As regras de sucessão na Monarquia sempre foram claras: primogênitos herdam a Coroa, os demais são “estepe”. Se isso tem trazido drama para a Família Real britânica imagine no ambiente competitivo e tóxico das corporações americanas de comunicação, onde o sucessor é escolhido por mérito?
A série da HBO, Succession, se espelhou na conturbada relação de Rupert Murdoch e seus filhos para endereçar uma série de questões que vão desde o abuso psicológico à dependência química.
Meus pais tentaram aguentar o rojão, mas com razão se queixaram: “ninguém presta nessa série!”. E é verdade. Mas quando percebemos, é tarde demais e já estamos dependentes. A toxicidade de Succession demanda não se apegar a ninguém ou esperar o melhor de nenhuma personagem.
Jamais. Para família Roy, tudo e todos fazem parte do jogo de Poder e a desconfiança constante é pode ser a diferença entre matar ou ser aniquilado. E os dentes de todos estão afiadíssimos na temporada final.
Succession em sua reta final - Divulgação HBOA fórmula é a mesma há quatro temporadas: Logan Roy (Brian Cox) maltrata, humilha e desafia os três filhos de seu segundo casamento, Kendall (Jeremy Strong), Shiv (Sarah Snook) e Roman (Kieran Culkin) que, por sua vez, humilham, maltratam e desafiam um ao outro, destruindo e maltratando qualquer um que passe no seu caminho. São pessoas horríveis por opção e viciados no jogo criado por Logan onde nunca há outro vencedor senão ele mesmo.
E por que ainda acompanhamos? Porque esperamos que pelo menos um dos três quebre o ciclo, mas é uma tarefa aparentemente impossível.
Estamos de volta três meses depois da surpresa da temporada passada, onde Tom Wambsgans (Matthew Macfadyen) parece ter quebrado o ciclo de abuso psicológico dele, pegando Shiv na curva e ajudando Logan no processo.
O empresário está por cima, mas na sua festa percebe-se que sente a ausência dos filhos. Ou simplesmente já entediado de não ter com quem jogar.
Como o NYT bem definiu, Succession parece estar sempre com prazo apertado para alguma grande negociação de bilhões, mas após as traições mútuas, nenhum dos acordos que movimentam os Roys se conclui. Um ótimo desafio para temporada de despedida pois dessa vez alguma coisa vai acontecer, estamos a 9 episódios do fim.
Divulgação HBOTom e Shiv estão à beira do divórcio e ainda incapazes de uma conversa franca entre eles. A agressividade passiva de Tom disfarça sua grande ambição, que é ainda maior que o amor que sente pela esposa.
Ele sabe que só tem valor para Logan sendo informante sobre Shiv e os irmãos e sendo testemunha de como os Roys agem, tem razão de se preocupar.
O trio por hora unido consegue uma vitória que irrita Logan, mas se tratando do primeiro episódio é como se estivessemos vendo clmo a derrota de desenhou no horizonte. Succession entregou o início da fase com tudo, mas nada de surpeendente. A única coisa que sabemos é que começou a partida, a vitória ainda está sem favorito.