Correio B

SAÚDE

Estudo revela crescimento alarmante no consumo de cigarros eletrônicos

Temor de especialistas é cada vez maior, em função dos riscos à saúde, o que sugere a necessidade urgente de medidas de controle e prevenção

Alicia Miyashiro

04/06/2024 - 10h00

Atualmente, uma tendência preocupante tem ganhado espaço entre os jovens: o uso de cigarros eletrônicos. O que a maioria não percebe é que esses dispositivos, apesar dos diferentes cheiros e aromas, também são derivados do tabaco.

Por essa razão, os cigarros eletrônicos causam a inalação de monóxido de carbono, alcatrão e outras substâncias prejudiciais ao organismo.

Outra consequência é a dependência química, desencadeada pela presença de nicotina – substância presente não apenas nos cigarros convencionais, mas também nos dispositivos eletrônicos. O resultado disso tudo só pode ser o vício.

De acordo com a pesquisa divulgada pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), que analisou dados de 2018 a 2023 com pessoas de 18 a 54 anos, Mato Grosso do Sul é a segunda unidade da Federação com o maior número de usuários de cigarro eletrônico, com 4% da população analisada (aproximadamente 31 mil pessoas) consumindo o produto, atrás apenas do Paraná, com 4,5%.

Em 2018, o Estado tinha apenas 0,7% de consumidores, entretanto, como todo o País, passou por um aumento gradual até chegar aos 4% registrados no ano passado.

Nacionalmente, o número de consumidores aumentou em 600% nesses últimos seis anos. Até então, o Brasil tinha apenas 0,3% de incidência, saltando para 1,8% no ano passado.

Em números brutos, o País tinha 499 mil usuários em 2018 e agora tem pouco mais de 2,9 milhões. Na faixa etária, os jovens adultos de 18 a 24 anos são o destaque, com 6,1% do total. Logo atrás vem pessoas de 25 
a 34 anos (3,4%), de 35 a 44 anos (1,3%) e de 45 a 54 anos (0,7%).

MALEFÍCIOS

Além do possível vício, existe também risco àqueles que utilizam principalmente os vapes (vaporizadores, um tipo de cigarro eletrônico): esse grupo é mais predisposto a desenvolver diversos tipos de câncer – principalmente de pulmão, esôfago, estômago e bexiga –, doenças pulmonares como enfisema e doenças cardiovasculares. 

As partículas do cigarro eletrônico, por serem mais finas do que os tradicionais, podem alcançar estruturas orgânicas mais profundas nos pulmões, como os alvéolos.

Caso isso aconteça, há o risco delas caírem na circulação sistêmica, aumentando o risco de doenças cardiovasculares. Se o problema não for tratado a tempo, poderá levar a óbito.

Quando utilizado por muitos anos, o usuário de cigarro eletrônico pode ficar predisposto a desenvolver enfisema pulmonar.

Essa doença degenerativa crônica causa falta de ar progressiva, geralmente associada ao esforço, em conjunto à tosse (na maioria das vezes contendo fluido ou muco nas vias aéreas), aos chiados no peito, à dor de cabeça (no caso de pessoas com hipoxemia, que têm baixa oxigenação do sangue) e às infecções respiratórias de repetição.

Existe ainda a chance de desenvolverem a doença pulmonar conhecida como Evali, sigla do inglês para lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping (vaporizadores).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), os sintomas principais da Evali incluem tosse, dor no peito e dificuldade para respirar, acompanhados de dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, febre, calafrios e perda de peso.

MAS COMO PARAR?

Segundo o Ministério da Saúde, em virtude da novidade do produto no mercado, ainda não há garantias de que abandonar o cigarro eletrônico exija seguir os mesmos passos do cigarro tradicional.

No entanto, a Pasta recomenda que os interessados em parar de fumar cigarros eletrônicos – ou até mesmo os tradicionais – busquem os serviços disponíveis para auxiliar nesse processo.

Isso inclui a possibilidade de acompanhamento psicológico, se necessário, para compreender as razões por trás do mal hábito.

É fundamental durante esse suporte identificar os malefícios associados ao uso do cigarro eletrônico, pois, apesar da ideia inicial de que esses produtos seriam menos prejudiciais e até mesmo ajudariam no tratamento do tabagismo, a realidade prática se mostra bem diferente.

Estudos indicam que esses produtos são igualmente nocivos aos cigarros convencionais e não apresentam eficácia comprovada na cessação do tabagismo. Dessa forma, especialistas ressaltam que parar de fumar implica zerar o consumo de nicotina e seus derivados.

TRATAMENTO VIA SUS

Empenhado em reduzir o número de fumantes e o consumo de tabaco, o Ministério da Saúde conta com campanhas essenciais, como o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Essa ação oferece tratamento completo e gratuito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) para aqueles que desejam abandonar o hábito de fumar.

Para saber se você pode acessar esse tratamento em seu município, basta entrar em contato com a coordenação voltada ao controle de tabagismo de seu município, vinculada à secretaria da Saúde.

Você também pode obter informações adicionais procurando a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O Caderno B quer promover uma vida mais saudável para todos.

PROIBIÇÃO

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe desde 2009 qualquer tipo de venda, importação e propaganda dos chamados dispositivos eletrônicos para fumar – os cigarros eletrônicos.

Inclusive, nos últimos dois meses, o Ministério da Justiça intensificou o cerco ao produto, multando lojas e apreendendo milhares de unidades dos tais vapes.

Além do aumento no número de usuários sul mato-grossenses, o Estado também é destaque nas apreensões do produto. No ano passado, foram 363.911 registros de cigarros confiscados em MS.

No Brasil, houve um aumento de 25% nos confiscos desse tipo de produto em apenas um ano (entre 2022 e 2023). Em todo o País, foram 1.094.622 unidades apreendidas em 2022, contra 1.367.719 no ano passado.

SAIBA - Tabagismo é a causa de 80% dos casos de câncer no pulmão

Um levantamento nacional da Fundação do Câncer mostra que o tabagismo é responsável por cerca de 85% dos óbitos por câncer de pulmão entre homens e aproximadamente 80% das mortes pela mesma enfermidade entre mulheres.

Segundo o relatório “Câncer de Pulmão no Brasil: Por dentro dos números”, fumar é o principal fator de risco para essa neoplasia.

O documento indica que a maior parte dos pacientes com câncer de pulmão é fumante ou ex-fumante, o que representa 86% dos casos masculinos e 72% dos femininos.

ASSINE O CORREIO DO ESTADO

Diálogo

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (5)

05/11/2026 00h02

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje

Prefeitos de Mato Grosso do Sul rasgaram o verbo para demonstrar toda a ira após... Leia na coluna de hoje Foto: Arquivo

Continue Lendo...

representando ms

Idealizador do 'Tereré e Quadrinhos' vai pela 4.ª vez à FIQ em BH

Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, um dos principais palcos para os produtores desse formato de histórias que buscam catapultar projetos

04/11/2026 10h07

correio b terere

correio b terere Emmanuel Merlotti participa pela quarta vez do Festival Internacional de Quadrinhos de BH / Acervo Pessoal

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).