Dica da Semana: “O Tigre Branco”
Em uma crítica à desigualdade social, filme da Netflix não tem medo de mostrar o lado cruel e verídico da realidade
Ainda hoje, com as plataformas de streaming dominando o mercado cinematográfico pelo mundo, poucos são os filmes indianos que atingem o mainstream no Brasil, uma vez que a procura por produções nacionais ou hollywoodianas é expressivamente maior. Porém, as vezes um longa é tão bom que consegue ultrapassar todas as barreiras de língua e estilo narrativo, como é o caso de "Parasita", "Quem quer Ser Um Milionário?" e também o original de 2021 da Netflix, "O Tigre Branco". Esse último é uma adaptação do livro homônimo do jornalista e escritor indiano Aravind Adiga, que foi realizada pelo diretor Ramin Bahrani em uma coprodução indiana-estadunidense.
Tendo integrado a lista dos top 10 produções mais assistidas da Netflix no seu período de estreia, "O Tigre Branco" acompanha - por meio de flashbacks - a história de ascensão social de Balram, um jovem e ambicioso empresário que aproveitou de caminhos questionáveis proporcionados pelo sistema capitalista para enriquecer. Apesar de, desde criança, o protagonista se destacar pela sua habilidade de aprender, por conta da condição de servidão de sua família (e casta de origem), Balram sempre precisou trabalhar para sobreviver. Para tentar escapar desse ciclo de subserviência, o protagonista consegue fazer aulas de direção e virar motorista na parte rica da cidade.
A família para qual irá trabalhar, inclusive, ganha bastante dinheiro extorquindo com "impostos" os cidadãos mais pobres. Apesar da desconfiança do patriarca, o filho dos seus patrões logo toma grande afeição por Balram, uma vez que estuda nos Estados Unidos e não vê sentido no sistema de castas indiano. Ao longo do filme, o protagonista é humilhado e agredido diversas vezes pelos mais ricos, mas sempre mantém uma calma disfarçada. Porém, quando um trágico acidente acontece, o protagonista vê uma oportunidade para se beneficiar.
Link para o trailer de “O Tigre Branco”
Focar no que importa
Nova série original da HBO Max é dirigida por Billy Porter e retrata romance juvenil queer
Nos últimos anos, a comunidade LGBTQIAP+ tem ganhando mais espaço na indústria cinematográfica. Apesar de ainda haver muito a ser feito, aos poucos vem crescendo o número de narrativas e atores queer recebendo atenção da grande mídia. Dentre eles, Billy Porter certamente é um dos nomes mais influentes da comunidade no ramo audiovisual. Ator, cantor e cineasta, o norte-americano ficou muito famoso por seus papéis na Broadway e também por seu ativismo político e na moda, sempre questionando os estereótipos de gênero. Agora, sua nova empreitada como diretor é a série original da HBO Max "Anything's Possible", que estreia dia 22 de julho.
Com uma proposta de retratar o amadurecimento sob a ótica da Geração Z, a produção acompanha Kelsa, uma adolescente trans de 17 anos que está começando a explorar o mundo da forma que sempre sonhou, e Khal, um menino cisgenero que também estuda na mesma escola. Um dia, os dois são designados como parceiros na aula de artes e, imediatamente, um clima diferente toma conta da relação entre os dois. Apaixonado, Khal posta em uma rede social o seu desejo de chamar Kelsa para sair.
Por conta dos comentários positivos e de incentivo que recebe pela Internet, o jovem decide seguir em frente com esse amor, mesmo sabendo que nem todos na escola terão uma recepção muito boa sobre o romance dos dois. Assim, a série irá retratar o romance do casal queer, focando principalmente na relação amorosa e jovial entre os dois, e não nos traumas e dificuldades que são tão característicos de obras que abordam esse tema. "Anything's Possible" acompanha o pensamento da geração a qual dá protagonismo, de que todas as relações devem ser aceitas e normalizadas.
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Por um lugar no rap
Nova série da comediante Issa Rae chega na HBO Max em 31 de julho e trata de uma dupla de Rap feminino
Depois da última temporada de "Insecure", o novo projeto da atriz e cineasta Issa Rae também será uma série original da HBO Max. Com data de estreia marcada para o dia 21 de julho, a produção atende pelo nome de "Mald!to Rap" e terá oito episódios no total, sendo cada um com duração aproximada de 30 minutos. Diferentemente de "Insecure", dessa vez Rae entra somente no time criativo e não no elenco, desempenhando o papel de roteirista e produtora executiva. Já os papéis principais ficam sob responsabilidade das atrizes americanas Aida Osman (que, juntamente trabalha como comediante) e KaMillion (também cantora).
A história acompanha duas amigas de ensino médio que moram em Miami e tem como sonho viverem da música. Apesar do talento e da vontade, Shawna não se sente representada pelo cenário do Rap atual e não tem vontade de fazer músicas sobre sexo e dinheiro para conseguir um ligar na indústria. Na realidade, o seu desejo é falar com uma audiência feminina sobre temas relevantes e condizentes com o que ela acredita. Ao mesmo tempo, Mia é uma cabeleireira e maquiadora, mãe solo de uma menina de 4 anos e que vê na música uma oportunidade de ascensão e melhoria de vida.
As duas se reencontram de forma espontânea e, em uma ideia levemente influenciada pelo álcool, decidem formar um duo de Rap. Assim, as duas vão batalhar para conquistarem seus sonhos e saírem dos seus empregos atuais, que ambas desgostam - isso porque Shawna trabalha como camareira em um hotel e Mia se desdobra em bicos para sustentar a filha. Além disso, vão contar com a ajuda de Chastity (Joonica Booth), que enxerga o talento nas duas e concorda em ser sua empresária. Porém, conforme o sucesso vai se aproximando, algumas coisas irão mudar e mexer com a cabeça das protagonistas, botando em risco os valores que elas mesmo defendiam no início.