A escolha de Guito para estampar as nossas Capas foi um espera grande em meio a uma agenda cheia de gravações e compromissos.
Conversamos com exclusividade com Guito que, carinhosamente nos contou sobre suas escolhas, momentos, da novela “Pantanal” e o propósito de ser pai.
O nosso amado Tibério de “Pantanal” fez agronomia, já foi operador da bolsa de valores, executivo da coca cola, dono de bistrô e sempre quis viver da música.
Diogo Brito (38), é casado há 15 anos com a médica veterinária Thalita Rage (32) e é pai de dois filhos, Heitor (7) e Lara (4).
“Eu crio os meus filhos para serem livres e não para dependerem de mim. A decisão mais difícil é justamente essa: criar os filhos para serem livres, inclusive, do amor, sem ter que ter uma dependência”, explica o ator.
Para viver o peão da fazenda de José Leôncio (Marcos Palmeira), Guito escreveu para o autor para pedir um espaço no remake, mas não teve resposta até receber outro telefonema e após longos seis meses veio o retorno positivo.
Guito contou desde o início com o apoio dos atores José Loreto (Tadeu) e Marcos Palmeira, porque nunca havia atuado, e foi daí que nasceu uma grande amizade entre eles.
Com seu jeito carinhoso, calmo, articulado e falante, Guito conversou com exclusividade com o B+ especial Dia dos Pais. Abaixo a entrevista na íntegra do Tibério, um dos maiores destaques e sucessos do remake da novela “Pantanal”.
CE: Guito antes de você chegar em “Pantanal” interpretando oTibério, você fez tantas coisas... Você sempre quis ser artista e viver da arte? Conta para gente sobre suas escolhas...
GS: “Se eu disser que eu não queria, eu vou estar mentindo. Mas, eu nunca tive pressa. E, na verdade, eu sou muito curioso. Eu sou um curioso nato. O meu propósito nunca foi ser famoso, mas, sim, viver de mim mesmo, ter um bom produto, no caso, a música.”
CE: Você morou fora, né?
GS: “Sim, eu morei na Dinamarca, tinha uma tia lá. E eu fui morar em república, porque não tinha condições de ficar em outro lugar. Após uns três meses aprendendo inglês, eu já quis bater asa, botei o violão nas costas e fui para Copenhage, e, depois, voltei para o Brasil. Nisso, eu tive um choque de cultura e decidi fazer Ciências Sociais porque queria salvar o mundo (risos).”
CE: Mas você não gostou das profissões que escolheu anteriormente?
GS: “Então, depois de um tempo, não quis mais fazer Ciências Sociais e pedi ao meu pai que me matriculasse em alguma faculdade. Foi ele que escolheu a minha profissão. Passei em Agronomia e adorei, porque é tudo muito amplo. Durante essa fase, eu tive as minhas bandas, inclusive, uma dupla caipira com o meu irmão. Tive também uma banda de rock. Aliás, rock e caipira nunca vi se parecem tanto... São gêneros que se preocupam muito mais com a auto diversão do que em vender algo. Depois eu me tornei executivo e fiquei alguns anos trabalhando com isso, e acabei abandonando um pouco a música na época. “
CE: E a volta à sua cidade. Como foi?
GS: “Nessa fase como executivo, eu trabalhei em uma empresa, onde fiquei por três meses e depois acabei sendo demitido. Voltei para a minha cidade, peguei o dinheiro que havia conseguido juntar e construí a minha casa. Passei por uma fase difícil, e foi quando reencontrei o meu propósito, que foi sempre o de viver de mim mesmo através da minha música.”
CE: Passou a viver do comércio após essa mudança?
GS: “Mesmo querendo viver da música, eu sempre busquei ter um outro tipo de renda, e aí foi quando eu decidi montar um bistrô e comecei a vender queijos e cachaças.”
CE: Como surgiu a ideia da Rural?
GS: “Quando eu ia fazer os meus shows, construí a Rural para ser o meu palco também, como se fosse a minha casa mesmo.”
CE: Depois começou a fazer shows?
