CE: Como surgiu a oportunidade de interpretar Tony em ‘West Side Story’?
BS: “Eu fiz as audições em 2020 e disse para mim mesmo: ‘Chegou a hora, chegou o momento’. Eu já vinha me preparando há muitos anos porque é um repertório que quase todo mundo que faz teatro musical acaba trabalhando em aula, então, quando surgiu a oportunidade, eu pensei: ‘Tô no perfil, tô na idade, tô com tudo para fazer o papel’. Agarrei com unhas e dentes e fui. Conquistei o papel e está sendo um privilégio imenso. Eu chamo o Tony de ‘O Protagonista dos Protagonistas dos musicais’. É muito gratificante, depois de muitos anos trabalhando no ramo, ter mais essa oportunidade incrível na minha vida.”
CE: Como você se preparou para viver o personagem nos palcos?
BS: “Eu foquei muito no contexto histórico da peça, dessa época pós-guerra que se refletia na sociedade novaiorquina. Li três versões de Romeu e Julieta para entender o contexto shakespeareano a fim de saber como foi essa adaptação e fui me inteirando de onde esse personagem vinha e como eu poderia me inserir dentro da minha realidade à desse personagem.”
CE: Qual o sentimento da responsabilidade de ser protagonista de um clássico como ‘West Side Story’?
BS: “É de uma alegria sem fim. Principalmente, dentro desse contexto, com a direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho, que são grandes conhecedores da obra, assim como o Cláudio Cruz, que é o nosso diretor musical. É uma grande honra e, com certeza, uma chancela para a minha vida. É um momento muito feliz da minha carreira.”
CE: Além do Tony, há algum outro personagem que você gostaria de poder interpretar?
BS: “Orfeu de ‘Hadestown’ e, quando eu estiver mais senhor, fazer o ‘Um Violonista no Teatro’ (risos).”
CE: Quais são as suas maiores referências no teatro?
BS: “Marco Nanini, Rubens Caribé, Antonio Fagundes e Juca de Oliveira.”
CE: Sobre os teatros musicais nacionais, há algum que você já assistiu que te marcou?
BS: “’O Auto do Reino do Sol’, foi um espetáculo belíssimo, original, com direção e elenco incríveis. Foi realmente muito marcante ter visto esse espetáculo. E o ‘7’, com as músicas do Ed Motta, também da dupla Möeller e Botelho, na qual eu estou tendo a honra de trabalhar.”
CE: Você contracena com a Giulia Nadruz, que vive a Maria em ‘West Side Story’, como tem sido trabalhar junto com ela?
BS: “Incrível. Nós somos amigos há muitos anos. Fizemos o nosso primeiro trabalho juntos em 2010, em ‘Mamma Mia’, e em 2013 nos encontramos de novo em ‘Shrek’, eu fazia o Burro e ela a Fiona (risos). E agora, por uma grande coincidência do destino, agora somos o maior casal protagonista da Broadway. Está sendo um privilégio e um prazer imenso. A nossa troca é muito especial. A gente admira muito o trabalho do outro. Eu sou fã do trabalho dela e ela é fã do meu também.”
CE: Com estreia marcada para sexta-feira, quais são as suas expectativas para subir aos palcos?
BS: “É uma expectativa enorme. Uma vontade imensa de ter o público para a gente contar ‘o Lado Oeste da história’. Estou com aquelas borboletas no estômago. É um espetáculo que com certeza vai tocar os corações de muita gente.”
CE: O que o Beto Sargentelli de 10 anos atrás diria para o Beto Sargentelli de hoje?
BS: “Eu diria: ‘Calma, que vai dar tudo certo. Respira, porque quem cuida de você, não dorme. Vai dar tudo certo e você vai conseguir realizar os sonhos que você achou que estariam distantes. Você vai conquistar coisas que você merece, que você lutou’. Eu me tranquilizaria.”
CE: Você também canta profissionalmente, tendo o seu último single sido lançado em 2019... Tem vontade de investir na carreira musical?
BS: “Sim, eu recebi o convite de um produtor e gravei ‘As Quatro Estações’. O lançamento teve uma repercussão muito bacana, e estávamos fazendo alguns shows, que acabaram sendo interrompidos por conta da pandemia. Agora, as coisas estão sendo retomadas, já tenho alguns singles gravados e estamos na fase de pós-produção para lançar e ter show também, após ‘West Side Story’.”
CE: Sobre os seus próximos projetos fora da música... Há algo em vista? Pode adiantar algo para a gente?
BS: “Há, sim. Mas, não posso falar nada ainda, é segredo (risos).”