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Dá licença Han Solo, Cassian Andor é o melhor (anti) herói da Galáxia

Em Rogue One é a história de Jyn Erso (Felicity Jones) que conduz a trama

Denis Felipe

Denis Felipe

23/09/2022 - 10h11

Por Ana Cláudia Paixão

Quando Cassian Andor (Diego Luna) aparece no filme de 2016, Rogue One, logo perdemos a dúvida de que ele poderia ser um “novo Han Solo“. 

Sem humor ou malícia da personagem icônica de Harrison Ford em Star Wars – A Nova Esperança, Cassian é o anti-herói trágico, sem tempo para piadas ou aventuras. Denso, complicado e imprevisível.

Sou muito fã de Rogue One cujo argumento base é dar aos heróis sem nome o crédito que mereciam. 

Com isso, a frase de abertura do filme de 1977, que nos explica que “espiões rebeldes conseguiram roubar planos secretos para a arma suprema do Império, a ESTRELA DA MORTE”, finalmente endereça esse importante momento na guerra entre o Bem e o Mal. 

Até porque, ninguém menciona quem foram esses heróis, nem mesmo quando a Princesa Leia, Luke Skywalker, Obi-Wan Kenobi e sim, Han Solo, levaram o crédito sozinhos pela vitória. Uma injustiça que precisou quase 40 anos para ser endereçada. 

E, sem sutileza, descobrimos que os espiões eram renegados, pobres, estrangeiros e esquecidos que abriram mão de suas vidas para salvar a Galáxia. 

Isso mesmo, a crítica social não foi sutil.

Em Rogue One é a história de Jyn Erso (Felicity Jones) que conduz a trama. Mas é Cassian Andor que nos deixa curiosos pois ele é genuinamente cínico com os dois lados e sua decisão de ajudar Jyn foi essencial para a conclusão da história, uma das mais tristes de todas em Star Wars. Ficamos nos perguntando como Cassian chegou até lá e Andor responde tudo. 

Estrelada mais uma vez por um poderoso Diego Luna (que em 2016 ganhou o papel de outros nomes testados, como Aaron Paul, Edgar Ramirez e Sam Cafflin), a série também mantém o roteirista Tony Gilroy, o que garante continuidade e qualidade.

Para situar onde estamos, voltamos cinco anos antes dos eventos de Rogue One, no momento em que a Aliança Rebelde ainda está se organizando. Reencontramos Cassian da mesma forma que o conhecemos no filme, em busca de uma informação e cometendo um crime para apagar seus passos. 

No entanto, paralelamente vamos finalmente tendo a explicação de quem é o jovem rebelde.

Ao disponibilizar os três primeiros episódios de Andor no mesmo dia, a Disney nos permite ter um contexto sobre a personalidade do herói e triplicar a emoção da história. 

Vindo de um planeta considerado um lixo na galáxia, Kenari, Cassian tem ressentimento pela República pois foi a partir da queda de uma nave republicana que sua vida mudou. 

Os nativos de Kenari são perseguidos e ele acaba separado de sua irmã, a quem busca incessantemente desde então. Cassian foi salvo por Maarva (Fiona Shaw, SEMPRE impactando qualquer cena em que apareça), que ocupa a posição de mentora e mãe para o menino.

Não vou dar mais detalhes e spoilers porque a série merece ser degustada. 

O que importa é que ao mostrar que em regimes políticos – lembremos que o Império ainda não está no comando, é a República – há campos cinzentos e escolhas erradas de ambos os lados. 

Ao ser exposto e passar a ser perseguido, Cassian é forçado a juntar esforços com Luthen Rael (Stellan Skarsgård), que passa ocupar a posição de mentor e figura paterna. 

O antagonista direto é o esforçado (e fraco de personalidade) Syril Karn, interpretado por Kyle Soller. Syril é o oposto do rebelde em tudo e por conta de suas ambições (e erros), terá como principal missão capturá-lo, criando obstáculos a cada episódio.

Com ritmo, boa fotografia e linda trilha sonora, a principal qualidade de Andor está nas relações humanas (e com andróides), complexas e plausíveis. Não há humor ou leveza, mas é o que realmente nos faz identificar com a motivação dos personagens. Se continuar assim, será uma das melhores do ano.

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