Djavan vai se apresentar em Campo Grande no dia 27 de abril de 2024. A informação foi divulgada pela Pedro Silva Promoções & Jamelão, na semana passada. Os valores dos ingressos e o local da apresentação serão divulgados nos próximos dias, e as vendas começam ainda em novembro. Mais informações pelo WhatsApp (67) 99296 – 6565, de segunda-feira a sábado, das 13h às 18h.
Anunciada em dezembro do ano passado, a turnê mundial “D”, do cantor, compositor e instrumentista Djavan, foi iniciada em março deste ano, com um grande show em Maceió (AL), cidade natal do artista. De lá para cá, os ingressos vêm se esgotando praticamente em todas as cidades por onde passa o comboio do incrível músico, autor de pérolas da MPB. É o próprio Djavan quem também assina a direção e os arranjos do espetáculo.
A turnê é homônima ao seu 25º álbum de estúdio, lançado em agosto de 2022. “O álbum é uma proposta à felicidade, ao futuro, à esperança. Fiz um disco tentando quebrar a hegemonia do obscurantismo, da falta de esperança”, diz o cantor. Além de faixas do último trabalho, a exemplo de “Num Mundo de Paz” e “Primeira Estrada”, o público pode esperar um repertório de aproximadamente 20 canções que contempla sucessos de todas as fases de sua carreira.
Embora Djavan sempre renove a lista de clássicos de uma turnê para a outra, músicas como “Sina”, “Flor de Lis” e “Oceano” têm lugar cativo em todos os shows, porque são canções que diferentes faixas de seu massivo público amam.
Neste novo show, a voz e o violão de Djavan ganham o reforço, no palco, de Marcelo Mariano (baixo e vocal), Felipe Alves (bateria), João Castilho (guitarra e violão), Paulo Calasans (piano e teclado), Renato Fonseca (teclado e vocal), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn) e Marcelo Martins (saxofone, flauta e vocal).
TRAJETÓRIA
Nascido em 27 de janeiro de 1949, em família pobre, teve boa educação escolar, mas aprendeu violão sozinho, nas deficientes cifras de revistas. Aos 18 anos, no entanto, já animava bailes da cidade com o conjunto, bem no espírito lisérgico da época da explosão do rock, Luz, Som, Dimensão (LSD). Não demorou a sentir necessidade de compor suas próprias músicas, e compôs dezenas de canções que sumiram, mesmo da memória.
Aos 23 anos, Maceió já pequena para o sonho de ser cantor, mudou-se para o Rio para tentar a sorte no mercado musical. Depois de um início difícil, teve o talento percebido e tornou-se crooner de boates famosas como Number One e 706, onde exercia sua versatilidade musical.
Com a ajuda de Edson Mauro, radialista esportivo e seu conterrâneo, conheceu João Mello, produtor da gravadora Som Livre, que o levou para a TV Globo. Passou a cantar nas trilhas sonoras de novelas, para as quais gravou músicas de compositores consagrados, como Dori Caymmi, Toquinho e Vinícius, Marcos e Paulo e Sérgio Valle. “Alegre Menina”, de Dori Caymmi e Jorge Amado, foi o maior sucesso da novela
"Gabriela”, o que fez sua voz ser conhecida antes mesmo de sua imagem.
Em três anos, entre 1972 e 1975, nas horas vagas do microfone, compôs mais de 60 músicas, de variados gêneros. Com uma delas, o samba “Fato Consumado”, tirou segundo lugar no Festival Abertura, realizado pela TV Globo em 1975, e chegou ao estúdio da Som Livre. De lá saiu com seu primeiro disco, das mãos do mítico produtor Aloysio de Oliveira (de Carmen Miranda a Tom Jobim).
“A Voz, o Violão, a Música de Djavan”, de 1976, é um disco de samba sacudido, sincopado e diferente de tudo que se fazia na época. Visto hoje, esse trabalho não marca apenas a estreia de Djavan, torna-o figura incontornável na história da música brasileira.
