Qual é a essência e a identidade musical que moldam Mato Grosso do Sul? Em busca de respostas para essa pergunta, o grupo Projeto Kzulo decidiu produzir o documentário “Memória e Identidade”, que será lançado nesta quarta-feira, às 20h, quando estará disponível no canal da banda no YouTube.
Em paralelo ao lançamento on-line, os integrantes da banda também vão fazer um show promocional, para dar a largada à divulgação do documentário, no Armazém do Campo.
A apresentação está programada para começar na mesma data e horário. O Armazém do Campo fica na Rua Juruena, nº 309, Bairro Taquarussu, em Campo Grande. Dividido em três episódios, com 10 minutos de duração cada um, a produção documental, concebida em formato de websérie, acompanha a trajetória da banda Projeto Kzulo durante sua turnê em três cidades de Mato Grosso do Sul – Dourados, Três Lagoas e Nova Andradina.
A turnê fez parte do projeto cultural Memória e Identidade, que contou com recursos financeiros do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), por meio de seleção em edital público. “Toda a parte de captação de imagens foi feita no primeiro semestre de 2023, ao longo da execução dos shows e das oficinas do projeto Memória e Identidade, que passou pelas cidades de Dourados, Três Lagoas e Nova Andradina”, lembra Julian Vargas.
Idealizador do tema do documentário e percussionista do Projeto Kzulo, Vargas afirma que, no audiovisual, existe um mecanismo de registro potente que explora as relações culturais entre a música latina e a identidade sul-mato-grossense.
PERTENCIMENTO E MEMÓRIAS
“O filme mergulhou nas memórias coletivas e no sentimento de pertencimento, apresentando perspectivas importantes de figuras como Evandro Higa, Júlio Borba e Rodrigo Teixeira”, afirma o músico, entre outras passagens que destaca e classifica como “riquezas” da produção documental.
“Promovemos debates para evidenciar como a sociedade sul-mato-grossense identifica seus elementos culturais a partir de sua memória afetiva e pertencimento social. No documentário, por exemplo, Camille dos Anjos, atriz que vive em Dourados, afirma que somente após debates políticos e culturais se deu conta de sua verdadeira ‘identidade’”.
A direção da série documental foi realizada por Thauanny Maíra, que também assina o trabalho de câmera e a edição. A pesquisa e o desenvolvimento, assim como aportes no roteiro, contaram com a colaboração da antropóloga e cientista social Pâmella Rani Soares.
“Não tenho como precisar o tempo exato de trabalho, pois foi um processo bem puxado. Mas, se a gente for somar as reuniões do período de pré-produção, gravação e edição, posso dizer que foram pelo menos nove meses até o resultado final do documentário”, diz Thauanny Maíra. Ela afirma que viu na direção o grande aprendizado da série de vídeos dada a diversidade de personagens que surgiram em meio ao público presentes nas oficinas do projeto Memória e Identidade realizadas nas três cidades.
DESAFIOS
“O maior desafio no processo, sem dúvida, foi na direção. Encontrar o elo narrativo da banda Projeto Kzulo com as vivências de cada participante das oficinas, personagens tão plurais e diferentes, muitos artistas e não artistas”, recobra Thauanny, que esteve em contato com uma diversidade de tramas biográficas da vida real que a impressionou.
“Várias histórias de pessoas de diferentes idades, gostos por diversos gêneros musicais, do sertanejo ao pop. Tivemos a participação de uma pessoa trans, um senhorzinho que tocava em bailes. O maior desafio foi exatamente esse, de conseguir captar a pluralidade e conseguir passar essa diversidade para o espectador”, conta a videomaker.
Quem quiser assistir ao documentário na íntegra em primeira mão basta comparecer ao Armazém do Campo, nesta quarta-feira, às 20h.
“Na estreia também será disponibilizado um artigo científico em formato PDF, discutindo os trabalhos realizados nas três cidades e colocando em consideração a música latino-americana no estado de Mato Grosso do Sul, revisando as ideias de autores como Néstor Garcia Canclini, Aníbal Quijano, Silvia Cusicanqui, Evandro Higa, Rodrigo Teixeira, entre outros nomes, para debater a nossa memória e identidade. Também haverá um show da banda Kzulo, para dar boas-vindas ao público e atender aos pedidos dos fãs”, afirma Julian Vargas, reforçando o convite.
Após o lançamento oficial do vídeo, o documentário ficará disponível no canal da banda Projeto Kzulo no YouTube. “O documentário todo tem 30 minutos de duração. Um trabalho que vale a pena conferir e do qual o público pode esperar um apanhado de experiências, vivências e informações superpreciosas do nosso cenário musical como um todo. Um registro que pode servir para trabalhos futuros”, diz o músico.
CRÉDITOS
O documentário foi produzido por Thauanny Maíra (direção, fotografia, edição e produção), Pâmella Rani (pesquisa e desenvolvimento, roteiro de questionários), Duka Martins (fotografia), Dayane Bento (figurinista), Tatiana Tássia (Libras) e Ednilson Sacramento (audiodescrição) em conjunto com os integrantes da banda Projeto Kzulo: Marco Aurélio e Wellington Cháves (Nino), nos vocais; Lucas Rabelo, na guitarra; Ricardo José Lourenço, no contrabaixo; Claudio Alves, no trombone; Julián Vargas e Lana, na percussão; e Alejandro Lasso, na bateria.
SERVIÇO
Nesta quarta-feira, às 20h, pelo canal @ProjetoKzulo, no YouTube. Na mesma data e horário, ocorrerá exibição no Armazém do Campo, na Rua Juruena, nº 309, Bairro Taquarussu, em Campo Grande. Entrada gratuita e classificação livre.