Correio B

SAÚDE

Parkinson: 10% dos casos ocorrem em pessoas abaixo dos 50 anos

Caso de apresentadora revelado recentemente destaca ocorrência de doença de Parkinson em pessoas com menos de 50 anos, que chega a 10% do total

“Chegou a minha vez de me libertar, porque viver com esse segredo é ruim. Você se sente vivendo uma vida fake, porque parte de você é de um jeito e você fica escondendo a outra parte de outras pessoas, no meu caso, a maioria das pessoas, porque sou uma pessoa pública. Eu fui diagnosticada com doença de Parkinson em outubro de 2018, quando tinha 45 anos. Hoje, eu tenho 49”.

O desabafo foi feito pela jornalista e apresentadora Renata Capucci, no fim de junho, em um podcast do “Fantástico”, da Globo. 

Famosa pelas aparições no programa de variedades e no “Popstar”, a jornalista conta que, de início, começou a mancar justamente durante as gravações do reality show, veiculado também aos domingos. Mas a ficha só caiu depois, no dia em que um de seus braços “subiu sozinho, enrijecido”.

Embora a doença de Parkinson predomine em pessoas com mais de 60 anos, estima-se que em cerca de 10% dos pacientes a doença se manifeste antes dos 50 anos, como aconteceu com Renata Capucci.

“A doença de Parkinson traz limitações físicas e pode afetar pessoas que estão no auge profissional ou começando a constituir família”, alerta o neurologista Tarso Adoni, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. O médico não cansa de lembrar do caso de Michael J. Fox, ator norte-americano que chegou ao estrelato como o Marty McFly da trilogia “De Volta Para o Futuro”. 

O astro recebeu o diagnóstico da doença em 1991, quando tinha 30 anos.

São experiências de pessoas conhecidas publicamente que chamam atenção para a importância que todos precisam dedicar aos sinais manifestados pelo corpo, além de procurar atendimento especializado caso identifiquem alterações no movimento.

Em um período de 25 anos, a ocorrência da doença de Parkinson dobrou em todo o planeta, atingindo 8,5 milhões de indivíduos, segundo um estudo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em junho. 

O levantamento também aponta que as mortes e os impactos na saúde como consequência do Parkinson estão aumentando de forma mais rápida que qualquer outro distúrbio neurológico.

No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas tenham a patologia. “O aumento dos diagnósticos também está relacionado ao crescimento do número de especialistas que trabalham com distúrbios de movimento e que são capazes de identificar mais rapidamente a doença”, afirma Renan Rocha, gerente de produto no Brasil de uma farmacêutica italiana que atua na produção de medicamentos do segmento.

Rocha participou recentemente de um evento na Europa com a presença de 250 neurologistas especialistas em distúrbios do movimento do mundo inteiro para debater sobre novos estudos, técnicas e medicamentos.

A prioridade em relação ao Parkinson tem sido o investimento em pesquisas capazes de promover a qualificação médica e a troca de informações em nível global. Todo esforço tem como meta antecipar o diagnóstico, retardar a progressão da doença e manter a qualidade de vida dos pacientes.

CAUSAS

O Parkinson é causado por uma degeneração progressiva dos neurônios que produzem uma substância chamada dopamina, um neurotransmissor que ajuda na comunicação entre as células nervosas e é essencial para o controle dos movimentos dos músculos. 

A ausência da dopamina causa tremores, ou seja, movimentos involuntários de braços, pernas e cabeça.

Mas nem sempre os tremores são o primeiro sintoma da doença. Na maioria das vezes, antes deles a pessoa desenvolve bradicinesia, caracterizada pela lentidão dos movimentos, quase sempre de um lado só do corpo.

De acordo com a médica Yvi Gea, uma das diretoras da farmacêutica italiana, existem outros sintomas que podem aparecer – os não motores – e que dificilmente são relacionados ao Parkinson, tais como quadros de tristeza, ansiedade, distúrbios de humor e do sono, depressão, problemas urinários, sintomas gastrointestinais e dores.

Atualmente, o diagnóstico da doença é feito com base na história clínica do paciente e no exame neurológico. Segundo Yvi, não há, por enquanto, nenhum teste específico para diagnóstico precoce ou prevenção da patologia.

A orientação é procurar um neurologista sempre que surgirem alguns dos principais sintomas: tremores involuntários em repouso, rigidez muscular, andar mais lento e arrastado, perda de expressão facial, depressão, ansiedade, dores musculares e constipação.

NO INTESTINO

Um dos tópicos que têm orientado o debate nos congressos da área é a possível correlação entre a doença de Parkinson e problemas no intestino. 

“Evidências recentes sugerem que uma mudança na composição do microbioma gastrointestinal pode desempenhar um papel importante na patogênese da DP”, diz a fisioterapeuta Mônica Bognar. “Antes, o foco das pesquisas era o cérebro. Agora, está sendo redirecionado do cérebro para os intestinos”, completa a especialista.

Dois estudos publicados no início deste ano por pesquisadores brasileiros reforçam a hipótese de que a evolução dos distúrbios neurovegetativos pode ser influenciada pela microbiota intestinal – conjunto de microrganismos que habitam o intestino. 

Os trabalhos descrevem a forma pela qual o desequilíbrio entre as bactérias patogênicas e benéficas do intestino – a disbiose – pode facilitar o surgimento da doença de Parkinson.

Em artigo publicado na revista iScience, em março, pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) descobriram que a proteína aSyn, agregada nos intestinos pela proliferação descontrolada de bactérias, pode migrar para o sistema nervoso central, iniciando um provável mecanismo do surgimento da patologia.

Ou seja, há evidências de que células específicas do epitélio intestinal possuem propriedades semelhantes às dos neurônios e podem estar relacionadas ao Parkinson e outras doenças degenerativas.

AUMENTO

A doença de Parkinson está aumentando mais rapidamente que outros distúrbios neurológicos. Em 2016, cerca de 6 milhões de indivíduos tinham diagnóstico de Parkinson, o que significa um aumento de 2,4 vezes se comparado com os dados de 1990. 

Nos Estados Unidos, 930 mil pessoas convivem com a doença. Na Espanha são 300 mil, o que representa um novo caso a cada 10 mil pessoas por ano.

Alguns estudos internacionais estimam que o número de pacientes com Parkinson no Brasil dobrará até 2030. 

Como o número de pessoas diagnosticadas com a patologia representa em torno de 3% da população com 60 anos ou mais, é possível que 630 mil indivíduos passem a conviver com a doença até o fim desta década. A projeção leva em consideração que existem, hoje, aproximadamente 21 milhões de pessoas nessa faixa etária no País.

TRATAMENTO

Como a doença é progressiva e não tem cura, as terapias ajudam a controlar os sintomas e permitem que o indivíduo continue exercendo suas atividades. 

O tratamento com medicamentos estimula a oferta de dopamina, aumentando a sua presença ou evitando a sua degradação, além da deterioração das funções cerebrais e do controle dos sintomas.

Quanto mais cedo se obtém o diagnóstico, mais chances de diminuir a progressão da doença e de melhorar a qualidade de vida ao lado de amigos e familiares, além de ampliar a capacidade produtiva dos pacientes. 

Além dos remédios, existem outros recursos terapêuticos, como fisioterapia, cirurgia e até o implante de um marcapasso cerebral que reduz os tremores e a rigidez dos músculos.

Diálogo

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (5)

05/11/2026 00h02

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje Foto: Arquivo

Continue Lendo...

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).