Hoje e amanhã, a Praça Ary Coelho vai respirar artes cênicas. O projeto Boca de Cena – Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro e Circo ocupa o espaço, a partir das 19h desta sexta-feira, com a apresentação de “Navegantes”, do grupo Deslimites, primeiro espetáculo a ser encenado.
A maratona chega ao fim no sábado, com “Sub-Troço do Vice-Treco”, peça do grupo Tripé – Comédia a Três, que encerra o projeto, a partir das 22h15min.
Das 21 sessões programadas, apenas uma não será realizada na praça.
O Teatral Grupo de Risco, que está entre os nomes escalados para subir ao palco da Ary Coelho, abre as portas de seu espaço (R. José Antônio, nº 2.170) para a Aplausos e Cia Teatral encenar “Lídia Baís: Uma Mulher à Frente de seu Tempo”. Dos 20 espetáculos selecionados, somente um, “Corina e Genésio”, do Grupo Ubu, terá duas sessões.
VOLTA
Interrompido desde 2018, o Boca de Cena começou uma década antes, sob a organização da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), para marcar o Dia Internacional do Teatro e o Dia Nacional do Circo, ambos celebrados anualmente no dia 27 de março.
Até sua última edição, o Boca de Cena havia contemplado 123 apresentações de artistas do Estado, somando um público estimado em 22 mil pessoas.
Neste ano, a mostra é organizada pelos colegiados de teatro e circo de Mato Grosso do Sul, com apoio financeiro de R$ 240 mil da FCMS.
HOMENAGENS
Os três palcos montados na praça para a retomada do Boca de Cena prestam homenagem a nomes de destaque da cultura local. O principal ganhou o nome de “Profeta” – que era o apelido de Edson da Silva, falecido em 20 de agosto de 2020, aos 77 anos.
Ator, diretor, escritor e poeta, Profeta dizia ter nascido em Cassilândia e começou suas inspirações artísticas nos circos e no teatro ainda na década de 1960.
O segundo palco ganhou o nome de “Jair Damasceno”. Ator, diretor, bailarino, coreógrafo, dramaturgo, professor e pesquisador, Jair Balieiro Damasceno, que se foi no dia 3 de maio do ano passado, aos 73 anos, é reconhecido como um dos principais artistas sul-mato-grossenses. Jair nasceu em Tefé, no Amazonas, mas consolidou a sua arte por aqui, onde passou a militar pela cultura em 1966.
E o terceiro palco ganhou o nome de “Bia Marques”, para lembrar o papel de Fabíola Marques Fernandes, falecida aos 49 anos em 9 de maio de 2019. Servidora pública, Bia foi coordenadora do Centro Cultural José Octávio Guizzo durante sete anos e atuou em diferentes áreas do segmento por três décadas.
HOJE
Nesta sexta-feira, às 19h, no palco principal, o grupo Deslimites, de Campo Grande, apresenta “Navegantes”, de 35 minutos de duração.
A peça “faz uma viagem pelos rios brasileiros, mostrando a vida dos animais debaixo d’água” ante a degradação ambiental. O texto e a direção são de Lu Bigatão Rios.
Às 19h40min, no palco 2, é a vez de “O Grande Salto”, do grupo Theastai de Artes Cênicas, de Dourados, que tem o mesmo tempo de duração. As duas peças são recomendadas para todos os públicos.
Às 20h, a Cia Teatral Sou o Que Sou, de Aparecida do Taboado, encena “A Cartista” (53 minutos/14 anos). Uma das montagens mais aplaudidas de 2021, a peça “nos faz pensar sobre vários aspectos dos sentimentos humanos, sobretudo o amor”.
A atriz Conceição Mendonça brilha no papel da personagem-título. Texto de Wadna Salles e direção de Moysés Chama.
A última apresentação de hoje, “Tradicional Pocket Show” (50 minutos/12 anos), às 21h30min, no palco principal, traz o Grupo Le Chapeau, de Dourados, mostrando uma engraçada disputa entre o dono de um circo e um palhaço. Quem assina a montagem é Junior de Oliveira.
AMANHÃ
No sábado, as apresentações começam às 10h, no palco principal, com o espetáculo “Dom Quixote”, da Cia. Teatro do Mundo, de Campo Grande (45 minutos/Livre).
A direção é de Fernando Lopes Lima. Já às 10h50min, no palco 3, “A Borboleta Mais Velha do Mundo” (40 minutos/Livre), do Grupo Casa, de Campo Grande, tem a direção de Ligia Prieto.
