Nada mais clássico do que no fim de semana de Halloween assistir a filmes de terror, né? Particularmente, não curto, mas como minha irmã gêmea AMA fui obrigada a conceder algumas vezes e passar pela tortura. Mas há algo em comum de muitos filmes do gênero: uma trilha sonora inesquecível.
Seja em A Profecia, Halloween ou O Exorcista – para citar poucos – as melodias contribuem para nos deixar tensos e emocionados.
Pena que os bons e “clássicos” longas de terror psicológico estejam difíceis de achar hoje em dia nas plataformas, em especial o meu favorito, que completou 60 anos em 2021: Os Inocentes.
Costumava estar no acervo do Telecine Play, se encontrar, não deixe de conferir.
Os Inocentes é uma adaptação do livro A Volta do Parafuso, de Henry James, e é considerado ainda hoje um dos melhores já feitos no cinema.
Uma versão mais recente da história foi adaptada para a Netflix: A Maldição da Mansão de Bly (outra obra com uma trilha sonora sensacional), mas não chega perto do longa estrelado por Debora Kerr.
Filme Os Inocentes - Reprodução Internet
O livro de Henry James, que li e amo, foi publicado pela primeira vez em 1898, não é longo e é definitivamente apavorante.
O autor usou os elementos tradicionais góticos – uma mansão isolada, fantasmas, crime, sexo, religião – e acrescentou duas crianças à trama. É a tal “volta do parafuso” que dá título à obra original e amarra todos os itens de uma boa história de horror.
Para fechar a equação quem conduz a narrativa na primeira pessoa é uma jovem governanta com uma suscetibilidade (ou imaginação?) perigosa para assuntos do além.
Imbatível, afinal histórias de fantasmas podem surpreender quando contada por uma mente brilhante como a de Henry James.
Em 1950, o dramaturgo William Archibald fez uma adaptação do livro para os palcos.
Embora existam muitos estudos que colocam a obra como um estudo sobre repressão sexual, William tratou as experiências sobrenaturais de Miss Giddens (Kerr) como reais, tanto no teatro como mais tarde no filme de 1961.
Ou seja, espíritos eram entidades legítimas, mesmo que Henry James deixe isso em aberto.
Porém o diretor Jack Clayton, que assina o longa, era adepto da versão psicológica e queria manter a dúvida, por isso trouxe o escritor Truman Capote para ajudar na versão final do roteiro.
A Maldição da Mansão Bly - Divulgação NetflixBatizado como Os Inocentes, o filme mantém a base da história que é relativamente simples: uma jovem governanta é contratada para cuidar de duas crianças em uma mansão isolada, mas logo começa a desconfiar que a casa é assombrada.
Determinado a inovar em tudo, o diretor optou deliberadamente por um filme em preto e branco e trouxe a estrela Deborah Kerr para o papel principal.
A escuridão dentro da casa é calculada nos mínimos detalhes para aumentar a tensão, com a música e as interpretações muito mais apavorantes, sem nada mostrado com clareza, com foco aprofundado e sombras completando o apavorante resultado.
Outro detalhe copiado desde então foi a abertura, com os créditos só começando depois de 45 segundos de tela preta ao som da lindíssima valsa Oh Willow Waly, cantada por uma criança.
O efeito foi tão certeiro que Roman Polanski se inspirou em Os Inocentes para fazer O Bebê de Rosemary.
Na falta do clássico, A Maldição da Mansão de Bly pode ser a opção, apesar de já avisar, estar longe do que fez o filme ser brilhante. A série foi febre no início da pandemia com os três primeiros episódios efetivamente calcados na história de Henry James, e depois fantasia total.
A ótima Victoria Pedretti captou bem a instabilidade emocional da governanta e está mais próxima de idade com a personagem do que Deborah Kerr. Além dela, as crianças estão bem apavorantes.
E lembre, mesmo que não acredite em bruxas, elas existem...