Por Ana Cláudia Paixão
“Bem, finalmente está aqui, pessoal. A noite mais especial da TV, onde as maiores estrelas da televisão celebram outras estrelas na televisão enquanto todos assistem em casa – na televisão. Quero dizer, se não fosse pela TV, o que faríamos em nosso tempo livre? Ler livros? Ninguém nesta sala leu um livro nos últimos 50 anos. Assistir TikTok? Oh, você quer dizer televisão pequena e vertical?”, cutucou o apresentador Kenan Thompson na abertura do 74º Emmy Awards.
O evento que voltou a ser 100% presencial, como se tivéssemos voltado a 2019, pareceu exatamente que voltamos no tempo.
O fato de que três anos depois a piada de abertura ainda seja brincando com a rivalidade de distribuição dá um pouco de preguiça.
Afinal, o consumo de conteúdo hoje é completamente mesclado e, mesmo que as plataformas estejam aos poucos adotando o modelo comercial tradicional (sem assinatura, mas com anúncios), não há volta ao que se chamava de “TV”.
“Tudo” pode ser TV e é. E, em um mundo de algoritmos, seria surpresa que quase não houve surpresa entre os vencedores? Cantei a lista de vencedores quase sem erros ainda em julho.
O que não muda com o tempo é a longa duração da festa.
Cerca de três horas, em plena segunda-feira.
Discursos que listam agentes, diretores, Deus e parentes também são usuais. Mas o meu mau-humor não é por conta dos vencedores.
Todos merecidos e muitas atuações e séries que falei aqui na coluna do Caderno B+.
Por exemplo, Michael Keaton, deu show e ganhou por “Dopesick”, no Brasil na plataforma Starplus. Murray Bartlett também estava incrível em “The White Lotus”, da HBO que ainda levou prêmios de atriz coadjuvante (Jennifer Cooldidge), melhor roteiro e melhor direção.
Matthew Macfadyen perdeu em outro ano, mas era impossível tirar dele o reconhecimento de sua interpretação em “Succession”.
A atriz Julia Garner levou o terceiro Emmy por seu trabalho em “Ozark”, da Netflix e Amanda Seyfried veio como favorita por interpretar Elizabeth Holmes em “The Dropout” (Starplus).
A sensacional e deliciosa “Ted Lasso” se mantém dominando as premiações (melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor série de comédia) e Zendaya e Jean Smart também eram esperadas por “Euphoria” e “Hacks”, ambas da HBO.
A febre da pandemia, “Squid Game” levou prêmios importantes também, assim como minha favorita, “Only Murders in the Building”, que rendeu um Emmy para Nathan Lane.
Os momentos históricos da noite vieram com a vitória da elogiadíssima “Abbott Elementary”, que fez da atriz Sheryl Lee Ralph a segunda vencedora negra na história na categoria de melhor atriz coadjuvante em uma série de comédia.
A primeira foi há 35 anos. E a cantora Lizzo ganhou com seu formato de game-show criado para a Amazon Prime Video, “Lizzo’s Watch Out for the Big Grrrls”.
Fora isso, a série “Succession” segue dominando os prêmios na categoria drama, mas alguém pode reclamar? A série é densa, surpreendente e uma das melhores coisas disponíveis no momento.
O que fica claro é que hoje praticamente já podemos pensar quem serão os vencedores de 2023.
A mudança na votação para os indicados reduziu a inclusão de menos candidatos de um mesmo título, trazendo mais chances de criar novidades. E meu algoritmo sabe: estarei acompanhando, como sempre faço, todas as premiações. Como sempre!