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TURISMO

Copa no Catar deve ocupar hotéis, tendas, navios e contêineres

Apesar da grande força-tarefa, que envolve 240 novos hotéis, país árabe vai precisar de tendas, navios, contêineres e casas móveis para acomodar os quase 1 milhão de torcedores previstos para o mundial de futebol

Além de ser o primeiro estado árabe sede da Copa do Mundo, o Catar está enfrentando outro desafio: acomodar todos os visitantes durante o evento, de 20 de novembro a 18 de dezembro.

O pequeno estado, localizado no Golfo Pérsico, tem uma população de aproximadamente 2,9 milhões de pessoas e deve receber quase 1 milhão de turistas durante o mais importante torneio de futebol do planeta.

Por conta disso, além de providenciar a construção de estádios apropriados para receber o evento, o Catar teve de fazer diversos investimentos para receber seus visitantes, tanto em construções – algumas tiveram de ser levantadas do zero – como em enxovais e roupas de cama para hotéis, a fim de receber bem os turistas.

Mas, mesmo assim, seleções, profissionais da imprensa e torcedores que pretendem prestigiar a competição ainda estão enfrentando dificuldades para encontrar hospedagem disponível durante a Copa. Por conta desse cenário, muitos turistas estão reservando hotéis que fogem do convencional e incluem até mesmo tendas no deserto.

Para entender por que essas hospedagens alternativas se tornaram uma solução diferente, mas eficiente, é importante lembrar os motivos por trás do deficit de quartos de hotel no país mais rico do Oriente Médio.

POUCOS LEITOS

Apesar de ser estreante na Copa do Mundo, o Catar é um país que conseguiu se consolidar como destino turístico nos últimos anos. Estima-se que o estado árabe receba cerca de 2 milhões de turistas por ano, atraídos pela arquitetura, pelo comércio e pelo estilo de vida luxuoso que pode ser desfrutado no país.

Para receber adequadamente tantos visitantes, o país também investiu na construção de uma infraestrutura adequada. O problema é que o investimento não foi suficiente para atender a grande demanda relacionada à Copa do Mundo.

Por isso, o Catar propôs a construção de mais de 240 prédios, como hotéis, vilas e complexos, e o preparo de quase 140 instalações para o público sazonal, incluindo navios suntuosos. Tudo para atender os quase 1 milhão de turistas esperados para o evento, além das 32 seleções e de profissionais de imprensa do mundo todo.

Porém, o aumento explosivo da procura por leitos durante o período dos jogos fez organizadores e empresas ligadas ao turismo adotarem medidas pouco convencionais. Inicialmente, milhares de quartos de hotel foram bloqueados pelos organizadores da Copa com o objetivo de garantir acomodação para as equipes, os patrocinadores e seus convidados, funcionários, convidados reais (o Catar é uma monarquia) e torcedores que reservaram pacotes para o evento.

Esses quartos começaram a ser liberados para reserva do público em geral apenas em setembro, e muitas opções de hospedagem ainda estão em fase de construção. A expectativa é de que a taxa de ocupação dos hotéis fique em torno de 90% durante a competição.

NADA CONVENCIONAL

Embora o deficit de hospedagem seja considerado um problema para alguns, ele também tem sido visto como oportunidade para outros. É que tanto os organizadores da Copa quanto os moradores do Catar tiveram de improvisar para atender o grande volume de turistas. Assim, quem quiser prestigiar o evento terá a oportunidade de se hospedar em locais bem diferentes do convencional.

Além de acomodações no estilo Airbnb, os turistas poderão se hospedar em quartos de navios de cruzeiro luxuosos ancorados no porto de Doha, capital do país, e até em tendas de camping no deserto.
Outra solução providenciada pelos organizadores são as chamadas vilas dos torcedores, compostas por contêineres ao ar livre e casas móveis de construção rápida para abrigar os turistas durante o evento.

COTAÇÃO LÁ EM CIMA

Em geral, o valor da hospedagem em cidades turísticas, especialmente durante eventos internacionais como a Copa do Mundo, é mais alto do que a média. Afinal, a disputa por hospedagens é grande e, quanto maior a procura, maior o valor cobrado pelo serviço.

No Catar, essa regra não é diferente, mas é intensificada pelo fator “improviso”. As soluções alternativas apresentadas para suprir o deficit de quartos de hotel vão custar caro para os turistas.

Uma acomodação simples do Airbnb, por exemplo, pode ser encontrada por cerca de US$ 4 mil por mês (R$ 20,7 mil) durante os dias do evento. Para se ter uma ideia, o valor cobrado para três a quatro noites de hospedagem em um Airbnb durante a Copa do Mundo da Rússia foi de, em média, 
US$ 55,27.

Quem procura hotéis de alto padrão, especialmente aqueles localizados em Doha, terá de pagar ainda mais caro. Para se hospedar no hotel cinco estrelas Hyatt Regency, por exemplo, terá de desembolsar cerca de € 15.856 ou R$ 82.150 por cinco dias de hospedagem durante o início do torneio.

Mesmo um hotel mais simples ainda tem um preço bem elevado. No My City Residence, por exemplo, hotel três estrelas localizado em Doha, o torcedor terá de desembolsar cerca de 
€ 8.965 ou R$ 46.447 por apenas cinco diárias.

Até mesmo os hotéis mais novos estão com o preço elevado. O resort all inclusive Rixos Gulf Hotel Doha, por exemplo, empreendimento construído recentemente em função da Copa do Mundo, com 378 opções de hospedagens, tem quartos disponíveis a partir de R$ 5.323.

Mas seus hóspedes também podem se hospedar em cabanas privativas de luxo, cuja diária pode ultrapassar R$ 48 mil por noite. As opções mais baratas estão concentradas mesmo apenas nas vilas dos torcedores. A diária na acomodação simples, que oferece chaleira e duas garrafas de água por dia, custa cerca de US$ 207 ou R$ 1.072. No entanto, a maioria das reservas nesse espaço já estão esgotadas.

COPA MAIS CARA

Os turistas também devem estar preparados para outras despesas. A estimativa é que, graças aos custos de serviços e de alimentação praticados durante o evento, essa está sendo e será uma das Copas mais caras da história para o torcedor visitante.

Quem quiser tomar uma simples cerveja, por exemplo, deve estar disposto a pagar mais. Como existem restrições na venda de bebidas alcoólicas no país, um copo de 500 ml de cerveja pode ser encontrado por R$ 60, preço praticado nos bares licenciados de hotéis internacionais.

Mesmo assim, os valores não parecem intimidar. Segundo a Federação Internacional de Futebol (Fifa), já foram vendidos cerca de 2,45 milhões de ingressos para os 64 jogos, envolvendo 32 seleções diferentes na competição. Inclusive, os brasileiros estão entre os que mais compraram ingressos, junto com torcedores do Catar, da França, da Argentina, da Alemanha, da Inglaterra e da Arábia Saudita.

LUCROS

Segundo os prognósticos, o faturamento das empresas ligadas ao setor de turismo também vai ficar lá em cima. Por exemplo, no Brasil, apenas uma das empresas que comercializam ingressos e pacotes turísticos para o Catar espera faturar quase US$ 30 milhões durante o mundial.

Gigantes do setor aéreo, como a Qatar Airways e a Emirates, vão aumentar o número de voos para o país no período da Copa e esperam ter o maior faturamento da história para as linhas do Catar e de Dubai. A Qatar Airways, que mantém dois voos diários – transportando 7,4 mil passageiros por semana – de Guarulhos (SP) a Doha, passará a ter mais um voo por dia na rota.

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