Circular com seus shows pelas universidades do Estado não é novidade para os Hermanos Irmãos. Mas, desta vez, durante as apresentações por seis unidades da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), o trio formado por Jerry Espíndola, Márcio De Camillo e Rodrigo Teixeira contará com o reforço de duas destacadas cantoras sul-mato-grossenses de diferentes gerações.
A turnê “Hermanos Irmãos – Circuito Universitário UEMS”, que começa amanhã, em Ponta Porã, e segue até o dia 25, com show de encerramento em Aquidauana, terá a presença das cantoras Alzira E e Marina Peralta. Cada convidada vai se apresentar, ao lado do grupo, em três cidades onde a UEMS tem campus.
Os Hermanos Irmãos vão apresentar canções de seu novo EP “Delta da Vida”, além de relembrar músicas de seus dois discos – “Por América” e “Ao Vivo”. O projeto de itinerância com apresentações musicais ao vivo foi contemplado com recursos financeiros do Fundo de Investimentos Culturais de Mato Grosso do Sul (FIC-MS), e todas as apresentações são gratuitas e abertas para o público em geral, além da comunidade acadêmica.
Hermanos Irmãos e Alzira E abrem o circuito em Ponta Porã, nesta terça-feira, com show programado para começar às 20h30min, no campus da UEMS. Na quarta-feira, no mesmo horário, o trio e Alzira E realizam a apresentação em Naviraí, também no campus. O terceiro e último show da etapa Alzira será no dia seguinte, nesta quinta-feira, em Dourados, na Casa de Cultura da UEMS, com início mais cedo, às 20h.
ALZIRA
Na ativa desde os anos 1970, Alzira E, após o início da carreira ao lado de alguns de seus irmãos e outros parceiros, radicou-se em São Paulo e envolveu-se em trabalhos com vários nomes da chamada vanguarda paulista, uma turma numerosa e bem diversa musicalmente, unida pelo traço autoral de suas canções e pelo desejo de experimentação, quase sempre à margem do mercado, da qual a própria cantora acabou se tornando um dos expoentes – Grupo Rumo, Arrigo Barnabé, a dupla Luli & Lucina, Itamar Assumpção e, entre outros nomes, a irmã Tetê Espíndola.
Compositora e instrumentista de mão cheia, além do talento vocal, Alzira E vem experimentado um reconhecimento e, de certa forma, também uma redescoberta crescente em torno de sua arte. O documentário “Aquilo que Eu Nunca Perdi” (2022), conduzido com inventividade, delicadeza e êxito pela cineasta Marina Thomé, e o álbum “Minha Voz Fica” (2021), de Zélia Duncan, espécie de songbook com canções de Alzira, são exemplos do resgate de uma obra que, por circunstância e convicção, trilhou caminhos à margem da margem.
A cantora já se apresentou com o trio no projeto “Música do Brasil Central”, realizado por Márcio De Camillo, na casa de espetáculos paulistana Bona, em 2019.
MARINA
O circuito de apresentações será retomado em ritmo de encontro inédito, já que, ao contrário do que ocorre com Alzira, os hermanos e Marina Peralta não têm histórico de parcerias. Quer dizer, não enquanto trio. Isoladamente, Jerry, Márcio e Rodrigo, sem a patente dos irmãos, já se encontraram com a artista de Campo Grande que versa seu engajamento e lirismo na chave do rap e do dub reggae, entre outras levadas.
Marina estará com os Hermanos Irmãos em Maracaju, no dia 23 de maio, no show que será realizado no estacionamento do campus da UEMS na cidade famosa por sua linguiça artesanal. A turnê do trio com a participação da cantora segue para Jardim no dia seguinte (24), com apresentação no anfiteatro da UEMS. E o encerramento, no anfiteatro da UEMS de Aquidauana, será no dia 25. Os três shows da etapa Peralta, sempre com entrada franca, começam às 20h30min.
Na ponte com São Paulo, Santa Catarina e outras praças, Marina Peralta retomou recentemente uma conexão que pode ser considerada bem ao gosto da vibe dos Hermanos Irmãos, que valorizam em sua criação os vínculos com o outro lado da fronteira, não somente Paraguai e Bolívia, mas também os países adiante da grande nação musical “Por América”, como explicitam no título de um dos álbuns do grupo.
Lançada um pouco antes como single e há dois meses no repertório do álbum “Animal Ki (lado A)”, do rapper Tiano Bless, a canção “Sideral” é mais uma parceria de Marina com o artista chileno. Tiano já havia dividido os vocais com a cantora de MS em “Conexão”, faixa da banda Amanajé. Anos depois, se conheceram pessoalmente quando se apresentaram no mesmo festival em Santa Catarina.
Há quilômetros de distância um do outro e com uma pandemia que separou ainda mais as pessoas, Tiano e Marina ficaram horas no telefone elaborando uma letra que fala de liberdade.
A sensação de estar livre embala “Sideral”, com a leve batida do reggae acompanhada pelos instrumentos acústicos, que remetem ao jazz, em especial o trompete, conferindo a atmosfera flutuante da faixa.
Além dos recursos do FIC-MS, o projeto da turnê “Hermanos Irmãos – Circuito Universitário UEMS” tem o apoio da Divisão de Cultura, Esporte e Lazer (Dcel) da UEMS, por meio da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários.