Why Not by Gugliato; Bocaiúva Moda Inclusiva; Touché; FNK; Anderson Bosh Casa de Criações; FM; Kaori Confecções; Lidyloo; Lauren Cury; Roupável; Emília Leal Arte Nativa. São essas as marcas que desde ontem, e até o próximo sábado, ocupam o Armazém Cultural (Av. Calógeras, 3065, Centro) com criações exclusivas que serão apresentadas em uma série de desfiles.
Ao lado da Inel Classic e da Colab Indígena (Natielly Terena; Sullivan Terena; Benilda Kadiwéu; Ateliê Terena), as grifes são o destaque da 1ª. Semana de Moda Autoral de MS, que, além da passarela, oferece capacitações para profissionais ligados ao setor têxtil.
Todas as atividades são gratuitas.
Confira a programação no Instagram @modaautoralms e, abaixo, uma entrevista com Anderson Bosh, coordenador do evento, que já é considerado um divisor de águas.
Qual a proposta geral da Semana?
A Semana surge de uma necessidade de mostrar para o Brasil a moda que é produzida aqui.
Um evento onde todo mundo se reúne, traz pessoas de fora do país conectadas com essa linguagem para a troca, experiência, formação, e, principalmente, para visibilidade.
O evento todo é instagramado e veiculado na internet. Isso vai chegar ao mundo. Somos nós de MS dando os primeiros passos para conquistar o mercado lá fora.
O que o estado tem de diferente para mostrar nesse segmento?
O grande tchã do momento é a slow fashion. Uma pequena coleção, de 30 e poucas peças, e que são exclusivas. Isso é um boom nacional mas também internacional.
A moda, antes de mais nada, é a segunda maior poluidora do mundo. Gasta muita água para fazer moda. Gasta-se muita tinta e muito detergente para fazer moda.
O tecido é produzido dessa forma e o descarte das grandes indústrias vestuárias é sempre na natureza. Então compramos essa responsabilidade ambiental, ecológica, social.
Dentro do slow fashion existe um nicho chamado upcycling, que seria reaproveitar aquilo que já existe, ressignificar e colocar o mercado de novo. Não descartar.
Qual o investimento na produção do evento?
A gente está fazendo um evento de R$ 460 mil, pequeno em relação aos eventos que acontecem no país. O primeiro investimento é do Movimento de Moda Autoral de MS (criado em 2020).
Aí temos apoios da Fundação de Cultural de Mato Grosso do Sul, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e da iniciativa privada.
O que falta para a moda de MS acontecer lá fora?
Incentivo, principalmente da iniciativa privada, que, enxergando o potencial dos criadores daqui provavelmente vai injetar nessa linguagem.
A moda ficou abandonada por conta da pandemia e aí a gente se uniu. É uma linguagem criadora. Portanto é artístico e cultural. Os governos entenderam isso e nós passamos a fazer parte da carta de linguagens culturais. É questão de tempo e a gente foi meio meteórico, meio Luan Santana. Porque, dentro de dois anos, nenhuma outra linguagem artística do estado conseguiu alavancar tanto poder e tanta visibilidade ao ponto de realizar um evento desse porte.
Semana de Moda será realizada até sábado, em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação)