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LITERATURA

Professores da UFMS fazem lançamento coletivo de suas obras

Do engajamento político e identitário ao misticismo cosmológico, quatro professores do curso de Letras da UEMS e da UFMS assinam livros de conto e poesia que ganham lançamento amanhã, no Sesc Cultura, a partir das 19h

Cauê Reis

27/03/2023 - 10h30

E se os professores derem um tempo das regras formais e rígidas impostas pela escola? Alunos, literatos e outros curiosos na resposta dessa pergunta podem conferir o resultado em forma de prosa e poesia com a assinatura de nomes, talvez, mais conhecidos na sala de aula.

Amanhã (28), a partir das 19h, quatro escritores de Campo Grande, que atuam como professores do curso de Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) se reúnem para um lançamento coletivo no Sesc Cultura.

Durante o evento, com acesso gratuito para todo o público, Flávio Adriano Nantes, Fábio Dobashi, Volmir Cardoso e Ravel Paz trazem quatro obras plurais, oferecendo aos leitores uma pluralidade de perspectivas, sentimentos, realidades e experiências.

Em comum entre os escritores, além do amor pela escrita, também está o amor pela educação e o desejo de mobilizar uma lírica pessoal sobre um universo temático bem diversificado e candente.

Durante o lançamento, em uma conversa mediada pela escritora Adrianna Alberti, os quatro autores poderão dividir com os espectadores parte de seu processo criativo e o que eles podem esperar dessas leituras. Confira um pouco sobre cada obra e o perfil de seus autores.

INVISIBILIZAÇÕES

Flávio Adriano Nantes apresenta “Palimpsestos de Silêncios”, publicado em 2022 pela Editora Libertinagem.

A proposta do livro de poesia é tratar, conforme indicação do próprio título, de um amontoado de silêncios perpetrados historicamente contra determinados sujeitos; estes, nos poemas, enquanto entidades líricas, reivindicam vozes silenciadas.

Flávio explica que os poemas se transformam, então, na própria “materialização ou metaforização do silêncio, ganhando significações ao representar sujeitos-corpos invisibilizados”.

COVID-19 E NEOFACISMO

Volmir Cardoso traz o livro “A Peste e o País que se Perdeu”, publicado pela Kotter Editorial no ano passado. Os poemas deste livro foram escritos entre 2020 e o início de 2022, período em que o País e o mundo foram flagelados pela pandemia de Covid-19.

“Não bastasse a ‘peste’ viral, outras seguiram assolando o presente brasileiro, muitas delas advindas de nosso passado histórico, como fantasmas indissipáveis. O neofascismo militarista, com traços milicianos e religiosos, a violência interminável contra índios, negros, mulheres, sem-terra e gays, a algoritmização da vida, o desamparo que corrói o verniz da sociedade de consumo, enfim, todos esses temas se desdobram em personas líricas, em poemas sem pontuação cuja leitura leva inevitavelmente à perda do fôlego”, explica o autor.

ESPAÇO-TEMPORALIDADES

Fábio Dobashi apresenta o livro de contos “Batateogonia e Outras Histórias”, publicado em 2021 pela Mireveja Editora.

A obra, segundo ele, é um conjunto de textos concebidos ao longo de mais de duas décadas, não exclusivamente pelo autor, como também por “entidades de diversas dimensões espaço-temporais, que falam” através dele. As narrativas abarcam a trajetória do ser humano no planeta, desde a sua origem. 

TERROR E SCI-FI

Ravel Paz apresenta “O Poodle Preto e Outras Histórias Sinistras”, publicado em 2022 pela Editora Selo Jovem. O livro traz quatro contos, misturando terror, humor, ficção científica e dilemas adolescentes, tudo recheado com referências literárias e à cultura pop.

Vitrine docente

“Palimpsestos de Silêncios”

Advindos do apagamento social e histórico contra “determinados sujeitos”, os poemas do livro se transformam, então, na própria materialização e metaforização do silêncio, que ganha significações ao representar sujeitos-corpos invisibilizados.

A obra é dividida em três partes – silêncio primeiro, silêncio segundo e silêncio terceiro –, que se ligam por um fio “est(ético)” e se coadunam para completar um sentido global.

Na primeira e na terceira parte, os poemas indicam os sujeitos “do/para” o silêncio; na segunda, que une as outras duas, os poemas elucidam como eles são construídos a partir “do/no” silêncio.

