Tomada em conjunto, a cozinha europeia, em suas mais diversas expressões, forma um vasto e incontornável cardápio para os comilões de todo o planeta.
A onipresença dos pratos e de muitos dos acompanhamentos e ingredientes foi se consolidando par e par com o processo de colonização das “Índias” orientais e ocidentais, conforme o avanço da sanha exploratória por novos territórios e seus recursos naturais.
Nem o revezamento de bastão do poder global, de nações da Europa para os EUA, garantiu qualquer protagonismo para o menu original do Tio Sam.
Quando muito, pode-se atribuir o uso do termo “cozinha internacional” a uma forma de reconhecimento enviesado do poderio norte-americano, como acontece na premiação do Oscar, em que tudo que não for “made in USA” é categorizado como produção estrangeira.
A diferença é que os EUA sabem, e como, fazer filmes. Inclusive, com receitas bem próprias. Já na cozinha permanecem a pátria eterna – e sem nenhum agravo – do hambúrguer e do barbecue, o churrasco deles.
A curiosidade toda em meio a esses fatos históricos é que, por baixo do rótulo de “uma” cozinha internacional padronizada, diversos pratos foram se sobressaindo, a exemplo das duas receitas indicadas para sua odisseia culinária deste fim de semana.
A frittata italiana e a torta holandesa deixaram, há muito, de ser uma exclusividade dos seus países de origem para se espalhar pelo mundo como receitas palatáveis em territórios de todos os continentes.
E a introdução – ou permanência – dessas iguarias no cardápio norte-americano mais contemporâneo e popular, certamente, deu um impulso e tanto na globalização das duas delícias hoje tão apreciadas.
De tão comum por aqui, a torta holandesa parece ter, dos Países Baixos, apenas o nome.
É guloseima nacionalizada há tempos em todo o Brasil, com cara e gosto de quitute de avó. Já a frittata merece algumas linhas a mais.
FRITTATA
Nem tortilla nem omelete. Apesar de volta e meia ser comparada com essas duas receitas, a frittata, embora guarde, sim, alguma semelhança, tem seu próprio pedigree. Trata-se, basicamente, de um preparo à base de ovos, leite e bastante recheio, “que se assemelha ao omelete”, como as definições que você pode encontrar facilmente nos livros e sites de culinária.
Essa confusão começou a ser desfeita desde os anos 1950, mas ainda prospera em muitas cozinhas e mesas.
A verdade é que a frittata é produzida com itens que dão mais “sustância”, transformando-a sem dificuldade, conforme o freguês, em prato principal.
A frittata de batata, como a que você poderá aprender a fazer com a receita desta página, é capaz de operar dois milagres.
Fica supimpa e com aspecto, digamos, mais descontraído, literalmente, quando é frita. Se trocar o abrigo da frigideira por uma travessa que vai ao forno, vai ficar cremosa por dentro e crocante por fora.
ETIMOLOGIA
O termo deriva do italiano fritta, regência no feminino do particípio passado do verbo friggere (fritar). Para os mais radicais, a frittata deve ser redonda e alta, de acordo com o formato da panela. Ou seja, nada de forno.
Deve ainda apresentar consistência já no teste do “olhômetro” e ser recheada com “quase tudo”, como assevera um famoso chef, para quem uma das únicas restrições (“uma das poucas heresias”) é a alface.
Também que o recheio seja misturado aos ovos antes de ir ao fogo (baixo). E, para ser 100% do jeitinho italiano, a frittata tem de ser fatiada antes de ser servida.
Outro chef estrelado ensina que, fria, ela é antepasto, e quente, prato. Os mestres do avental também reforçam uma recomendação: não bater demais os ovos. A tradição manda, ainda, não deixar a mistura fritar até ficar dourada. No mais, basta usar a tampa da panela como suporte no momento de virá-la.
Frittata
Ingredientes
> 3 colheres (sopa) de manteiga sem sal;
> 4 ovos;
> 2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado;
> 2 colheres (sopa) de salsinha picada;
> 4 batatas médias (600 g);
> Sal e pimenta-do-reino a gosto;
> 1 cebola grande ralada.
Modo de Preparo
Passo 1 – bata ligeiramente os ovos. Junte o queijo ralado e a salsinha e reserve.
Descasque as batatas e passe-as pelo ralo grosso. Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto. Acrescente a cebola ralada. Coloque tudo na mistura de ovos e mexa bem.
Passo 2 – aqueça a manteiga em uma frigideira. Despeje a frittata e deixe cozinhar até o lado de baixo dourar. Vire a frigideira sobre um prato e coloque a frittata novamente na frigideira, desta vez, com a parte dourada para cima. Doure o lado de baixo. Em seguida, coloque em um prato. Deixe esfriar um pouco antes de cortar em fatias.
Torta holandesa
Ingredientes
Creme
> 250 g de manteiga sem sal;
> 200 g de açúcar refinado;
> 5 colheres (sopa) de leite condensado;
> 3 caixinhas de creme de leite;
> 5 gotas de baunilha;
> 15 g de gelatina incolor.
Cobertura
> 200 g de chocolate ao leite;
> 600 g de creme de leite.
Base e lateral
> 180 g de biscoito tipo maisena;
> 200 g de biscoito tipo calipso.
Modo de Preparo
Creme
Três horas antes do preparo da receita, coloque o creme de leite e o leite condensado para gelar.
Em uma batedeira, bata a margarina e o açúcar refinado até obter um creme quase branco.
Retire o creme da batedeira e adicione o leite condensado, mexa com o auxílio de uma espátula até incorporar.
Junte o creme de leite na mistura e mexa bem.
Acrescente as gotas de baunilha e a gelatina incolor já hidratada, conforme instruções da embalagem.
Cobertura
Em uma panela, coloque o creme de leite e o chocolate cortado em pedaços pequenos. Mexa em fogo médio até o chocolate derreter e se incorporar ao creme de leite. Em seguida, desligue o fogo e deixe esfriar.
Montagem
Cubra o fundo de uma forma forrada com plástico ou com fundo removível com o creme e com a bolacha tipo maisena.
Leve para a geladeira até esfriar bem.
Tire da geladeira e espalhe a cobertura de chocolate também já fria sobre o creme. Leve novamente para refrigerar.
Desenforme e coloque o biscoito tipo calipso nas laterais na hora de servir.