ângulos curiosos, ritmo lento e inesperado. A perseguição de
moto do penúltimo episódio já pode ser considerada histórica. A série brinca com os nossos sentidos o tempo todo, suspende o áudio em um momento vital, em outros não vemos nada e só ouvimos… As inversões de valores são tão constantes que quando em um interrogatório uma personagem titubeia em responder “você ama Barry?” e nós já estamos gritando que sim!
Amarrando todas personagens mortes e questões de ações e consequências, Barry entregou uma terceira temporada profunda e inovadora em sua narrativa. Nosso sociopata sofre traições profundas, mas sabemos que não será o fim. E a pergunta E a pergunta é pertinente: você ama Barry? Deus guarde minha alma… eu adoro!