Quarenta por cento dos brasileiros apresentam colesterol alto, que é o responsável por originar doenças vasculares graves. O número integra um levantamento do Ministério da Saúde.
Nesta segunda-feira, quando a área médica volta-se para as ações do Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, aproveite a deixa e conheça um pouco mais sobre o transtorno, que, na maioria das vezes, age de maneira silenciosa e pode ser descoberto por meio do monitoramento dos níveis de gordura do sangue.
O colesterol é um tipo de gordura que desempenha funções importantes, como na produção da bile – que ajuda na digestão dos alimentos – e na formação de hormônios como testosterona, estrógeno e vitamina D. O colesterol divide-se em duas categorias: o LDL e o HDL.
O LDL, conhecido como colesterol ruim, acarreta o acúmulo de placas de gordura ou aterosclerose nas artérias, impedindo o fluxo de sangue aos órgãos e gerando, assim, o risco de infartos, AVCs, úlceras graves, necroses, gangrena e até a perda de membros.
Em pacientes portadores de doença cardiovascular (angina, infarto, derrame cerebral) ou doença nas artérias periféricas, o LDL é considerado alterado quando possui valor maior que 50 miligramas por decilitro (mg/dL). Já nos pacientes sem doenças cardiovasculares, é classificado como alto quando os níveis estiverem acima de 70 mg/dL.
O HDL, chamado de colesterol bom, atua como um limpador, pois retira a gordura das artérias e a transporta até o fígado para ser metabolizada e, então, eliminada do organismo. Neste caso, o seu nível deve ser alto, ou seja, acima de 40 mg/dL.
RISCOS
Por prejudicar diretamente o fluxo sanguíneo, o acúmulo de gordura põe em risco a saúde vascular, como explica o angiologista Fabio Henrique Rossi.
“As placas de gordura originam diferentes doenças, dependendo de onde elas obstruem a circulação. No cérebro, aumentam as chances de derrame. Já no coração, podem causar infarto ou angina [dor no peito]”, afirma Rossi.
“A aterosclerose é perigosa, já que a evolução muitas vezes é silenciosa. Nas artérias da perna, há o perigo da formação de trombo, com obstrução parcial ou total do vaso, podendo provocar dor ao caminhar e até provocando necrose e necessidade de amputação nos casos mais graves. Esse risco é ainda maior nos pacientes diabéticos”, alerta o médico, atual presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV-SP).
FIQUE DE OLHO
O angiologista destaca que, mesmo quando não apresenta sintomas, a condição é grave. “Na existência de doença arterial periférica, mesmo em assintomáticos, quando o diagnóstico é feito pela observação da redução dos pulsos ou quando existe diferença na pressão medida nas artérias de braços e pernas, que chamamos de índice tornozelo-braquial, os perigos à saúde são altos”, explica Rossi.
“Quando esse índice é menor que 0,9, ele é considerado um forte marcador de risco de morte para quem tem problemas cardiovasculares. Aliás, essa possibilidade é de duas a três vezes maior do que na população em geral. A chance de morte é até maior do que em pacientes que já tiveram infarto previamente”, reforça o médico.
MULHERES
De acordo com dados da Pesquisa Nacional da Saúde, a população com 45 anos ou mais que possui baixa escolaridade e pertence ao sexo feminino apresenta maior predisposição para manifestar colesterol alto.
São elas, as mulheres que se encaixam nesse perfil etário-social, que também acabam sofrendo os impactos na saúde vascular.
“A mulher tem as mesmas doenças vasculares que o homem, mas ocorrem em média 10 anos depois, ou seja, as mulheres têm a proteção hormonal do estrogênio até a menopausa, período em que o organismo reduz a produção
do hormônio”, detalha o dr. Rossi.
PREDISPOSIÇÃO
Ainda em relação à idade, segundo o médico André Faludi, a condição pode atingir diferentes faixas etárias, sempre se considerando a predisposição genética.
“Todas as pessoas acima dos 10 anos de idade devem ser submetidas à avaliação do colesterol e suas frações”, diz Faludi, que chefia a seção médica de dislipidemias de uma instituição de São Paulo especializada em cardiologia.
“A pessoa precisa ser analisada a partir dos dois anos de idade quando houver história familiar de doença cardiovascular precoce, história de colesterol alto na família ou se a própria criança apresentar depósitos de gordura na pele ou fatores de risco, como pressão alta, diabetes ou obesidade, e principalmente se for portador de doença cardiovascular”, afirma o cardiologista.
ROTINA
Um estilo de vida saudável, com o consumo moderado de alimentos gordurosos e a prática de exercícios físicos, é a principal ferramenta de prevenção da doença. O dr. Faludi recomenda dar preferência a alimentos de origem vegetal – frutas, verduras, legumes e grãos –, evitar frituras, não fumar e controlar a pressão arterial.
“É aconselhado limitar a ingestão de gorduras saturadas, diminuir os alimentos ricos em colesterol, como gema de ovo e fígado, e usar derivados de leite pobres em gordura, a exemplo do leite e do iogurte desnatados”, diz o médico.
A visita regular ao médico é fundamental para evitar maiores complicações, principalmente por se tratar de uma doença silenciosa e que pode vir a ser descoberta apenas em cenários nos quais já não há possibilidades de reversão.
“Trata-se de um quadro de saúde silencioso, e a única maneira de saber os níveis de colesterol é por meio do exame de sangue. Esse pode ser um problema, porque quando a doença dá sinais e sintomas isquêmicos, o caso já está avançado”, arremata Fabio Rossi.