Por Flávia Viana
Colaborou Denise Neves
Um dos musicais mais aclamados da história, estreia hoje, 08 de julho na capital paulista com a atriz Giulia Nadruz no papel de Maria e Beto Sargentelli como Tony, ambos protagonistas desse premiado clássico. “West Side Story” (Amor, Sublime Amor), foi adaptado por Ernest Lehman de um bem-sucedido musical da Broadway, lançado em 1957, com libreto de Arthur Laurents e encenado por Jerome Robbins, que foi também o autor da ideia.
Tanto o musical teatral e o filme, são uma adaptação livre, ambientada na década de 1950, de Romeu e Julieta do William Shakespeare. Lançado nos cinemas em 18 de outubro de 1961, o filme foi sucesso de crítica e público.
É o musical mais premiado da história do cinema tendo ganhado 10 Oscars, 3 Globos de Ouro e 2 Grammys em 1962, além do Directors Guild of America, o National Board of Review e o New York Film Critics Circle Awards em 1961.
Amor à primeira vista acontece quando o jovem Tony (Beto Sargentelli) vê Maria (Giulia Nadruz) em um baile do ensino médio em 1957, na cidade de Nova York.
O romance dos dois ajuda a alimentar o fogo entre duas gangues rivais que disputam o controle das ruas de NY: os Jets e os Sharks. Em 2021 o premiado e aclamado diretor de Hollywood, Steven Spielberg lançou um remake do musical que também foi um grande sucesso.
O musical é a primeira produção do gênero a abrir as cortinas do tradicional Theatro São Pedro em São Paulo, conhecido especialmente por sua programação operística.
Com direção de Charles Möeller e Claudio Botelho e direção musical do maestro Cláudio Cruz, a curta temporada, com sessões de terça a domingo, estreia hoje.
O Correio B+ fez uma entrevista exclusiva com os protagonistas de “West Side Story” (Amor, Sublime Amor) no Brasil, Giulia Nadruz e Beto Sargentelli que encenam os papéis principais da obra. Eles estampam Capa dupla do Caderno desta semana e nos contam sobre carreira, escolhas e principalmente sobre a estreia de hoje em um dos musicais mais aclamados da história do cinema e do teatro no mundo.
CE: Como surgiu a oportunidade de interpretar Maria em ‘West Side Story'?
GN: “Eu já havia trabalhado com a dupla de diretores da peça, Charles Möeller e Cláudio Botelho. Esse é o meu quarto trabalho com eles. Inclusive, eu comecei com eles. A minha primeira grande oportunidade no teatro musical foi com eles. Mas, na verdade, apesar de eles já conhecerem o meu trabalho, eles me chamaram para fazer parte das audições, fazer os testes etc.”
CE: Você já havia assistido a peça?
GN: “Claro. ‘West Side Story é um clássico. Pega até mal quem faz teatro nunca ter assistido (risos). Ela é uma obra muito relevante, uma coisa transformadora na década de 60.”
CE: O ‘West Side Story’ está entre as suas referências de peças musicais? Você possui outras referências?
GN: “Sim, com certeza. Outras referências que eu tenho são Fantasma da Ópera, Ghost, Company... São muitas!”
CE: Como se preparou para viver a Maria?
GN: “Eu costumo brincar dizendo que a gente se prepara a vida inteira. Eu mergulhei bastante no universo do espetáculo, pesquisei sobre as adaptações de Romeu e Julieta, sobre Shakespeare num geral para compreender o trabalho dele como um todo, sobre Porto Rico e a cultura porto-riquenha. Eu também estudei espanhol, porque a gente usa muitas expressões em espanhol, fora as aulas de canto.”
CE: Houve alguma dificuldade em incorporar o papel? Se sim, qual?
GN: “A parte vocal é muito desafiadora, até mais do que Fantasma da Ópera. É muito agudo, tem uma carga dramática muito forte da personagem, e aí tem que entender como dosar essa questão do drama, da emoção da cena sem prejudicar a voz.”
CE: O que Maria tem de diferente das outras personagens que você já interpretou?
GN: “Ela é uma personagem muito forte. É a Maria que faz a história, é ela que determina o que vai acontecer. Acaba sendo uma mocinha que tem a sua maneira ativa de ser.”
CE: O que o público pode esperar da Giulia Nadruz em 'West Side Story’?
GN: “Uma atriz interpretação muito apaixonada da minha parte, não só pela obra em si e pela personagem, mas porque eu não sei fazer diferente, eu sempre me entrego à personagem. Eu espero que o público receba essa obra com esse caráter transformador que ela também está tendo para mim.”
CE: Como você descreve o seu sentimento ao retornar aos palcos?
GN: “É surreal, porque eu comecei a dançar com cinco anos, então, desde que eu me entendo por gente, eu estou nos palcos... E esses dois anos parada por conta da pandemia foi muito difícil, porque eu acabei tendo uma crise de identidade, do tipo ‘Quem sou eu fora dos palcos?’, sabe? Sem a minha arte, sem a dança, sem o teatro, foi muito duro... Então, retornar é uma sensação de resgate, de voltar para casa. É uma alegria que não tem nem como descrever.”
CE: Sobre a arte de interpretar... O que significa para você?
GN: “Interpretar, para mim, é poder ser quem eu sou, é poder me expressar da forma que eu mais acredito, é poder me expressar de forma genuína e é poder ter essa conexão. É me conectar com os meus parceiros em cena, é me conectar com o outro, com o público, e tentar agir de forma transformadora na vida das pessoas. É o meu canal, é a minha forma de contribuir com o mundo.”
CE: Você também é dubladora, inclusive, deu voz à Bela, a princesa da Disney em 'A Bela e a Fera'... Como foi realizar esse trabalho?
GN: “Eu me formei em Dublagem em 2019, no Rio de Janeiro, que foi quando eu comecei a trabalhar com dublagem. Mas ao mergulhar nesse universo do teatro musical, e abandonei um pouco a dublagem por alguns anos e retomei em 2017, em São Paulo, no live-action de ‘A Bela e a Fera’. Eles precisavam de uma cantora que também fosse atriz, com um timbre parecido com o da Emma Watson e aí chamaram algumas atrizes dentro desse perfil para fazer o teste, me indicaram e eu fui fazer o teste e passei. E a Bela é a minha princesa favorita da Disney, quase morri do coração (risos).”
CE: Após a peça, você tem dois projetos audiovisuais a caminho, sendo um no streaming e outro no cinema... Pode adiantar algo sobre esses próximos projetos?
GN: “Por enquanto, ainda não posso falar nada (risos). Mas são dois projetos previstos para sair agora no segundo semestre. Estou superfeliz porque eu adoro o audiovisual. No streaming, estou muito animada em poder voltar. E no cinema, vai ser a minha estreia.”