Às 11h40min, no palco 2, “Varietê” (40 minutos/Livre), do grupo Flor e Espinho, da Capital, volta a celebrar a arte da palhaçaria com as peripécias do clown Anderson Lima.
Às 13h, no palco principal, será apresentado “O Sapo Encantado e Outras Histórias” (50 minutos/Livre), do Grupo Teatral Unicórnio, de Campo Grande. A peça é composta de três histórias curtas, “unindo folclore, contos de fadas e a magia do circo”. Direção de Amélia Rocha.
O palhaço Challito, de Nova Alvorada do Sul, apresenta, às 14h, no palco 3, o espetáculo “Vendê-Graça” (60 minutos/Livre). Às 15h, no palco 2, o grupo Oficina de Bonecos Tareco Treco, de Campo Grande, encena “Pantanalia” (30 minutos/Livre).
A direção é de Wilson Mota Ishikawa. Às 15h40min, a peça “Com a Palavra, o Poeta” (45 minutos/Livre) leva mais um grupo de Dourados, o Bazar de Poesia, ao palco principal.
GRUPO INDÍGENA
Às 16h30min, no palco 3, “Gritaram-me Bugra” (30 minutos/Livre), do grupo Liberdade PKR (Pa’i Kuara Rendy), de Amambai, encena “um misto de sentimentos que uma mulher indígena Guarani Kaiowá vive na pele, como o preconceito, a discriminação, a violência e o sentimento de orgulho de pertencer ao grupo étnico que mantém sua cultura viva”.
É uma rara oportunidade de conferir um grupo teatral indígena. Direção: Duadino Martines.
BOAL
Às 17h, no palco principal, “Revolução”, do Teatral Grupo de Risco (53 minutos/Livre) propõe uma adaptação de “A Revolução na América do Sul”, de Augusto Boal, com a trama sobre um operário que busca melhoria de salário e que, ao conseguir, acaba sendo despedido. É quando outro operário tenta organizar uma revolução e se candidata à Presidência da República. Direção coletiva dos integrantes do TGR.
Às 18h, o grupo Fulano Di Tal sobe ao palco 2 para apresentar “A Fabulosa História do Guri-Árvore” (50 minutos/Livre). Inspirada na obra de Manoel de Barros, a peça pretende celebrar a infância. “Os irmãos Palmiro (Edner Gustavo) e Abílio (Douglas Moreira), cada um do seu jeitinho, relembram suas histórias no quintal de casa”, diz a sinopse do espetáculo dirigido por Marcelo Leite.
MAIS CLOWN
Às 19h, no palco 3, “Gran FinaLLe” (40 minutos/Livre), do grupo Pisando Alto, da Capital, apresenta um enredo que combina terceira idade, vida de artista de circo e muitas memórias de “um casal de velhinhos alegres, ativos, engraçados”. Direção de Breno Moroni.
Às 19h45min, no palco principal, “Delírios de Nito e Outros Devaneios” (45 minutos/Livre), do grupo Jovens Bons, de Campo Grande, traz “números clássicos” com a participação do palhaço Fefito. Direção de Renderson Valentim.
LÍDIA
Às 20h30min, na sede do Teatral Grupo de Risco, o espetáculo “Lídia Baís: Uma Mulher à Frente de seu Tempo” (50 minutos/Livre) apresenta Tatiana De Conto, em um formato inspirado nas rodas de contação de histórias, narrando a trajetória da importante artista nascida em Corumbá, no ano de 1900, que faleceu aos 85 anos. Direção de Thathy D. Meo.
No mesmo horário, o Grupo Ubu circula pela praça com a apresentação itinerante de “Corina e Genésio” (30 minutos/Livre), que terá uma segunda sessão às 21h45min. Cantorias, brincadeiras e pernas de pau fazem parte da peça dirigida por Anderson Bosh.
Às 21h, também em movimento, o grupo Teatro Imaginário Maracangalha encena “Areôtorare – O Verbo Negro e Bororo do Índio Profeta” (45 minutos/Livre).
A peça é baseada na obra do escritor modernista corumbaense Lobivar Matos (1915-1947).
O “Sub-Troço Do Vice-Treco” (60 minutos/Livre), do grupo Tripé – Comédia a Três, arremata o Boca de Cena 2022 “utilizando a técnica plágio-combinação em sua dramaturgia, a técnica de sincronia no trabalho vocal e corporal e a técnica de arrancar risadas da plateia”, segundo a sinopse da peça, dirigida por Luciano Risalde.