SONHO DE MÃE
Atenta àquela revelação, a gravadora EMI-Odeon investiu pesado no segundo disco, “Djavan”. Com uma orquestra dos melhores músicos da praça de 1978, o álbum, marcado pela descoberta das grandes canções de amor e desamor, consagra-o como um compositor completo, para além do samba muito pessoal que chamara atenção de todos.
Dois anos depois, em 1980, Djavan lança “Alumbramento” e mostra que, além de completo, dialoga bem com seus pares. O disco inaugura parcerias com Aldir Blanc, Cacaso e Chico Buarque, agora definitivamente colegas de primeiro time da MPB.
A essa altura, talento reconhecido por crítica e público, Djavan viu algumas de suas músicas ganharem outras vozes: Nana Caymmi grava “Dupla Traição”, Maria Bethânia, “Álibi”, Roberto Carlos, “A Ilha”, Gal Costa, “Açaí” e “Faltando um Pedaço”, e Caetano Veloso, retribuindo a homenagem do verbo caetanear, substitui por djavanear em sua versão de “Sina”.
Djavan realizara, então, seu sonho e o de sua mãe. Era um cantor, compositor e músico de sucesso. Começava, junto com a década de 1980, o momento de virada na vida e na obra de Djavan, a construção de fato de sua maneira muito própria de fazer música e de viver.
Tanto que no disco que gravaria em 1981, “Seduzir”, ele confessaria no encarte o seu momento de precoce maturidade: “O pouco que aprendi está aqui. Pleno. Dos pés à cabeça”.
Foi neste momento que ele fez coisas definitivas: montou sua própria banda, fez as tranças no cabelo, imagem que o caracterizaria vida afora, e começou suas turnês pelo Brasil e o mundo, eixo de sua carreira.
SUCESSO NOS EUA
Em 1982, a música “Flor-de-lis”, hit instantâneo do disco inaugural, tornou-se o primeiro sucesso de Djavan no disputado mercado americano, na voz da diva Carmen McRae, com o título de “Upside Down”, início de uma trajetória que o faria um dos compositores brasileiros mais gravados no mundo, ao lado de Tom Jobim e Ivan Lins.
Chegou o convite da gravadora CBS, futura Sony Music, e Djavan embarcou para Los Angeles para gravar, sob a produção de Ronnie Foster, um dos principais da soulmusic americana, “Luz” (1982).
E a estreia americana não poderia ser mais feliz: Djavan contou com a participação de alguns dos melhores músicos americanos e abriu o disco com, talvez, o maior deles, tanto em 1982 como agora, Stevie Wonder, que participou da faixa “Samurai” como uma espécie de boas-vindas ao circuito da música pop mundial. E um inequívoco sinal de prestígio.
Em 1984, em Los Angeles, Djavan gravou ainda um segundo disco, “Lilás”. Seguem-se dois anos de viagens em turnê pelo mundo. Antes, no Brasil, arriscou-se na carreira de ator no filme “Para Viver um Grande Amor”, uma adaptação da peça “Pobre Menina Rica”, de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra.
A partir de 1986, quando voltou a gravar no País, Djavan comemorou seus 10 anos de carreira como compositor, alternando-se entre o Brasil (onde nunca deixou de residir) e o mundo. Musicalmente, este é o Djavan em 10 anos de carreira: explorador do som das palavras, das imagens inusitadas, da variedade rítmica, das brincadeiras com andamentos, melodias fora dos padrões e riqueza harmônica. Um artista único.
A partir daí, disco a disco, turnê a turnê, Djavan foi construindo sua obra, tornando-se um artista de prestígio internacional, mas também de grande popularidade no Brasil. Em 1989, lança a canção que seria um marco nesse aspecto, “Oceano”, uma daquelas músicas perfeitas em forma, conteúdo, música e letra.