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Saúde B+: Hoje é Dia da Conscientização dos Transtornos Alimentares

Psicóloga alerta sobre a doença, sintomas e dá dicas de autoajuda

Existe um equívoco bastante comum entre as pessoas de que o transtorno alimentar é uma escolha ou um estilo de vida.

Esses distúrbios são, na verdade, doenças de caráter mental (muitas vezes, fatais) que estão associadas a perturbações graves nos comportamentos alimentares das pessoas — e nos pensamentos e emoções relacionados.

A doença é caracterizada por hábitos alimentares bastante irregulares, que levam ao prejuízo da saúde. Isso traz muito desconforto, não apenas em seu aspecto físico, mas também, emocional.

O transtorno alimentar retrata o total descompasso ao ingerir alimentos ou, então, a perturbação psicológica de não comer. Trata-se de uma condição que é consideravelmente grave e que causa impacto grave na saúde de quem sofre da doença. Cabe ressaltar que apresenta, inclusive, código de doença (CID 10 · F50 — transtornos da alimentação).

O transtorno alimentar é marcado pelos comportamentos alimentares temerários. Ou a pessoa deixa de comer, por estar complexada em relação ao seu peso, ou acaba ingerindo muitos alimentos por conta de um descontrole emocional.

Sendo assim, a questão emocional é muito presente no distúrbio. Normalmente, essa instabilidade decorre de traumas desenvolvidos na adolescência (porque é um momento de descobertas). Mas é possível que se apresente em outras idades.

Os tipos de transtorno alimentar mais comuns são:

Anorexia nervosa

A anorexia nervosa é manifesta pelo medo compulsivo de ganhar peso, então, a pessoa se recusa a comer. Basicamente, o enfermo distorce a sua própria imagem e se enxerga muito acima do peso. Mas na verdade, essas pessoas estão anoréxicas e doentes.

Bulimia nervosa

Outro tipo conhecido é a bulimia nervosa. Nesse caso, o doente come de forma desordenada por uma compulsão alimentar. Logo após a ingestão, tem atitudes para compensar, tais como provocar vômitos, exercitar-se em excesso ou usar laxantes com frequência.

É comum que esses indivíduos iniciem o uso de remédios para perder peso, mas não sabem quais os riscos de automedicação para emagrecer. Esses comportamentos são tipicamente realizados em segredo e, por essa razão, geram um sentimento de culpa e falta de controle. A pessoa se sente frustrada e envergonhada, além de sofrer prejuízos no bem-estar.

Fabiana Di Carla é mestre em psicologia pela Universidade do Chile e especializada em transtorno alimentar - Foto: Aline Lilian

No Dia da Conscientização dos Transtornos Alimentares, o Correio B+ conversou com a psicóloga Fabiana Di Carla que atua promovendo qualidade de vida aos seus pacientes através do tratamento da mente e do corpo, fazendo o que ela define como “reciclagem da dor por amor”.

Dessa forma, a profissional trabalha o processo de cura da dor física e emocional em seus atendimentos utilizando métodos terapêuticos que tratam de traumas, fobias e relacionamentos. Mestre em psicologia Clínica pela Universidade Católica do Chile, Fabiana possui especialização em transtorno alimentar e nos alertou sobre o assunto. Confira a entrevista abaixo:

CE - O que é o transtorno alimentar?
FC -
É qualquer perturbação ou comportamento persistente e que causam prejuízos da ordem da saúde física, psiquica, cognitiva e relacionais ligados ao ato de comer sendo este entendido como restrição, excesso e sistemas de compensação geralmente associados a uma distorção de imagem corporal. Trata-se de uma alteração do comportamento alimentar significativa associada a problemas fisiológicos e psicológicos. Alterações cogniticas e emocionais que afetam o modo como a pessoa percebe e vivencia o seu corpo.

CE - Como identificar e diagnosticar transtornos alimentares?
FC - 
Quando a pessoa perde a liberdade de escolher o que vai comer, ou como comer, quando existe uma extrema preocupação com o corpo, seja ele no peso ou forma, autoimagem extremamente negativa, distanciamento social, dificuldade de perceber mudanças corporais, de pedir ajuda ou exercitar-se de maneira exagerada, desenvolver rotinas rígidas com prejuizos sociais, oscilações acentuada de humor, fadiga, desmaios entre outros.

CE - Como podemos trabalhar/tratar transtornos alimentares?
FC - 
Tanstorno alimentar se trata de forma mutidisciplinária, médicos, profissionais da área de saúde mental como psicólogo e psiquiatras, nutricionista, fisioterapeuta, enfim, especialistas nessas áreas que possam ver este paciente de maneira global justamente por ser um transtrono que afeta fisologicamente e psicologicamente.

CE - O que pode desencadear ou causar um transtorno alimentar?
FC -
 São diversos fatores associados, etilogia complexa, não tem uma causa única, desde a ordem da genética até a influência da cultura, sociedade, dinâmica familiar, traumas, relações abusivas...

CE - Como funciona o tratamento?
FC - D
epende de cada pessoa, mas sempre com acompanhamento mínimo com médico, psiquiatra, nutricionista, terapia, entre outros.

CE - Nesse dia em que combatemos a doença poderia nos dicas de autoajuda?
FC:

  • Procurar por informação.
     
  • Combater o preconceito a respeito.
     
  • Promover espaço seguro para diálogo e acolhimento (as famílias precisam entender do transtorno para ajudar no tratamento).
     
  • Incentivar desde pequenos a aceitação e diferença de corpos, alimentação equilibrada.
     
  • Conscientização que os padrões de beleza que circulam nas redes são cenários que muitas vezes não representam a realidade.
     
  • Não se comparar porque a comparação sempre vai nos levar a frustração.
     

 

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