FLÁVIO ADRIANO NANTES

É um escritor nascido em Campo Grande, onde atua como professor e pesquisador na área de teoria e crítica literária, na UFMS, articulando e orientando pesquisas entre o texto literário e as proposições teórico-críticas dos Gender Studies, Feminismos Plurais, Estudos Interseccionais, Vidas Subalternizadas/Precárias, Estudos LGBTs e do Patriarcado Eclesiástico.

Coordena o Coletivo de Estudos e Pesquisa em Literatura e Estudos de Gênero Federico García Lorca (Colege). O autor publicou, pela Penalux, o livro de contos “Desejo Sitiado”. Foi duas vezes finalista do Prêmio Off Flip de Literatura.

Tem contos e poemas publicados em revistas e espaços independentes. Autodeclara-se um gay feminista e militante no combate à violência “perpetrada ainda no hodierno contra determinados corpos”.

“Batateogonia e Outras Histórias” 

Trata-se de conjunto de textos concebido em circunstâncias muito peculiares, passando pelos tempos de “Terra Pré-plana”, nas “Aventuras de São Bigolin”, chegando até os nossos dias, em “O Nariz”, para finalmente mirar o porvir, em “A Invasão das Bacttrkias Fenuczianas”.

Já o conto “Sonho de Uma Noite de Verão” dialoga com todos os anteriores, em um plano de sentido submerso, que é preciso estar atento para captar, como alguém que escuta a passagem do tempo no fundo do oceano.

FÁBIO DOBASHI

É autor de “Diário de Um Hemorroidário” (2016). Formado em Jornalismo, pela Unesp de Bauru; e em Letras, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mestre e doutor em Teoria e História Literária – Literatura Brasileira, pela Unicamp, atua como docente de Literatura na UEMS desde 2008, sendo desde 2012, em Campo Grande, como professor efetivo.

Desenvolve projetos de pesquisa, ensino e extensão sobre a Literatura Fantástica e temas afins. Algumas de suas histórias foram adaptadas para a linguagem audiovisual, como “Batateogonia” (2007) e “As Aventuras de São Bigolin na Terra Pré-plana” (2019), pelo produtor Ricardo Botini; e “A Biografia Não Autorizada de São Bigolin” (2021), pelo diretor e ator Robson Marx.

“A Peste e o País que se Perdeu”

No livro, o autor tenta “escavar” os escombros da vida contemporânea brasileira. Seus poemas foram escritos entre 2020 e o início de 2022, período em que o País e o mundo foram flagelados pela pandemia de Covid-19.

Mesmo ante uma “dificuldade de respirar e conspirar, o verbo não recusa o desejo revolucionário, vislumbra utopias tecnosselvagens (como se Oswald de Andrade conversasse com Antonio Negri), torce as palavras em arranjos visuais sobre a página, reescreve a Carta de Caminha, sonha fundar um novo país, ainda que os versos indigestos, forjados sob um luto social mal cumprido, sejam inevitáveis”.

VOLMIR CARDOSO

Nascido em Batayporã (MS), é doutor em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e atua como professor na UEMS. Desenvolve pesquisas sobre literatura contemporânea, estudos interartes e crítica materialista.

“O Poodle Preto e Outras Histórias Sinistras” 

Composto de quatro contos, “O Poodle Preto e Outras Histórias Sinistras” mistura terror, humor, ficção científica e dilemas adolescentes, tudo recheado de referências literárias e à cultura pop.

RAVEL GIORDANO PAZ

Nasceu em 1972, no Rio de Janeiro (RJ), mas passou parte da infância e a adolescência em Corumbá (MS). Cursou Letras na UFMS, em Campo Grande, fez mestrado em Teoria e História da Literatura na Unicamp e doutorado em Letras Clássicas e Vernáculas na Universidade de São Paulo (USP).

É professor de Literatura na UEMS desde 2012. É autor do estudo “Serenidade e Fúria: o Sublime Assismachadiano” (Nankin/Edusp, 2009). “O Poodle Preto e Outras Histórias Sinistras” é seu quinto livro de ficção e o terceiro voltado para o público juvenil.

Serviço

Lançamento coletivo

  • Com os autores Flávio Adriano Nantes, Fábio Dobashi, Volmir Cardoso e Ravel Paz
  • Amanhã (28), às 19 horas
  • Sesc Cultura – Avenida Afonso Pena, nº 2270
  • Entrada franca

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