GS: “Sim. Depois de ter passado por um período conturbado, as coisas começaram a andar, a insistência valeu a pena e eu comecei a fazer shows com as minhas próprias músicas. Em 2019, foi o meu auge. Depois, veio a pandemia e muitos shows foram cancelados. Tenho shows até hoje que foram vendidos na época e que ainda serão pagos.”
CE: Você viu a primeira fase da novela?
GS: “Eu tinha seis anos na época, lembro pouca coisa. Para ser sincero, nunca fui muito de assistir novelas.”
CE: Como é atuar com seus colegas de cena? Viraram uma família?
GS: “É uma experiência incrível. Eu tive muito a ajuda do Zé Loreto e do Marquinhos (Marcos Palmeira). Eles me tranquilizaram e me ensinaram muito, porque eu realmente não sabia como funcionava. Às vezes, a gente tende a se atentar muito ao texto, mas, na verdade, a intenção do texto que é o grande trunfo do autor. Ele coloca palavras que traduzem a intenção dele. Foi importante aprender isso.”
CE: Como entrou para a novela “Pantanal”?
GS: “Eu estava lavando louça no bistrô quando vi uma reportagem na internet de que iria ter o remake e mandei uma mensagem para o autor, que não me respondeu. Uma semana depois, eu recebi um telefonema de um produtor perguntando se era eu mesmo que tocava cerrote. E aí, me fizeram um convite para ir a um programa da TV Globo. Depois, uma pesquisadora de elenco me ligou e nós conversamos, ela passou para a direção e aí eu fiquei aguardando o retorno. Depois de seis meses, me disseram que eu havia sido aprovado. Eu não fazia ideia de que iria interpretar o Tibério, só tinha a intenção de fazer um peão violeiro. Fazer esse personagem foi uma surpresa para mim.”
CE: Como foi atuar pela primeira vez? Você teve algum medo?
GS: “Não, eu não tive medo porque eu estava disposto a fazer o que fosse preciso. Eu tinha consciência de que eu precisava estudar e foi o que eu fiz. A nossa preparadora de elenco teve um desafio enorme de nos instruir à distância, devido a COVID-19. Duas semanas anteriores ao início das gravações, foi quando nos encontramos e pela primeira vez eu estudei um texto junto com alguém. Foi tudo muito especial.”
CE: Você já conhecia o Pantanal?
GS: “O Pantanal, não. Já conhecia Campo Grande, Naviraí, Maracaju... Mas, o Pantanal, não. Lá é maravilhoso. O Pantanal é um cerrado com o diferencial das águas, ali, é como se fossem lençóis, não tem nascente, é um lençol freático que aflora, então, é muito baixo, estamos a apenas 50m acima do nível do mar, é um bioma completamente diferente em função disso. E é essa característica que leva tantos animais ao Pantanal. Você tem fatura de peixes, jacarés, onças etc, isso faz com que ele tenha um ecossistema único.”
CE: O que mudou em sua vida com a novela? Você se considera um galã?
GS: “Não sei se diria um galã, não (risos). Mas, o que mudou, foi uma escala maior para mostrar o meu produto, que é a minha música, e a minha visão sobre a arte da dramaturgia. Eu estou apaixonado por essa forma de se expressar e de contar história, que é linda. É muito bacana conhecer pessoas, ter mais proximidade, as conversas em si... É tudo muito gostoso.”
CE: E o Guito pai?
GS: “Eu crio os meus filhos para serem livres e não para dependerem de mim. A decisão mais difícil é justamente essa: criar os filhos para serem livres, inclusive, do amor, sem ter que ter uma dependência. Mas, ao mesmo tempo, é uma prisão você criar uma pessoa para amá-la... Dessa forma, eu sinto que eles sentem menos a minha ausência nessa fase que eu tô, por exemplo. Quando eu vou embora, eles falam: ‘você já vai?’, mas porque gostariam que eu ficasse para brincar e não porque encaram como uma despedida.”
CE: Uma frase...
GS: "Dedique a sua juventude encontrando o seu propósito. Divirta-se, conquistando-a!"